Entre, leia e ouça-me...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Da Natureza

Você me surpreende!
Num dia de chuva, de repente, brilha o Sol:
Seu jeito lindo me chama, me leva pela mão...
Você me interessa.
Existe um azul, profundo do mar, em que eu quero mergulhar....
Há no seu sorriso qualquer brilho tal como o infinito.
Você me fascina!
Vejo todas as cores em um imenso pôr-do-sol:
Tudo, de repente, me faz sorrir...
Você me encanta...!
Há uma sinfonia feita de Lua e estrelas, e brilha no seu olhar:
Sh! - me pego pensando, sem querer, talvez... 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Amor de Menina

Eu te amo como criança:
Rio por nada muito específico...
Brinco só porque sim...
Pulo só porque estou feliz!
Corro para o seu abraço,
Voando pelos nossos sonhos...

Quando eu te amo, sou criança:
Sorrio, você me faz tão bem!
Choro, eu te sinto intensa...
Lanço-me em teus braços,
Confio, você vai sempre cuidar de mim:
Entrego-me, leva-me pela mão...

Meu amor é uma criança,
Cheia de desenhos coloridos:
Eu, você e uma casinha n’algum lugar perdido...
Meu amor é essa pura criança,
Dos olhos ônix, imensos,
À espera do tempo torná-la virtuosa mulher...

domingo, 21 de julho de 2013

Enredo sem fi





No coração, sempre.
(one last kiss, one only)
O repentino aperto
(then i'll let you go)
concentra toda angústia,
(hard for you, I've fallen)
como concentrar todo o infindo Big
(but you can't break my fall)
antes de um súbito bang!
(i'm broken, don't break me when I hit the ground)

Em meu peito se fez o cosmo
estrelado de amor por ti
(some devil, some angel)
nascido de um amor bento de lágrimas
(has got me to the bones)
cujo luzir conta histórias que já tiveram seu fim
(you said always and forever)
os olhos estão cheios d'água
(now I believe you, baby)
a lágrima não faz passar o tempo
(you said always and forever is such a long and lonely time)

Meu coração é um orbe
(too drunk and still drinking)
desenhado a um único extraterrestre:
é você
(it's just the way I feel)
e você
(it's alright, is what you told me)
passeia pelos mundos e os planetas
pelos segredos e os mistérios
pelo tempo e o eterno
(Cause what we had was so beautiful...)
o tempo insiste e persiste em ser um eterno:
você
(feel heavy like floating at the bottom of the sea)

As promessas?
(You said always and forever:)
apenas não...
(now I believe you, baby...)
E as juras sacramentadas?
(you said always and forever)
Umas meninas mochileiras na estrada...
(is such a long and lonely time...)

Sem você, sem saber o porquê
(Some devil is stuck inside of me)
Minha ferida e meu amor estão sangrando
(I cannot set it free)
E eu queria ir, queria ser o nosso inexistente desfecho
(I wish I was dead and you breathing...)
Pois você foi sem dizer a deus
(Just so that you could know)
De nosso imenso amor tão puro
(Some angel is stuck inside of me)
Fadado ao mais ardiloso final:
I cannot set you free...

domingo, 2 de junho de 2013

O Libertino

Meu coração está engaiolado
Quer transbordar num voo!
Mas prenderam-no em meu peito
Mas por que este desplante?

Façam-me uma toracotomia!
Libertem o coração libertino!
Deixem, pois, ele partir!
Deixem...
Deixem que ele se derrame naquela esquina...
Deixem que ele faça serenatas naquela janela...
Deixem ele, taquicárdico, ao penetrar naquele pequeno quarto....
Deixem ele imerso naquele lado do colchão...
Deixem ele escrever poesias e até pintar um quadro...
Deixem que ele faça as malas, que ele diga que finalmente encontrou uma paixão...
Deixem-no, deixem-no ir por aí, entregue aos quatro ventos...

(ele há de voltar para mim,
ele há de descobrir, enfim,
que não existe amor
que seja tão fácil
assim.)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Receita para Cuidar de um Chato

Coração cheio
de palpites,
de impulsos,
de ti.

Mãos escravas
do Coração,
do Amor,
da Poesia.

Mãos rebeldes
empunhando palavras que
rasgam o peito e
entregam-lhe o Coração:

encharcado de alma,
de mim;
é teu, todo teu.
dê-lhe doses diárias de Poesia.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Costela

Eis aqui o meu mundo, mas
Não sugues das árvores a sua seiva;
Não arranques as flores dos jardins;
Não seques os rios de águas doces;
Não semeies aquilo que não quererás colher;
Não maltrates os animais:
(Deixa em paz os passarinhos!)
As formigas, não lhes atrapalhes o árduo trabalho;
As borboletas, adore-as lepidopteramente;
Os felinos, não os intentes jamais dominar!
Os botos, guarda-lhes os segredos;

Derrota os montros, as bruxas e os fantasmas;
Vence os cavaleiros maus e sombrios;
Desbrava os oceanos, descobre os continentes;
Ama as sereias e salva as donzelas, cresce Herói;
Comanda os exércitos, torna-te General;
Cuida de tua casa, age como seu Senhor;
Sê magnífico em tudo, sê Príncipe;
Domina os povos, sobe o trono Rei;
Medeia as guerras, faz-te Imperador;
Namora a Princesa, casa-te com a Rainha;
A Imperatriz, desafia-lhe a desvendar teu nome!

E talvez, então, Adão, eu lhe devolva a tua costela ...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Você me fala do fim (15/06/2011)


Você me disse que o grande lance está em viver intensamente cada dia, mesmo sabendo que há de haver o fim. Eu digo, então: depende. Acho válido o seu dito, mas ainda discordo dele.
Vamos começar com a seguinte pergunta: que história é essa de que VAI ter fim? É claro que você logo divagará a respeito da inevitabilidade da Morte, o austero emblema do fim, que os alfas só têm sentido se há os ômegas, etc. No entanto, será que a morte é, de fato, a única certeza predeterminada? Será mesmo que a morte já está predestinada? E como você diz isso? Por analogias?  Vai dizer que a Morte constrói o homem? Você optaria por Ela se pudesse ser eterno? Vai dizer que a maior missão do homem ao longo dos tempos não tem sido driblar o beijo frio dessa negra Senhora?
Eu digo que a Morte talvez cesse os impulsos correndo ao longo do músculo cardíaco, talvez a esperada Senhora já tenha apagado as luzes dentro das mentes mais brilhantes que o mundo já conheceu; mas a vida permanece em quem fica. O homem deixa seu legado na permanência memória, em quem amou, em seus escritos, em imagens, em músicas, em tudo o que ele constrói.
Vai dizer que Vinícius de Moraes morreu? Mário Quintana? Machado de Assis? Anne Frank? Marthin Luther King? Mozart? Chopin? Beethoven? Debussy? Descartes? Tolkien? Aristóteles? Freud? Nem Hittler morreu…
Ser humano não é ser vazio, mas cheio de vida, cheio de vidas, um coletivo que só morre quando há o esquecimento. Portanto, posso dizer que a verdadeira morte é o esquecimento. É possível, sim, olhar a vida de forma que a Morte não signifique o fim. Por isso, acho que essa essa sua história de destino, de que vai-sim-senhor, que tem-que-ser, é furada. 
Relacionamentos vão até onde vai o comprometimento humano (aliás, tudo na vida é assim). Saber disso, na verdade, é o grande lance. Não é que seja tudo um belo e fofo conto de fadas, quase tudo realmente termina. O cupido se zanga, os santos não batem gente se cansa, as forças se esgotam, a paixão acaba, a chama apaga; o homem é falho e por isso é finito.
Concordo com você que há nobreza em fazer o melhor diante da certeza do fim, mas me incomoda essa convicção, essa bola de cristal, esse tarô, essas cartas que dizem que nada é relativo, que as coisas são até que.
O seu realismo certamente dá um banho no meu romantismo. É que, apesar das constantes, a matemática não seria nada sem os xis e os ypsilons. Considerando que o seu personagem e o meu concordem que se fez infinito enquanto durou, o que nos faz diferentes é a motivação. Seu personagem fez o melhor, apesar de saber do fim; o meu o fez a fim de perdurar. Quanta angústia  há em amar alguém à espera do fim? Como não temer o fim do Amor?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Branca



- Durma bem, minha filhinha. 
Eu vou te amar para sempre.




Fecho os olhos e te imagino:
Eu te vejo correndo pelas nuvens,
Mordendo os calcanhares de Deus,
Roendo as estrelas,
Implorando pelo seu pãozinho
Debaixo da mesa de café dos anjos,
Latindo para a lua,
Incomodando os vizinhos,
Talvez até namorando...
Eu te vejo branca,
Eu te vejo, Branca.

Sinto a falta tua, Branca.
Restaram-me estes teus lacinhos,
Coloridos que eram sobre o teu branco-branco,
Coloridos não mais que os teus olhos suavemente azulados,
Olhos que te confirmavam como propriedade celeste!

Foi, então, a hora de te retornar ao Dono, 
Fico agradecia pela extasiante visita,
Que seja mais forte do que todos os dias tristes
A lembrança da alegria com que iluminavas essa casa
Que permaneça em meu peito uma brancura tal como a tua,
Que permaneça em mim eternamente as tuas brancas memórias....

Restou-me este silêncio.
Eras todo barulho da casa,
Eras uma linda música,
Eras minha canção branda, Branca...

Fostes minha canção, minha melhor amiga,
Minha primeira, minha lindinha
Meu bebê, minha filhinha,
Meu bem, meu amor,
Meu presente, minha branca,
Minha Bia,
Minha, Bia.

Te esquecerei jamais.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

"Here is to life, death, love and colors..."


Meu coração repousa
No topo duma montanha longínqua
A mais alta, a mais bela
A mais imensa, a mais poética

Meu coração pacífico
Pulsa e então inunda
A grande montanha mavı
Que é então pintada kırmızı

Eu penso nas cores
kırmızı e mavı
Tão opostas, mas ali,
Na montanha gelada, tão íntimas...

Meu calor kırmızı
Sobre teu frio mavı
Meu sangue é lava
Teu peito é gelo

Eu penso nas cores opostas...
Tão próximas, apesar de tão distantes
Ou tão distantes, apesar de tão próximas?
A verdade é que tudo são cores...

Eu penso kırmızı
Você, mavı
Haverá como misturá-las tal como em aquarela?
Seremos os dois, enfim, mor?

Na verdade, as cores são tudo.


 Uma Breve Lembrança à Morte, de Markus Zusak ...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Das Páginas do Meu Diário

Eu não sou um livro em branco. Tenho essas dezoito páginas rabiscadas, escrevinhadas, improvisadas, redigidas. A minha caligrafia poucas vezes adorna o papel. Sou humana e na vida real não existe liquid-paiper. Apesar disso, minhas humildes 18 páginas têm histórias para contar.
Algumas páginas estão manchadas de tristeza. Eu chamo essas manchas de lágrimas, há quem chame de silêncio e há quem chame de esquecimento. Há também aqueles que passam a escrever por cima desses borrões no texto, uma pena. É possível até que por cima haja um belo desenho, mas o autor nunca se esquecerá que seu bonito desenho está a esconder uma tristeza.
Eu prefiro dar às lágrimas o seu espaço. Vão, distorçam a tinta que vocês tiverem que distorcer. Ainda assim, fui eu quem escrevi. Cada uma dessas manchas me ensina que a dor existe para (de)lapidar a alma. Façam, pois, o que têm que fazer: firam, despedacem, manchem-me as belas palavras. Apenas terminem logo com isso. Há de restar um pedaço de alma aqui e ali. Um dia, eu costumo dizer, essa alma restante será um diamante. Um daqueles que brilham lá no céu.
Eu sempre amei o céu à noite. Sou apaixonada pela Lua, chamo-lhe de Cheshire, porque me apaixonei pelo seu sorriso. Penso nela como esse grande gato gordo e sinto-me numa encruzilhada qualquer no País das Maravilhas. Sua dona, a Rainha de Copas, bem me disse que não se pode conquistar nada com lágrimas. Nada de formar, pois, lagoas com a tristeza. Sábio conselho.
É por isso que não guardo mágoas e procuro não afogar todos com o meu chororô. O rancor é, no entanto, mais como um oceano que se forma, tempestuoso, e cujas tormentas afogam tudo que há pela frente. Quanto amor já não morreu afogado por aí? Que crime terrível seria matar afogada tanta vida que ainda há!
Há também os medos, que me fazem chorar, mas os quais enfrento quando preciso. Há muitas criaturas medonhas pelos bosques e, à noite, os fantasmas surgem. As bruxas más do Leste e Oeste vêm para desenhar, marcar e tatuar as minhas páginas, e preciso enfrentá-las, quem escreve a minha história sou eu, não elas! Se tenho medo? Claro! Mas não existem corajosos que não tenham medo nas histórias da vida real. Aliás, não há heróis na vida real, há apenas um espantalho, um homem de lata e um leão covarde que eventualmente ajudam-me pelas estradas de tijolos amarelos.

Quem sou eu

Minha foto
Camille Lyra. O nome fala muito da feição, tanto na sua significância quanto na sua origem; já o sobrenome faz jus à escrita predileta da autora. Sempre curiosa demais, sonhadora demais, ambiciosa demais, romântica demais, intensa demais. E, daquilo que exceder tudo isso, faço poesia.