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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Dos Meus Namorados
Hoje acordei com vontade de contar um segredo. Promete guardá-lo? Não conte a ninguém, tá? Tá! Há muito que venho escondendo um-e-depois-mais-outro-e-mais-outro dentro do quarto no armário, nas gavetas, nas estantes, dentro do travesseiro... e agora são tantos que não posso mais os controlar! Vez por outra deixo sem querer algum escapulir e sair aprontando pirracento por aí, só porque não o apresentei a ninguém. Está bem, está bem, eu conto! Sou uma mulher poliandra. Quê? Poliana? Poliandra!
Tenho mesmo muitos muitos namorados! E, aham, eles sabem tudo! Tudinho? Tudinhozinho! Zin-zin? Zin-zin-zin! Oras, como alguém como muá, una amante impetuosa de las cosas hermosas, poderia escolher dentre todos eles só um? Pas possible!
Mes petit amis são verdadeiros sedutores, de um charme peculiar e venenoso. São verdadeiros magos perversos, sempre se divertindo às custas da minha ingênua, coitadinha dela, lucidez. Eles me enlouquecem, me vencem pela paixão, pelo desejo, pela vontade de ser e de acontecer e... ahhhhhh, mes amoureux magnifiques! Estou perdida e irremediavelmente apaixonada por eles, os meus pensamentos, ideias encantadoras!
Quando esses genuínos príncipes ainda persistem fielmente em me acompanhar pelas esquinas e até a porta, então, pronto: c'est l'amour! Dou-me a preparar cerimoniosamente nosso ninho, provido de lápis, borracha, caneta e, claro, um caderno romântico, em que possamos desflorar os prazeres mais imensos e mais irresistíveis da carne durante fins de tarde intermináveis de cocktail parties for two, e às noites estreladas e cheias-de-lua, como dois foras-da-lei secretamente amando em cima do telhado, e ainda, para os mais vorazes, tenras manhãs de carícias e cantos etéreos...
Enfim, eu acabo por estar eternamente enamorada depois disso. Meus pensamentos ciumentos arrajaram esse meio de garantirem que eu nunca os esqueça, this foxy cunning tiny little creatures o' mine. Daí sugem os textos, os retratos, as provas concretas de que a libertina Psiquê anda a se divertir por aí com todas as ideias e todos os pensamentos que lhe dão na telha.
Leitor, namorados; namorados, leitor. Devidamente apresentados, enfim. Oras, vejam só as coisas loucas que esses meninos me fazem contar! Está melhor agora, meus amores? Não? Acho bom! Agora comportem-se e vamos me ajudar com o próximo post, por favor.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Dizeres Póstumos
| "Deixa ser." Tudo se desfaz, então... |
"Acho que foi melhor assim. Aqui não era o seu lugar. Mas, querida, eu não posso ir também, me perdoe." Ele adornou seu pescoço com diamantes brancos. Denotava sua essência: aprendera com ela que as pessoas na vida são como diamantes brutos sendo lapidados. A dor é para cortar, precisa e pungente, pedras soltas na natureza. Um dia, seu Dono as recolhe, quando, enfim, são perfeitas para escrustar os céus como brilhantes insignes. - Uma dor chamada saudade era anestesiada com a lembrança das convicções dela. Ela sempre quis fazer as pessoas sorrirem. Ela quis amá-las. Ela quis ser essa intensidade.
"Você, impetuosa, sempre quis viver uma vida descomedida, sempre quis ir além de sua própria natureza. Você buscou isso de todo o coração. Espero mesmo que você tenha encontrado tantas aventuras quanto as que eu vivi com, por e em você, meu amor..." Ela, então, podia descansar sabendo que tinha chegado tão longe quanto tinha intentado, seus sonhos eram independentes das outras páginas antes manchadas. (A lua inundava o céu com seus pêsames. O vento urrava, soprava um som morbidamente gélido em seu corpo morto, mas ele ainda não tinha se dado conta da dor.) Anestesiado.
" Eu te avisei, não avisei? Por que foi que você tinha que deixar seus suspiros ardentes se esvairem e esfriarem pelas pessoas de seu amor? Por que foi que foi que você quis pagar com a própria vida? O que você queria sabendo do preço dessa paixão? Você sabia do final! Você sabia que havia um preço a ser pago, que, se não a mim, amaria à solidão! Você também sabia que essa solidão iria te matar. Você era convicta de suas razões, mesmo que fossem mentiras. Você era capaz de acreditar nas mentiras que você mesma inventava. Não eram mais blefes ou meias verdades, tornavam-se axiomas ao adorno de suas palavras.... você se matou! Foi culpa sua! Não me faça acreditar que sou eu o homicida traiçoeiro nessa história de amor... Foi culpa sua! Foi você que se matou! Você se matou!" deixava ali lágrimas e palavras. Muito mais lágrimas do que palavras, na verdade. Não mais a latência da verdade: era a expressão mais pura e selvagem da angústia dela revelando-se a ele, então.
" Droga! Você não podia ter me deixado assim, não! Por favor, não.... não, não, não! Quem vai tomar o seu lugar? Me diz! Eu não sei o que fazer, não sei. Você me abandonou... você, você mentiu quando disse que era para sempre. Você mentiu! Se foi...foi você quem escolheu ir! Você se matou! Você mentiu para mim, mentiu...não era para sempre... " jogou umas cartas velhas ali dentro com ela. Eram cartas de amor. Inúmeras, todas as verdades voltavam-se contra a autora. Ainda eram verdades, mas dolorosas demais. Teria sido cruel, intolerável que ele as guardasse para sempre. Teria sido para sempre. Para sempre.
"EU amei você para sempre. Eu te amei esse tempo todo, e você nem sempre viu. Eu amei você mesmo assim. Eu amei de verdade, quando você era dúvida. Eu amei você no infinito! Por que você nunca acreditou em mim? Por que você tinha que se achar tão pequena a ponto de ser cega? Você foi estúpida! Era tudo e perdeu-se por nada. Morreu por nada. Nada!Nada.... nada nesse mundo vai te trazer de volta agora, nada... Então, perdi tudo. Você é tudo, meu amor!" Silêncio. Não haveria respostas. Ela não mais podia perceber o tamanho do amor com que ele a encobria. - Era apenas seu corpo inerte ali. Insípido. Sua pele já era pálida, seus lábios não eram mais rosados. Ela estava ferida, havia manchas roxas, suturas, mágoas, lágrimas, tristeza ao longo dela... ela era a dor que permanece depois do acidente que é a morte derrubar a vontade de viver.
A Lua recitava para ela, palavras ao vento. Dores lançadas ao vento. Saudade que resistia ao vento. Saudade que residia no vento. Era frio, e não devia fazer tanto frio. Era fogo que ardia sem se ver. - Ela não via. Nunca acreditou que merecia ser amada. Mas amava. Ela estava sempre deslumbrada com vidas alheias, ocupada demais para aperceber-se de sua própria beleza. Uma tonta. Ele, confuso. Nunca soube, também, como fazê-la saber do brilho que pulsava em tudo quanto ela fazia. Teria sido ela para sempre. Para sempre.
A Lua recitava para ela, palavras ao vento. Dores lançadas ao vento. Saudade que resistia ao vento. Saudade que residia no vento. Era frio, e não devia fazer tanto frio. Era fogo que ardia sem se ver. - Ela não via. Nunca acreditou que merecia ser amada. Mas amava. Ela estava sempre deslumbrada com vidas alheias, ocupada demais para aperceber-se de sua própria beleza. Uma tonta. Ele, confuso. Nunca soube, também, como fazê-la saber do brilho que pulsava em tudo quanto ela fazia. Teria sido ela para sempre. Para sempre.
" Eu te perdoei, você nunca acreditou. Burra. Você era maior que os erros. A falta do seu sorriso custa mais que aquela dor. Qual foi a dificuldade em entender isso, meu Deus? Eu também errei, e você me perdoou todas as vezes! Qual foi a dificuldade em se perdoar, qual?" Amada, amada demais. Apesar de toda dor que havia causado (e há tanta dor na traição...). Viveu marcada pelas marcas que deixou, desde então. Nunca mais se deixou esquecer da agonia pungente que era apunhalar alguém amado. Nas costas. Culpa. Mas ela amou. Amou sim. - Beijou-a uma vez mais. Os lábios frios. Faltava sua poesia angustiada. De tanto amor. De todo desejo. De perfeita loucura. Ah... sua loucura adocicada, como o pouso de uma borboleta singela após o voo. Acariou seu rosto suave. " Eu te perdoo, meu amor. Você é maior..."
Não terminou de dizer. Uma luz branca invadia a noite sem pedir licença à lógica: podia ser apenas um sonho.
Ele ouvia a risada dela. Ah, aquela risada louca adocicada.... a louca doçura ou a doce loucura dela. A cena era branca. E o sorriso dela descia na soma de todas as cores. Ela sorria com todas as cores.
Verde, ela sorria deitada na grama dum campo distante, tomado pelos dois. Amarelo, o riso dela era mais forte que o Sol. Azul, ela era a Lua sobre o plano da noite. Laranja, ela ria à-toa sobre uma colcha, só para ele. Violeta, ela descia uma escadaria num vestido longo, tinha jeito de flor. Rosa, ela dava risada e a boca suja de algodão doce. Vermelho, sua cor preferida: era uma mar de rosas e a sua pele nua. Com todas as cores. O sonho transfigura-se, então.
Os axiomas ao adorno de suas palavras... ela caída no chão, pela última vez: ferida, havia manchas roxas, suturas, mágoas, lágrimas, tristeza ao longo dela.
-Você sabia do final... amaria à solidão. - Teria sido cruel, intolerável que ele guardasse sua intensidade (inconstância) para sempre. Teria sido para sempre.
-Não houve blefes, nem meias verdades. Houve verdades, querido. Você não tem fé no que digo. Eu digo o que sou. É que já fui poesia diluída na alma de poeta. Sabia que o poeta é destinado a sofrer mais?, foi o que me disseram quando nasci. Agora, só restou poesia, meu amor: acredite em mim dessa vez, por favor...
Acredite, eu não me senti sozinha. Houve esperança em cada lágrima. Houve quem cuidasse de mim, na sua ausência. Você só não pode ver. E eu não te amei menos por isso, não. Eu amei você para sempre, sempre.
-Me perdoa. Me perdoa por nunca ter conseguido te fazer acreditar. Me perdoa por não conseguir acreditar. Me perdoa, por favor, me perdoa. - Disse mais lágrimas, do que palavras.
-Não chore, meu bem. Não chore. Eu prometo que estou bem. Agora, sim. Agora eu acredito no seu amor. Me perdoe por não ter sido capaz de me ver no seu coração antes. Não fiz por mal: sempre me achei pequena demais para você. Mas você me aceitou mesmo assim. Obrigada, meu amor. Obrigada pela sua companhia. Obrigada por essa poesia que me inspirou um amor apaixonado, louco, feliz ao seu lado. Obrigada, meu grande amor.
Ela colocou as mãos no rosto dele. Acariciou-o (suas mãos eram frias). Seu corpo passou a dissipar-se no ar. Seus cabelos e sua face flutuavam, então. Sua boca escureceu. Primeiro, cor-de-sangue, depois, lábios vermelho-quase-vinho. E ela aproximou-se mais. Beijou-o uma última vez. Era quente. Abriu os olhos e já não podia mais vê-la. Podia sentir. Fogo que ardia sem se ver. Ela era chama cada vez mais quente. Fechou os olhos, sentiu o corpo dela no dele. Eles se amaram mais: incêndio.
O fogo, de repente e sem mais, nem menos, foi soprado por um vento. Aquele calor fez frio, então. Era frio, e não devia fazer tanto frio. Mas todas as dores lançadas ao vento, também. Restaria apenas a saudade. Saudade que resistia ao vento. Saudade que residia no vento.
Do rosto dele, escorreu uma lágrima. Escorreu saudade. Passeou pela maçã do rosto, caiu em sua mão direita. Enfim, o fim.
Não soube depois dizer por quanto tempo durou tanto amor, ou por quanto tempo durou o ultimo beijo. Lutava contra o tempo pelos detalhes. Não queria esquecê-la. Queria o direito de guardar cada detalhe. Cada curva do corpo dela. Cada um de todos os beijos. Todos, todos eles. Cada vez que ela declarou seu amor a ele, de todas, todas as vezes. Cada poesia, de tudo, tudo que ela é.
Sua mão direita, de repente, doeu. Uma dor interna, como se sua mão queimasse de dentro para fora. A dor ardia cada vez mais. Piorava em uma progressão inexplicável. Era como colocar a mão num lago de fogo, não, era pior, era tocar o Sol. Não importa, queimava por dentro. Ele gritou. De dor.
Prostrou-se no chão e, agachando-se, levou a mão ao peito(não sabia, mas estava exatamente em cima de seu coração). E o coração ardeu mais que a mão. Ele chorou. De saudade. Chorou como um bebê. Depois, percebeu que sua mão não mais doía. Fechou os punhos e sentiu algo espetar. Em sua mão, havia uma rosa vermelha (como os lábios dela da última vez).
Aquela rosa ele plantou sobre a sepultura de seu amor. Mal sabia ele que ela jamais iria morrer.
Foi para sempre enquanto durou. Para sempre.
à Inspiração
Por Camille Lyra
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Fim.
Ando nas ruas, mas não sigo em frente. Ando por caminhos e não vou a lugar algum. Cumprimento com umas respostas automáticas uns vultos passando por mim. Alguns querem me falar, mas não paro para ouvir o que não quero lembrar. Lembrar da minha distância. Vi lágrimas, vi dor, não vejo nada. E cada vez mais vejo como é o nada, por causa da minha dor, por causa das minhas lágrimas. Tudo é tão distante agora. Não há mais ninguém, também não há mais cores, sons ou vozes. Apenas eu mesma. Só o que restou, por um pouco...
(Foi por tão pouco...)
Fecho os olhos e não sei onde estava nem onde estou. Só eu vazia, falando de mim mesma. E um de Você, cheio de si. Brindando comigo, brincando comigo.
*Tin-tin*
(Um brinde ao egoísmo!)
E o mundo se dissolve por um minuto...
O que foi que Você disse mesmo? "Eu vou te amar para sempre" ou será que foi "não sei mais o que somos um para o outro"? Perdão, foi rápido demais para que eu pudesse compreender.
Não, eu não culpo a parte real de Você: o tempo - ou o resto da vida - que Você pediu para nós é, mesmo, o certo. Temos outros focos, outros objetivos por enquanto. Não há espaço para mais amor no mundo, não para o nosso.
Culpo mesmo é o que brindou, brincou comigo. A parte de Você que, aqui dentro e todo o tempo, murmurou tantas promessas impossíveis. E eu acreditei. Revivendo com ele amores sem-fim que precisaram de um tempo e, talvez não saibam, nunca mais, voltar.
Foi culpa dele que me trouxe um romantismo egoístazinho-metido-a-besta. Me fez acreditar que eu podia te dizer meu. Desaprendi a vida sem a fértil emoção a dois, o mundo que não gira ao nosso redor.
Na verdade, a vida é muito mais que isso. Amar é muito mais que isso. O Amor é muito mais que isso. Amar, viver é ter fé, também é querer bem. Amar é viver sabendo que as pessoas são como areia na palma da mão: não se pode fechá-la que elas escapam por entre os dedos. É preciso abrir mão e, se o Vento quiser levar, é deixar ser. E assim ser para elas o melhor e mais firme amparo que conseguir, sabendo que talvez um dia, um dia...
É culpa minha também. Me deixei seduzir, ser insana. Embriaguei-me com o sabor destilado em cada gole daqueles beijos. Não cogitei deixar seus lábios. Não pensei nas feridas, não pensei em nós, em ninguém.
(Mentira. Pensei sim, em mim. Enlouqueci.)
Não é que eu queira deixar esta louca intensidade para trás, não. Umas boas doses de Você me inspiraram mais do que mil versos perfeitos, verdade. E sem precisar nem mesmo de palavras, só do seu toque perfeito emaranhado em minha alma vã. Sua mão está lá, queira Você ou não, para sempre.
(Queira você ou não, amor...)
E lá se vai a última gota no copo. E também não quero mais brindar, brincar - a próxima vez será fatal-. Permanecerei sóbria para o próximo cumprimento. Quero lembrar onde estou, quero saber quem sou. Quero ver neles, que ficaram atrás de nosso brinde, mais que vultos passantes nas ruas. Quero ser mais que uma passante, quero contar-lhes histórias bonitas, cantar palavras doces, palavras precisas, palavras certeiras. Quero ver além desse complexo de amores ébrios.
(Sóbria.)
Abro os olhos e me deparo com o primeiro próximo vulto. Aos poucos, decifro sua imagem embaçada e percebo sua silhueta; uma forma de andar um tanto peculiar, quase familiar. Agora, as linhas de sua face. Um tanto rígidas - penso que talvez precisem de palavras doces, isso -, parece preocupado, bastante preocupado. É um homem.
(Mas, o que será que... ?)
Então, posso ver os olhos. E não preciso de mais nada para saber quem são aqueles dois cometas, caindo sem que eu saiba o porquê. São Você.
Talvez seja um sinal, talvez haja mesmo esperança no futuro. Um futuro correto, certo para mim e para Você. Ou não.
(Não...?)
Vejo Você chorar, de repente. Pude ler os seus lábios dizendo "Não!"
Olho para o lado, e algo me atinge tão repentinamente quanto as suas lágrimas.
(Tudo se desfaz...)
Deitada no chão, meu corpo dói. Muito. Você se abaixa, me pergunta por que diz que foi estúpido que me ama que eu não me vá que não quer fugir que eu não ouse te deixar agora e penso em dizer te amo te quero que vou lutar que vou sobreviver por Você que nunca vou deixar Você te amo te quero ao meu lado fica comigo sempre. Sempre...
Mas eu guardo tudo para mim. Apenas sussurro "Deixa ser.."
(Tudo se desfaz, então.)
(Foi por tão pouco...)
Fecho os olhos e não sei onde estava nem onde estou. Só eu vazia, falando de mim mesma. E um de Você, cheio de si. Brindando comigo, brincando comigo.
*Tin-tin*
(Um brinde ao egoísmo!)
E o mundo se dissolve por um minuto...
O que foi que Você disse mesmo? "Eu vou te amar para sempre" ou será que foi "não sei mais o que somos um para o outro"? Perdão, foi rápido demais para que eu pudesse compreender.
Não, eu não culpo a parte real de Você: o tempo - ou o resto da vida - que Você pediu para nós é, mesmo, o certo. Temos outros focos, outros objetivos por enquanto. Não há espaço para mais amor no mundo, não para o nosso.
Culpo mesmo é o que brindou, brincou comigo. A parte de Você que, aqui dentro e todo o tempo, murmurou tantas promessas impossíveis. E eu acreditei. Revivendo com ele amores sem-fim que precisaram de um tempo e, talvez não saibam, nunca mais, voltar.
Foi culpa dele que me trouxe um romantismo egoístazinho-metido-a-besta. Me fez acreditar que eu podia te dizer meu. Desaprendi a vida sem a fértil emoção a dois, o mundo que não gira ao nosso redor.
Na verdade, a vida é muito mais que isso. Amar é muito mais que isso. O Amor é muito mais que isso. Amar, viver é ter fé, também é querer bem. Amar é viver sabendo que as pessoas são como areia na palma da mão: não se pode fechá-la que elas escapam por entre os dedos. É preciso abrir mão e, se o Vento quiser levar, é deixar ser. E assim ser para elas o melhor e mais firme amparo que conseguir, sabendo que talvez um dia, um dia...
É culpa minha também. Me deixei seduzir, ser insana. Embriaguei-me com o sabor destilado em cada gole daqueles beijos. Não cogitei deixar seus lábios. Não pensei nas feridas, não pensei em nós, em ninguém.
(Mentira. Pensei sim, em mim. Enlouqueci.)
Não é que eu queira deixar esta louca intensidade para trás, não. Umas boas doses de Você me inspiraram mais do que mil versos perfeitos, verdade. E sem precisar nem mesmo de palavras, só do seu toque perfeito emaranhado em minha alma vã. Sua mão está lá, queira Você ou não, para sempre.
(Queira você ou não, amor...)
E lá se vai a última gota no copo. E também não quero mais brindar, brincar - a próxima vez será fatal-. Permanecerei sóbria para o próximo cumprimento. Quero lembrar onde estou, quero saber quem sou. Quero ver neles, que ficaram atrás de nosso brinde, mais que vultos passantes nas ruas. Quero ser mais que uma passante, quero contar-lhes histórias bonitas, cantar palavras doces, palavras precisas, palavras certeiras. Quero ver além desse complexo de amores ébrios.
(Sóbria.)
Abro os olhos e me deparo com o primeiro próximo vulto. Aos poucos, decifro sua imagem embaçada e percebo sua silhueta; uma forma de andar um tanto peculiar, quase familiar. Agora, as linhas de sua face. Um tanto rígidas - penso que talvez precisem de palavras doces, isso -, parece preocupado, bastante preocupado. É um homem.
(Mas, o que será que... ?)
Então, posso ver os olhos. E não preciso de mais nada para saber quem são aqueles dois cometas, caindo sem que eu saiba o porquê. São Você.
Talvez seja um sinal, talvez haja mesmo esperança no futuro. Um futuro correto, certo para mim e para Você. Ou não.
(Não...?)
Vejo Você chorar, de repente. Pude ler os seus lábios dizendo "Não!"
Olho para o lado, e algo me atinge tão repentinamente quanto as suas lágrimas.
(Tudo se desfaz...)
Deitada no chão, meu corpo dói. Muito. Você se abaixa, me pergunta por que diz que foi estúpido que me ama que eu não me vá que não quer fugir que eu não ouse te deixar agora e penso em dizer te amo te quero que vou lutar que vou sobreviver por Você que nunca vou deixar Você te amo te quero ao meu lado fica comigo sempre. Sempre...
Mas eu guardo tudo para mim. Apenas sussurro "Deixa ser.."
(Tudo se desfaz, então.)
Pela e À Inspiração.
Camille Lyra
sábado, 21 de agosto de 2010
Um Momento de Nós Dois
Quero-te sempre, sempre! - o coração palpita;
Pois, certamente, a alma é preenchida pelo nosso amar;
E a tua luz, invadindo o meu rosto, brilha;
Embriagados imploram por ti os meus olhos-de-mar;
Comovendo-me, o teu corpo e o meu aproximando;
Aos beijos profundos, os teu beijos adoçados;
Mas o teu olhar sobre mim aguardando:
Um toque e as linhas de minha face contornadas;
Teus olhos, teus olhos, tão intensos em minha canção,
Serão as estrelas para o nosso luar surreal;
Quando em teu abraço eu me deito, então,
O tempo rende-se, teu e meu, imortal;
A harmonia toca para cada sentimento;
Cada batida em teu peito, o suspirar
Ilustrando o ritmo utópico deste momento;
Eu subexisto, você ascende;
Em sua plenitude o sonho agora e,
Se esta finda eternidade vir a falecer,
Ainda contigo eu irei permanecer.
Pois, certamente, a alma é preenchida pelo nosso amar;
E a tua luz, invadindo o meu rosto, brilha;
Embriagados imploram por ti os meus olhos-de-mar;
Comovendo-me, o teu corpo e o meu aproximando;
Aos beijos profundos, os teu beijos adoçados;
Mas o teu olhar sobre mim aguardando:
Um toque e as linhas de minha face contornadas;
Teus olhos, teus olhos, tão intensos em minha canção,
Serão as estrelas para o nosso luar surreal;
Quando em teu abraço eu me deito, então,
O tempo rende-se, teu e meu, imortal;
A harmonia toca para cada sentimento;
Cada batida em teu peito, o suspirar
Ilustrando o ritmo utópico deste momento;
Eu subexisto, você ascende;
Em sua plenitude o sonho agora e,
Se esta finda eternidade vir a falecer,
Ainda contigo eu irei permanecer.
Por Camille Lyra - 2008
terça-feira, 6 de julho de 2010
Despedida
Você, eu te amo. Mais que tudo, tudo mesmo.
- Não vê ? Por você eu me contradigo, me desfaço por inteiro. Por você eu me reconstruo para ser o que você bem quiser de mim....
Cada lágrima, cada uma passa ardendo em meu rosto agora, mas eu não me arrependo delas. Cada uma delas insiste em amar você, em um silêncio solene e muito sóbrio, cientes de que persistir é a única opção: para fazerem valer a genuidade do olhar onde nasceram, e para moldar seus ideais na face que percorrem.
A dor de te perder é também a força que me impulsiona a te reconquistar, e então conquistar o mundo, para você e para mim. O Amor não está além da paixão, sublime e passageira ? Então me permito amar você, fazer passar o tempo - maldito tempo - enquanto eu persisto todos os dias decidindo viver de um amor devoto e sem-fim, assim, de uma intensidade insondável e um tanto secreta - você vai se esquecer de mim.
Mas como o Criador pode negar algo assim ? Ele que é Pai de todos e nosso Pai, que ensinou que amar é dar a vida - e que quase nunca significa morrer -, é dar a vida. Eu, então, dou a minha vida a você, Você. Seja lá o que isso for.
- Faço assim: espero. Mas espero sonhando com o dia em que o Autor desse livro, livro chamado Vida, há de nos conceder um ao outro, como conquista depois das milhas em um Amor percorridas, com perseverança. Isto é, se eu ainda for quem você quer ao seu lado.
Mas sua correspondência, no fim, pouco me importará. É que o Amor chega a um ponto, insano momento, em que esse é independente do outro. Sim, meu coração há de caminhar sem seus braços equilibrando-o um dia, depois que eu for. Entendo que também é preciso que ele caminhe sozinho para perder o medo de perder e ficar mais forte, para durar para sempre, para você, Você.
Então, adeus...
- Não vê ? Por você eu me contradigo, me desfaço por inteiro. Por você eu me reconstruo para ser o que você bem quiser de mim....
Cada lágrima, cada uma passa ardendo em meu rosto agora, mas eu não me arrependo delas. Cada uma delas insiste em amar você, em um silêncio solene e muito sóbrio, cientes de que persistir é a única opção: para fazerem valer a genuidade do olhar onde nasceram, e para moldar seus ideais na face que percorrem.
A dor de te perder é também a força que me impulsiona a te reconquistar, e então conquistar o mundo, para você e para mim. O Amor não está além da paixão, sublime e passageira ? Então me permito amar você, fazer passar o tempo - maldito tempo - enquanto eu persisto todos os dias decidindo viver de um amor devoto e sem-fim, assim, de uma intensidade insondável e um tanto secreta - você vai se esquecer de mim.
Mas como o Criador pode negar algo assim ? Ele que é Pai de todos e nosso Pai, que ensinou que amar é dar a vida - e que quase nunca significa morrer -, é dar a vida. Eu, então, dou a minha vida a você, Você. Seja lá o que isso for.
- Faço assim: espero. Mas espero sonhando com o dia em que o Autor desse livro, livro chamado Vida, há de nos conceder um ao outro, como conquista depois das milhas em um Amor percorridas, com perseverança. Isto é, se eu ainda for quem você quer ao seu lado.
Mas sua correspondência, no fim, pouco me importará. É que o Amor chega a um ponto, insano momento, em que esse é independente do outro. Sim, meu coração há de caminhar sem seus braços equilibrando-o um dia, depois que eu for. Entendo que também é preciso que ele caminhe sozinho para perder o medo de perder e ficar mais forte, para durar para sempre, para você, Você.
Então, adeus...
terça-feira, 8 de junho de 2010
A camisa que você deixou aqui,
talvez só para ter esta certeza. A certeza de que eu nunca iria esquecer que você foi embora. Você mentiu. Disse que iria voltar... você nunca pretendeu voltar.Mas você precisava ao menos tentar se tornar uma parte em minha vida; porque você entendia que partes são partes e, quando passam, formam um Todo maior. ( Você nunca quis assumir todas as responsabilidades, Amor. E eu me sinto bem, é verdade, assumindo-as com ou para você.) Só que você sempre foi Tudo, nunca uma parte.
O seu perfume, aquele com o qual você impregnou a camisa, eu sei, foi para fazer lembrar de como foi perfeito o teu corpo e o meu, aproximando... tem o cheiro do nosso amor nas noites mais longas. Pelo menos enquanto distante, você quis ter a certeza de que eu sorriria uma vez ou outra, com tal lembrança. Obrigada, Querido.
Você sabia que eu a guardaria naquele canto, onde você escondeu a aliança, e também os chocolates, bilhetinhos, presentes. A verdade é que o que eu queria mesmo era você e nada, nada mais me faltaria.
E eu sei também, você quase pode contar as noites em claro que eu passaria esfregando-a em meu rosto (como se uma camisa pudesse suprir o afago das tuas mãos em minha face). Ah, e é claro que foi absolutamente previsível pra você que o único líquido que a alcançaria seria aquele salgado, o das minhas lágrimas angustiadas.
Você nunca subestimou o meu amor devoto por você, isso não. Mesmo sem compreender, sabia do medo que eu tinha de te perder. Você sabia que esse era o meu único medo.
- Então, por quê?
Por que não disse logo que era o fim? Teria me poupado tempo. Não adianta, meu Amor, as escolhas são inevitáveis, vão muito além dos anos (eu escolhi você, o problema é meu. A dor e o erro poderiam ter sido só meus, e ponto final.). O tempo não me fez esquecer, se foi isso que você tinha planejado, não.
Mas o tempo me transformou sim, não em alguém melhor ou pior (não importa, realmente, desde que eu fosse sem você), ele fez de mim a expressão viva da falta que você me faz. Eu sou o significado da ausência.
A propósito, ausência não é esquecimento, nem sequer crescimento algum, você se enganou, meu querido. Ausência (mais que a dor, a miséria e vazio - nessa ordem) é a loucura. Loucura que dissolve a sanidade dia e noite, sem cessar.
Saiba então, que você estava certo em quase tudo; e sim, eu te amo mais a cada novo agora. E, por desacreditar dessa, a melhor (ou pior) certeza de todas, é que você não pode prever: eu quis te livrar de ser Tudo (se eu me tornasse uma parte do nada, e passasse; então não haveria mais culpa pela minha dor)...
Meu amado, o fim que você não pode dar à nossa história, eu o faço por você:
"A camisa que você deixou, aqui ficou, machada da cor vermelha do meu insano amor ..."
terça-feira, 25 de maio de 2010
Anjo Perfeito
Com um sorriso,
O brilho nos olhos,
Na face, o perfume somente.
Plena alegria, contagia
Você
Mais uma aventura,
Partindo do que não se pode ver,
Aos tesouros emaranhados
Pelos sonhos e pensamentos ébrios:
Você
Magia, contagia,
Ar para respirar,
Traz-me a fantasia...
Você
O brilho nos olhos,
Aurora tão natural...
Tão desejável,
Você
Um só sorriso,
Maior que as estrelas.
Plena alegria, contagia;
Você
Melhor que as estrelas,
O Anjo perfeito...
Tão desejável ar que respiro!
Você
Minha única aventura,
Tanta magia, toda a fantasia.
Pleno sonho, o pensamento ébrio,
Você, Anjo.
Por Camille Lyra
quinta-feira, 13 de maio de 2010
abstinência
Há tanta dor na ausência. Há o desgaste da impaciência:
A incerteza, o desaprender, o incompreeder...
Would you? And what if I begged, while this silence still, just to hear you say no?
A saudade é o avançar das ondas, em vão.
Não quero falar, não quero pensar: nada mais importa; tudo que eu quero é você!
A incerteza, o desaprender, o incompreeder...
Would you? And what if I begged, while this silence still, just to hear you say no?
A saudade é o avançar das ondas, em vão.
Não quero falar, não quero pensar: nada mais importa; tudo que eu quero é você!
Dedicatórias dispensáveis....
Por Camille Lyra
Dedico, também, ao Betinho, que achou nesse texto letras que são palavra apenas para poucos...
Dedico, também, ao Betinho, que achou nesse texto letras que são palavra apenas para poucos...
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Do Coração
Como se ela fosse majestade, ele se curva;
Sua mão estendida para pedir uma dança ao cair da lua;
Como se ele só fosse todo o ar do mundo, ela arqueja;
Seu corpo, guiado por ele, cede em função de todo desejo;
Como se ela fosse toda realidade, ele acredita;
Rebusca seus passos, querendo integrar-se à sua perfeição;
Como se ele fosse a plenitude, sente sua essência;
Arremessando-se nos braços dele, são totalmente seus;
Como se o horizonte não separasse céu e mar;
Dos dois o Tudo é um só: a imensidão de amor;
Estrelas azuis para o sorriso dela,
Cometas perdidos para os olhos dele,
Esquecem-se do Sol: tanta luz, tanta paixão;
A dança, maior que o Universo;
Todo movimento, exalando seu sabor;
E, ao exímio desabrochar, a satisfação
Cantando aos pensamentos, é a paixão, todo esse ardor;
Mas e o Tempo, tão pequeno,
tramando ser eterno a ...
Sua mão estendida para pedir uma dança ao cair da lua;
Como se ele só fosse todo o ar do mundo, ela arqueja;
Seu corpo, guiado por ele, cede em função de todo desejo;
Como se ela fosse toda realidade, ele acredita;
Rebusca seus passos, querendo integrar-se à sua perfeição;
Como se ele fosse a plenitude, sente sua essência;
Arremessando-se nos braços dele, são totalmente seus;
Como se o horizonte não separasse céu e mar;
Dos dois o Tudo é um só: a imensidão de amor;
Estrelas azuis para o sorriso dela,
Cometas perdidos para os olhos dele,
Esquecem-se do Sol: tanta luz, tanta paixão;
A dança, maior que o Universo;
Todo movimento, exalando seu sabor;
E, ao exímio desabrochar, a satisfação
Cantando aos pensamentos, é a paixão, todo esse ardor;
Mas e o Tempo, tão pequeno,
tramando ser eterno a ...
Por Camille Lyra
Obrigada, meu Coração...
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Quem sou eu
- Camille Lyra
- Camille Lyra. O nome fala muito da feição, tanto na sua significância quanto na sua origem; já o sobrenome faz jus à escrita predileta da autora. Sempre curiosa demais, sonhadora demais, ambiciosa demais, romântica demais, intensa demais. E, daquilo que exceder tudo isso, faço poesia.