Você me surpreende!
Num dia de chuva, de repente, brilha o Sol:
Seu jeito lindo me chama, me leva pela mão...
Você me interessa.
Existe um azul, profundo do mar, em que eu quero mergulhar....
Há no seu sorriso qualquer brilho tal como o infinito.
Você me fascina!
Vejo todas as cores em um imenso pôr-do-sol:
Tudo, de repente, me faz sorrir...
Você me encanta...!
Há uma sinfonia feita de Lua e estrelas, e brilha no seu olhar:
Sh! - me pego pensando, sem querer, talvez...
Entre, leia e ouça-me...
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Das Páginas do Meu Diário
Eu não sou um livro em branco. Tenho essas dezoito páginas rabiscadas, escrevinhadas, improvisadas, redigidas. A minha caligrafia poucas vezes adorna o papel. Sou humana e na vida real não existe liquid-paiper. Apesar disso, minhas humildes 18 páginas têm histórias para contar.
Algumas páginas estão manchadas de tristeza. Eu chamo essas manchas de lágrimas, há quem chame de silêncio e há quem chame de esquecimento. Há também aqueles que passam a escrever por cima desses borrões no texto, uma pena. É possível até que por cima haja um belo desenho, mas o autor nunca se esquecerá que seu bonito desenho está a esconder uma tristeza.
Eu prefiro dar às lágrimas o seu espaço. Vão, distorçam a tinta que vocês tiverem que distorcer. Ainda assim, fui eu quem escrevi. Cada uma dessas manchas me ensina que a dor existe para (de)lapidar a alma. Façam, pois, o que têm que fazer: firam, despedacem, manchem-me as belas palavras. Apenas terminem logo com isso. Há de restar um pedaço de alma aqui e ali. Um dia, eu costumo dizer, essa alma restante será um diamante. Um daqueles que brilham lá no céu.
Eu sempre amei o céu à noite. Sou apaixonada pela Lua, chamo-lhe de Cheshire, porque me apaixonei pelo seu sorriso. Penso nela como esse grande gato gordo e sinto-me numa encruzilhada qualquer no País das Maravilhas. Sua dona, a Rainha de Copas, bem me disse que não se pode conquistar nada com lágrimas. Nada de formar, pois, lagoas com a tristeza. Sábio conselho.
É por isso que não guardo mágoas e procuro não afogar todos com o meu chororô. O rancor é, no entanto, mais como um oceano que se forma, tempestuoso, e cujas tormentas afogam tudo que há pela frente. Quanto amor já não morreu afogado por aí? Que crime terrível seria matar afogada tanta vida que ainda há!
Há também os medos, que me fazem chorar, mas os quais enfrento quando preciso. Há muitas criaturas medonhas pelos bosques e, à noite, os fantasmas surgem. As bruxas más do Leste e Oeste vêm para desenhar, marcar e tatuar as minhas páginas, e preciso enfrentá-las, quem escreve a minha história sou eu, não elas! Se tenho medo? Claro! Mas não existem corajosos que não tenham medo nas histórias da vida real. Aliás, não há heróis na vida real, há apenas um espantalho, um homem de lata e um leão covarde que eventualmente ajudam-me pelas estradas de tijolos amarelos.
Algumas páginas estão manchadas de tristeza. Eu chamo essas manchas de lágrimas, há quem chame de silêncio e há quem chame de esquecimento. Há também aqueles que passam a escrever por cima desses borrões no texto, uma pena. É possível até que por cima haja um belo desenho, mas o autor nunca se esquecerá que seu bonito desenho está a esconder uma tristeza.
Eu prefiro dar às lágrimas o seu espaço. Vão, distorçam a tinta que vocês tiverem que distorcer. Ainda assim, fui eu quem escrevi. Cada uma dessas manchas me ensina que a dor existe para (de)lapidar a alma. Façam, pois, o que têm que fazer: firam, despedacem, manchem-me as belas palavras. Apenas terminem logo com isso. Há de restar um pedaço de alma aqui e ali. Um dia, eu costumo dizer, essa alma restante será um diamante. Um daqueles que brilham lá no céu.
Eu sempre amei o céu à noite. Sou apaixonada pela Lua, chamo-lhe de Cheshire, porque me apaixonei pelo seu sorriso. Penso nela como esse grande gato gordo e sinto-me numa encruzilhada qualquer no País das Maravilhas. Sua dona, a Rainha de Copas, bem me disse que não se pode conquistar nada com lágrimas. Nada de formar, pois, lagoas com a tristeza. Sábio conselho.
É por isso que não guardo mágoas e procuro não afogar todos com o meu chororô. O rancor é, no entanto, mais como um oceano que se forma, tempestuoso, e cujas tormentas afogam tudo que há pela frente. Quanto amor já não morreu afogado por aí? Que crime terrível seria matar afogada tanta vida que ainda há!
Há também os medos, que me fazem chorar, mas os quais enfrento quando preciso. Há muitas criaturas medonhas pelos bosques e, à noite, os fantasmas surgem. As bruxas más do Leste e Oeste vêm para desenhar, marcar e tatuar as minhas páginas, e preciso enfrentá-las, quem escreve a minha história sou eu, não elas! Se tenho medo? Claro! Mas não existem corajosos que não tenham medo nas histórias da vida real. Aliás, não há heróis na vida real, há apenas um espantalho, um homem de lata e um leão covarde que eventualmente ajudam-me pelas estradas de tijolos amarelos.
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Sobre a Criança
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Dois Castiçais
As velas acesas,
é escuro
o dia passou sorrateiro
Já deve ser tarde, amor
Os olhos velam
um ao outro
brincando, sorrindo
Já é tão sincero, amor
As palavras extasiadas
no silêncio dos olhares acesos,
e não existe nada além de dois
Já é tão verdade, amor
Os olhos conversam
noite adentro,
entretidos, ávidos
Já se faz escasso o tempo, amor
Já é tarde,
os olhos bruxuleiam,
mas não se deixam um segundo:
Deixa apagar tua vela ao lado da minha, amor...
é escuro
o dia passou sorrateiro
Já deve ser tarde, amor
Os olhos velam
um ao outro
brincando, sorrindo
Já é tão sincero, amor
As palavras extasiadas
no silêncio dos olhares acesos,
e não existe nada além de dois
Já é tão verdade, amor
Os olhos conversam
noite adentro,
entretidos, ávidos
Já se faz escasso o tempo, amor
Já é tarde,
os olhos bruxuleiam,
mas não se deixam um segundo:
Deixa apagar tua vela ao lado da minha, amor...
terça-feira, 12 de junho de 2012
A Bela
Estava adormecida,
dormia taciturna
no colo do meu senhor,
um senhor culto, grave
doentio, triste.
Mas hoje, decidi:
deixei seus braços!
deixei-os, juro!
Cansei-me,
Mudei...
E vim até aqui,
porque eu queria dizer
que dizer, simplesmente,
não é simples:
É trançar os cabelos
da tonta Psiquê,
- comporte-se, mocinha -
pra você.
Rasguei o meu silêncio,
porque queria mostrar
tanta coisa
que vi
que sonhei
que amei....
Leitor,
tão caro leitor...
saí do silêncio, você me acordou...
dormia taciturna
no colo do meu senhor,
um senhor culto, grave
doentio, triste.
Mas hoje, decidi:
deixei seus braços!
deixei-os, juro!
Cansei-me,
Mudei...
E vim até aqui,
porque eu queria dizer
que dizer, simplesmente,
não é simples:
É trançar os cabelos
da tonta Psiquê,
- comporte-se, mocinha -
pra você.
Rasguei o meu silêncio,
porque queria mostrar
tanta coisa
que vi
que sonhei
que amei....
Leitor,
tão caro leitor...
saí do silêncio, você me acordou...
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Dos Meus Namorados
Hoje acordei com vontade de contar um segredo. Promete guardá-lo? Não conte a ninguém, tá? Tá! Há muito que venho escondendo um-e-depois-mais-outro-e-mais-outro dentro do quarto no armário, nas gavetas, nas estantes, dentro do travesseiro... e agora são tantos que não posso mais os controlar! Vez por outra deixo sem querer algum escapulir e sair aprontando pirracento por aí, só porque não o apresentei a ninguém. Está bem, está bem, eu conto! Sou uma mulher poliandra. Quê? Poliana? Poliandra!
Tenho mesmo muitos muitos namorados! E, aham, eles sabem tudo! Tudinho? Tudinhozinho! Zin-zin? Zin-zin-zin! Oras, como alguém como muá, una amante impetuosa de las cosas hermosas, poderia escolher dentre todos eles só um? Pas possible!
Mes petit amis são verdadeiros sedutores, de um charme peculiar e venenoso. São verdadeiros magos perversos, sempre se divertindo às custas da minha ingênua, coitadinha dela, lucidez. Eles me enlouquecem, me vencem pela paixão, pelo desejo, pela vontade de ser e de acontecer e... ahhhhhh, mes amoureux magnifiques! Estou perdida e irremediavelmente apaixonada por eles, os meus pensamentos, ideias encantadoras!
Quando esses genuínos príncipes ainda persistem fielmente em me acompanhar pelas esquinas e até a porta, então, pronto: c'est l'amour! Dou-me a preparar cerimoniosamente nosso ninho, provido de lápis, borracha, caneta e, claro, um caderno romântico, em que possamos desflorar os prazeres mais imensos e mais irresistíveis da carne durante fins de tarde intermináveis de cocktail parties for two, e às noites estreladas e cheias-de-lua, como dois foras-da-lei secretamente amando em cima do telhado, e ainda, para os mais vorazes, tenras manhãs de carícias e cantos etéreos...
Enfim, eu acabo por estar eternamente enamorada depois disso. Meus pensamentos ciumentos arrajaram esse meio de garantirem que eu nunca os esqueça, this foxy cunning tiny little creatures o' mine. Daí sugem os textos, os retratos, as provas concretas de que a libertina Psiquê anda a se divertir por aí com todas as ideias e todos os pensamentos que lhe dão na telha.
Leitor, namorados; namorados, leitor. Devidamente apresentados, enfim. Oras, vejam só as coisas loucas que esses meninos me fazem contar! Está melhor agora, meus amores? Não? Acho bom! Agora comportem-se e vamos me ajudar com o próximo post, por favor.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Do Esquecimento
- Por que escreves?
- Escrevo para esquecer.
- Até quando vais falar de mim ainda, então?
- Serás em meus escritos até que eu possa cercear o oceano - que enxergo, simplesmente - com linhas que, pouco a pouco, desenharão teus contornos; enfim, até que eu componha uma imagem humana livre das peripécias da engenhosa menina Psiquê.
Não haverá profundidade, posto que serás um homem qualquer, cuja alma apática não será mais amada por mim - que mergulho somente quando me espicaça o desejo -. Tu me sorrirás frio e sujo, mas desmistificado; guardarei de ti somente amor fati, e te sorrirei também.
Não haverá mais cicatrizes que eu veja em tua face, não serei mais grata, pela tua vida, a deuses que tu desprezas. Serás uma notícia fortuita apenas, um evento qualquer feito da vontade de potência, tal qual uma combinação niilista do cosmos, fria e suja, mas desmistificada.
Serás, um dia, uma sombra vagando omissa e desnorteada em minha memória, até que as palavras te puxem pela mão, e que tu passes diante de mim como um vulto enegrecido a se distanciar, e a levar consigo, frio e sujo, lembranças desmistificadas.
Verei, então, uma forma humana lá longe, no horizonte, sobre a qual escrevo desmistificadamente, sem saber sequer seu nome. Ouvi dizer que era humano demais. Ouvi dizer que estava ferido. Ouvi dizer que foi amado demais. Ouvi dizer que era profundo. Ouvi dizer que tinha olhos verdes. Ouvi dizer que era bonito, muito bonito.
Mas eu não sei.
- Escrevo para esquecer.
- Até quando vais falar de mim ainda, então?
- Serás em meus escritos até que eu possa cercear o oceano - que enxergo, simplesmente - com linhas que, pouco a pouco, desenharão teus contornos; enfim, até que eu componha uma imagem humana livre das peripécias da engenhosa menina Psiquê.
Não haverá profundidade, posto que serás um homem qualquer, cuja alma apática não será mais amada por mim - que mergulho somente quando me espicaça o desejo -. Tu me sorrirás frio e sujo, mas desmistificado; guardarei de ti somente amor fati, e te sorrirei também.
Não haverá mais cicatrizes que eu veja em tua face, não serei mais grata, pela tua vida, a deuses que tu desprezas. Serás uma notícia fortuita apenas, um evento qualquer feito da vontade de potência, tal qual uma combinação niilista do cosmos, fria e suja, mas desmistificada.
Serás, um dia, uma sombra vagando omissa e desnorteada em minha memória, até que as palavras te puxem pela mão, e que tu passes diante de mim como um vulto enegrecido a se distanciar, e a levar consigo, frio e sujo, lembranças desmistificadas.
Verei, então, uma forma humana lá longe, no horizonte, sobre a qual escrevo desmistificadamente, sem saber sequer seu nome. Ouvi dizer que era humano demais. Ouvi dizer que estava ferido. Ouvi dizer que foi amado demais. Ouvi dizer que era profundo. Ouvi dizer que tinha olhos verdes. Ouvi dizer que era bonito, muito bonito.
Mas eu não sei.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Da Inércia
Onde está a lira e sua poetiza?
E o querer? O desejo? O anseio?
A avidez? A paixão?
A intensidade? A imensidão?
Onde há de se saber a beleza irremediável de ser?
No amor? Na sabedoria?
Na comunhão? Na solitude?
No bulício? No silêncio?
Na saudade? Na esperança?
Na caridade? No asco?
Na honra? Na perda?
Na justiça? Na conquista?
No sorriso? Na lágrima?
Nas revoluções? Nos descaminhos?
Nas diligências? Nos caminhos?
Nos alfas? Nos ômegas?
Na simplicidade do tempo?
Na plenitude do tempo?
Na eternidade do tempo?
Na permanência da memória?
Na bebê frágil e seus passinhos determinados?
Na menina dócil e suas borboletinhas coloridas?
Na moça de face rubra e seus amores castos?
Na mulher virtuosa e seus feitos grandiosos?
Na senhora sábia e suas palavras exatas?
Na morte branda e naqueles que remanescem?
Quem pode salvaguardar uma vida inteira no ventre para sempre?
Quem é que encontrou a vida órfã numa cesta aguardando à porta?
E o que ou quem há de saciar a inquietude humana?
O que há para curar esse vazio lancinante no peito?
O que há de ser da ciência indesculpável de sermos, simplesmente?
Como refrearemos o amor abundando apaixonado em nossas veias?
Como impediremos a angústia de correr ácida em nossas artérias?
Como vedaremos o peito da infecção?
Como aniquilaremos aquilo que somos em essência?
Como nos desvencilhar de nossa matéria prima?
O que seríamos nós senão humanos?
O que seria de nós senão a humanidade?
O que seria a vida em nós senão a consciência humana?
O que seria, então, a beleza em nós senão a própria vida?
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Das Borboletas
Tanto.
Eu te amo muito.
Sempre.
Meu coração infindo.
Mas estas borboletas
E seus pousos breves...
Mais breves que uma vida inteira!
Sobre a vida brevemente inteira:
A breve borboleta no ombro,
A vida, inteiramente, nas mãos.
E o valor no pouso da borboleta:
Sempre e tanto,
Amarmos inteiros pela vida breve.
Eu te amo muito.
Sempre.
Meu coração infindo.
Mas estas borboletas
E seus pousos breves...
Mais breves que uma vida inteira!
Sobre a vida brevemente inteira:
A breve borboleta no ombro,
A vida, inteiramente, nas mãos.
E o valor no pouso da borboleta:
Sempre e tanto,
Amarmos inteiros pela vida breve.
domingo, 9 de outubro de 2011
Meu
Não irei chamar-te diário, pois esse nome não fará juz ao que és, de fato. Veja bem, não é que não mereças ser visitado assim, tão amiúde, todo papel em branco é digno de ser escrito sempre. É a minha alma que, mui pequenina, esboça ainda as primeiras sílabas, ainda não entende de rimas, ainda dedilha pouco os versos pela lira, ainda canta acanhada e em raros dias. Peço, no entanto, que me concedas sempre a mão para dançar comigo ao som de minh'alminha melódica.
Não chamarei teu nome como amigo, porque não me tocarás o rosto para me dizer 'está tudo bem', não virás abraçar-me em consolo, nem irás amar-me incircunstancialmente. Um dia, também, eu não poderei estar contigo, contudo, serás por mim querido, e te guardarei e te cuidarei com zelo, como com nenhum outro livro, nenhum outro escrito.
Clamarei, porém, em prantos por teus confortos em minhas aflições, e serás silêncio mudo. Cantarei, também, como os pássaros poesias em altíssono, mas serás em meus cantos silêncio pacífico.
Silêncio este que tu deixarás tatuado em meu peito exausto, amargurado às noites nubladas. Esse silêncio que escorrerá do meu coração selado em gotas de sangue, do qual, como se soasse a badalada última, ouvirás o pulsar débil em meu seio. Aguardarás o suspiro próximo do fim: a espera, pelo tempo de uma vida inteira - latentes, retornariam o gozo e a angústia, a força e o medo, a paixão e o ódio, a dor e a indiferença, os desejos e as privações e o amor, sublime, em um segundo-. Quando, enfim, o singelo levantar do peito vier e, em meu sopro gelado de morte, for levada nos braços eternamente a esperança, pelo tempo do fim de uma vida inteira. Então, esse silêncio. Esse silêncio imensamente.
Até termos, eu juro, a alma rasgada, esquecida, carbonizada, trocaremos silêncios. Esse silêncio das palavras redigidas, com que canto. O silêncio das questões arraigadas em meus ditos, e o silêncio das tuas respostas a mim: pois bem, silêncio. Em silêncio querer-te-ei vivo, para me acalentares como amigo - que deveras não és -, mas sempre serás esse silêncio de quando escrevo. Meu silêncio.
Serás Meu, apenas Meu.
terça-feira, 29 de março de 2011
Ritornello
Tan, tan, tan, TAAAAAAN
À NOITE!
A DOR EXCRUCIANTE, VINDA DA ALMA
RASGANDO O PEITO, TOMANDO CONTROLE, marcato:
AS LÁGRIMAS GELADAS, GÉLIDAS, MÓRBIDAS
PINTANDO A FACE, COLORINDO O ROSTO DE PRETO. (DE PRETO...)
ENTÃO, AS LAMENTAÇÕES PESAdas, carregadas, malévolas... (malévolas...)
(angústia...)
(angústia...)
Silêncio.
ROMPENDO O SILÊNCIO, PLANGENDO HARMONIA, legato
SEM RITMO E SEM COR E SEM ALEGRIA E FRAca doída...
staccato, OS GRITOS PUNGENTES, DESESPERADOS, o erguer da batuta.
(Desesperados...)
- AAAAAAAAAAAAAAAI! AAAAAAAi! Aaaai....ai...por quê? por que, meu Deus, por quê? - do Sol ao Dó, da voz ferida ao silêncio, e o silêncio de novo, de novo...
Silêncio.
Silêncio.
Primeiro, a batuta:
A INDIGNAÇÃO VIVA, sussurante, CRÍTICA, IMENSA, INTENSA, ARDENTE!
Então... então... Vem nascendo, tomando, abundando, sarando, curando por dentro!
Depois, legato, RESSURGE ESPERANÇA esperança, esperança! (espero...)
staccato, então, o sorriso brilhante, cintilante, luzente. Luzente... (luzente...)
TRAGANDO, DESTRUINDO escuridão que tomava o coração, meu, meu coração. O coração... (o coração...)
marcato, felicidade... A FELICIDADE vem e DANÇA, tem nome, Aurora, e os sorrisos... SORRISOS
Ah, a felicidade, enfim.... (felicidade...)
(felicidade...)
(felicidade, enfim...)
...A felicidade lenta...
(shhh!)
Retoma a batuta:
Fe, li, ci, da, de:
E infinita, ao lusco-fusco da manhã:
(ah, felicidade...)
(A felicidade, enfim...)
(A felicidade...)
(Felicidade...)
Sussurra:
(a felicidade...)
(felicidade...)
(feli...)
(cida...)
(cidade...)
(fé...)
(shhhhhh)
(sorrisos)
lá vem a grande alvorada:
Silêncio...
(shhhh!)
Silêncio...
(sh...)
Silênco...
(s..)
Silêncio:
(Sorrisos...)
À NOITE!
A DOR EXCRUCIANTE, VINDA DA ALMA
RASGANDO O PEITO, TOMANDO CONTROLE, marcato:
AS LÁGRIMAS GELADAS, GÉLIDAS, MÓRBIDAS
PINTANDO A FACE, COLORINDO O ROSTO DE PRETO. (DE PRETO...)
ENTÃO, AS LAMENTAÇÕES PESAdas, carregadas, malévolas... (malévolas...)
(angústia...)
(angústia...)
Silêncio.
ROMPENDO O SILÊNCIO, PLANGENDO HARMONIA, legato
SEM RITMO E SEM COR E SEM ALEGRIA E FRAca doída...
staccato, OS GRITOS PUNGENTES, DESESPERADOS, o erguer da batuta.
(Desesperados...)
- AAAAAAAAAAAAAAAI! AAAAAAAi! Aaaai....ai...por quê? por que, meu Deus, por quê? - do Sol ao Dó, da voz ferida ao silêncio, e o silêncio de novo, de novo...
Silêncio.
Silêncio.
Primeiro, a batuta:
A INDIGNAÇÃO VIVA, sussurante, CRÍTICA, IMENSA, INTENSA, ARDENTE!
Então... então... Vem nascendo, tomando, abundando, sarando, curando por dentro!
Depois, legato, RESSURGE ESPERANÇA esperança, esperança! (espero...)
staccato, então, o sorriso brilhante, cintilante, luzente. Luzente... (luzente...)
TRAGANDO, DESTRUINDO escuridão que tomava o coração, meu, meu coração. O coração... (o coração...)
marcato, felicidade... A FELICIDADE vem e DANÇA, tem nome, Aurora, e os sorrisos... SORRISOS
Ah, a felicidade, enfim.... (felicidade...)
(felicidade...)
(felicidade, enfim...)
...A felicidade lenta...
(shhh!)
Retoma a batuta:
Fe, li, ci, da, de:
E infinita, ao lusco-fusco da manhã:
(ah, felicidade...)
(A felicidade, enfim...)
(A felicidade...)
(Felicidade...)
Sussurra:
(a felicidade...)
(felicidade...)
(feli...)
(cida...)
(cidade...)
(fé...)
(shhhhhh)
(sorrisos)
lá vem a grande alvorada:
Silêncio...
(shhhh!)
Silêncio...
(sh...)
Silênco...
(s..)
Silêncio:
(Sorrisos...)
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Sobre A Décima Sétima Rosa
Esses dias, vagando por uma rua
Perdi meus olhos numa vitrina.
E deixei-os esquecidos lá, desde então.
Seria somente mais uma outra qualquer,
Como aquela rua antes também não me importaria
Mas é sobre o que a vitrina continha:
-Ah, uma rosa vermelha ela incluía...
Em outro tempo, ela também seria
Vã como a rua, como aquela fortuita vitrina.
Mas se aproximava o dia em que eu sentiria
Falta de uma rosa, talvez tão simples como aquela:
Era a tua rosa, minha flor, era tudo sobre a rosa tua
Ganhara quatorze, quatorze lindas rosas tuas.
Rosas, brancas e amarelas...
A décima quinta seria vermelha, me prometeras.
Pois bem, não mentiras, deveras,
A tua última rosa viera até antecipada.
A tua rosa póstuma, vermelha de sangue, me deixaras...
Então, me delongo, estarrecida, até o dia que se acerca.
Diante da vitrina da rosa como a tua, minha única Flor,
Será apenas mais um dia para lembrar da rosa póstuma,
Aquela que descansou sobre teu rosto florido de alegria celestina,
Uma rosa vermelha, aquela que me arrancou minha Rosa (dos ventos)...
E eu prostrei-me inerte perante as minhas memórias tuas, arraigadas.
Doeu no peito ao lembrar-te assim...(eram minhas as rosas, as rosas tuas...)
Guardo em segredo, porém, as dores e lamúrias:
- Pois, Rosa, eu sei que vês em minha postura o ceder...
É por isso, Flor, que eu choro debaixo da promessa de um fim:
Hoje, desfaleço, sem vigor, definho exausta sobre a terra encharcada
- Eu sei, Flor, prometi ser forte, mas hoje não...
À alvorada, no entanto, verás impetuosa a luz do meu florescer!
Depois do orvalho, então, me reerguerei para os raios de Sol e sorrirei:
Mas não hoje, não sem a tua vermelha rosa...
É que mais um ano se vai em vão,
Porque eu sei que o teu presente não estará sobre a minha mesa...
Como a décima quinta, a sexta e a décima sétima rosa, então.
- Ah, como que eu quis que aquela na vitrina fosse de qualquer outra cor!
Mas vermelho escarlate, não.
Porque era a ela de presente quem eu mais queria...
Perdi meus olhos numa vitrina.
E deixei-os esquecidos lá, desde então.
Seria somente mais uma outra qualquer,
Como aquela rua antes também não me importaria
Mas é sobre o que a vitrina continha:
-Ah, uma rosa vermelha ela incluía...
Em outro tempo, ela também seria
Vã como a rua, como aquela fortuita vitrina.
Mas se aproximava o dia em que eu sentiria
Falta de uma rosa, talvez tão simples como aquela:
Era a tua rosa, minha flor, era tudo sobre a rosa tua
Ganhara quatorze, quatorze lindas rosas tuas.
Rosas, brancas e amarelas...
A décima quinta seria vermelha, me prometeras.
Pois bem, não mentiras, deveras,
A tua última rosa viera até antecipada.
A tua rosa póstuma, vermelha de sangue, me deixaras...
Então, me delongo, estarrecida, até o dia que se acerca.
Diante da vitrina da rosa como a tua, minha única Flor,
Será apenas mais um dia para lembrar da rosa póstuma,
Aquela que descansou sobre teu rosto florido de alegria celestina,
Uma rosa vermelha, aquela que me arrancou minha Rosa (dos ventos)...
E eu prostrei-me inerte perante as minhas memórias tuas, arraigadas.
Doeu no peito ao lembrar-te assim...(eram minhas as rosas, as rosas tuas...)
Guardo em segredo, porém, as dores e lamúrias:
- Pois, Rosa, eu sei que vês em minha postura o ceder...
É por isso, Flor, que eu choro debaixo da promessa de um fim:
Hoje, desfaleço, sem vigor, definho exausta sobre a terra encharcada
- Eu sei, Flor, prometi ser forte, mas hoje não...
À alvorada, no entanto, verás impetuosa a luz do meu florescer!
Depois do orvalho, então, me reerguerei para os raios de Sol e sorrirei:
Mas não hoje, não sem a tua vermelha rosa...
É que mais um ano se vai em vão,
Porque eu sei que o teu presente não estará sobre a minha mesa...
Como a décima quinta, a sexta e a décima sétima rosa, então.
- Ah, como que eu quis que aquela na vitrina fosse de qualquer outra cor!
Mas vermelho escarlate, não.
Porque era a ela de presente quem eu mais queria...
À minha Rosa, aquela diamantina, que brilha intensa, imensa no céu: À Vovó Edy.
Camille Lyra
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
(Des)Enamorados
O amor das palavras
É mentira.
O amor dos apaixonados
É passageiro
O amor de verdade
não cabe em palavras
O amor sincero
não cabe em verdades
O amor genuíno
não cabe junto com a humanidade
que há em mim,
que há em você, meu bem.
Então, o que será de nós?
...ou deixará de ser?
É mentira.
O amor dos apaixonados
É passageiro
O amor de verdade
não cabe em palavras
O amor sincero
não cabe em verdades
O amor genuíno
não cabe junto com a humanidade
que há em mim,
que há em você, meu bem.
Então, o que será de nós?
...ou deixará de ser?
Por Camille Lyra
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Da Brancura
Despertei de noite ao ouvir você chorar. Você ainda estava deitada ali, exatamente onde nos desejamos boa noite. Nós precisávamos que fosse boa, porque o escuro já havia sugado toda força que havia em nossas vidas para acreditar. Acreditar tendo fé. Fé de que a sua dor passaria logo. Fé de que encontraríamos uma cura para toda essa dor perversa que te consumia. Seu corpo tremia, mas você olhava para mim, está tudo bem, eu não me sinto mal, você quase implorou que eu acreditasse. Eu comecei a chorar. Não era justo que fosse você, e não eu. Eu sentia a sua dor como você teria sentido a minha, como você sentiu todas as minhas.
Deitei ao seu lado. Vai ficar tudo bem, você me dizia, você só precisa ter fé, mas eu já não sabia se ainda podia acreditar. O chão estava gelado, eu cobri você com o meu amor machucado, e se eu der um beijinho onde dói? você vai se sentir melhor?, e amei você com o meu cobertor: verdade, eu não estou com frio , pode ficar. Meu coração escorria pelo meu rosto, o frio rude alcançava minha alma e meu sangue quase parava de correr. Não vou deixar você, não vou. Não me deixe também, fica aqui comigo; sussurrei.
Você vinha enxugar as minhas lágrimas com seu pelo. Era o meu pompom alvo, branquinho, de algodão, meu floquinho de neve. Você colocou o focinho sobre o meu pescoço, não chore, eu te amo, segredou. A dor debilitava seus movimentos, mas você, com muito esforço, se aconchegou ao meu lado. Era você que doía,e ainda se compadecia de mim. Tudo doía mais ao perceber que era você quem me consolava. Não é justo com você, e eu não consigo te fazer melhor, não é justo!, você suplicou com os olhos luzentes que eu não sofresse também. Mas como posso eu não sofrer? você também não me deixaria, se eu estivesse doente assim. Você, me enchendo de beijinhos na bochecha, concordou com o que eu disse.
E eu me arrependi.
Me arrependi de cada vez que eu briguei quando você me lambia o rosto. Cada vez que eu briguei quando você roubava meus sapatos por eu não te dar atenção. Me arrependi de quando mandava você parar de latir, agora eu sinto falta do barulho que você fazia. Me arrependi de não ter corrido pela casa com você exatamente todas as vezes que você mordeu meus tornozelos, me chamando para brincar de pique-pega. Sinto falta de você correndo pela casa. Sinto falta da companhia que eu tinha para caminhar na rua, entretida com meus pensamentos distantes. Você alcançava todos eles. Sinto falta de você para segredar meus segredos mais secretos. Sinto falta da vida com que você iluminava essa casa. Sinto falta da alegria que você iluminava em mim. Sinto sua falta, minha única, minha verdadeira melhor amiga.
Sabe, era uma tarde de Dezembro e eu estava brincando no meu quarto, já estava de férias da escola. Nesse dia, vovó tinha me dito que nós iríamos receber uma visitante, viria de mala e cuia, e iria ficar por um tempo morando conosco. A mamãe chegou mais cedo, a campanhia gritou e eu saí correndo para falar com ela para descobrir quem era essa tal visitante misteriosa. Vovó abriu a porta e mamãe apareceu com uma caixa de papelão enorme. Surpresa!, ela e vovó sorriram para mim. Eu não tinha entendido nada, fiquei curiosa, quis saber o que tinha naquela caixa. Corri para olhar para dentro dela e foi quando eu e você nos vimos pela primeira vez.
Você era pequena demais para aquela caixa monstruosa. Você era o meu presente de Natal pequeno e assustado. Quer ser minha amiga?, você me lambeu e eu passei a amar você. Com um beijinho você me conquistou. Um beijinho de amor.
Qual vai ser o nome dela, mãe? Não sei, filha, você quem escolhe. Pode ser Bianca, mãe?, porque me lembra branca.... Por que não Bia, filha ?, disse papai que tinha entrado pela porta depois da grande surpresa, combina mais com ela. Vovó mesma gravou depois Bia na sua coleirinha vermelha. Mas a gente sempre soube que Bia é de Bianca, claro. E Bianca porque você é Branca. Pura.
Você, o meu algodão de amor alvo, permanecia ali a me ouvir tagarelar. Você tinha toda a paciência do mundo. Você sempre me respondia com lambidas quando eu deitava ao seu lado chorando problemas, medos e angústias. Você ali era a mesma, esperando por mim todo tempo do mundo.Você sempre cuidou mais de mim do que eu de você. Sempre.
Você deixou escapar, então, um olhar lânguido, você estava cedendo à dor. Peguei sua pata. Você ma estendia, para que eu não ficasse com medo vendo você sofrer. Por favor, Deus, não deixe ela morrer!, eu chorei aflita. Era o temor frente à possibilidade de te perder pra sempre. Não. Ainda não posso suportar isso. Ainda é cedo demais... fica comigo, não vá! você é a minha melhor amiga, não é? então fica! ah, céus! como sou egoísta.. não é justo com você.. por favor, não deixe que ela sofra, Pai, por favor! se você pode me ouvir daí, por favor, me ajuda a ter fé de que vai ficar tudo bem, por favor!, eu clamei, num pranto agonizante.
Eu e você passamos, juntas como sempre, mais uma noite ali, deitadas no chão frio. O seu choro era o meu choro, a sua dor, a minha também. Éramos eu e você. Nós duas. Uma amizade só. Que seria para sempre. Independente da dor. Independente do tempo. Independente das falhas. Para sempre, Bia.
Deitei ao seu lado. Vai ficar tudo bem, você me dizia, você só precisa ter fé, mas eu já não sabia se ainda podia acreditar. O chão estava gelado, eu cobri você com o meu amor machucado, e se eu der um beijinho onde dói? você vai se sentir melhor?, e amei você com o meu cobertor: verdade, eu não estou com frio , pode ficar. Meu coração escorria pelo meu rosto, o frio rude alcançava minha alma e meu sangue quase parava de correr. Não vou deixar você, não vou. Não me deixe também, fica aqui comigo; sussurrei.
Você vinha enxugar as minhas lágrimas com seu pelo. Era o meu pompom alvo, branquinho, de algodão, meu floquinho de neve. Você colocou o focinho sobre o meu pescoço, não chore, eu te amo, segredou. A dor debilitava seus movimentos, mas você, com muito esforço, se aconchegou ao meu lado. Era você que doía,e ainda se compadecia de mim. Tudo doía mais ao perceber que era você quem me consolava. Não é justo com você, e eu não consigo te fazer melhor, não é justo!, você suplicou com os olhos luzentes que eu não sofresse também. Mas como posso eu não sofrer? você também não me deixaria, se eu estivesse doente assim. Você, me enchendo de beijinhos na bochecha, concordou com o que eu disse.
E eu me arrependi.
Me arrependi de cada vez que eu briguei quando você me lambia o rosto. Cada vez que eu briguei quando você roubava meus sapatos por eu não te dar atenção. Me arrependi de quando mandava você parar de latir, agora eu sinto falta do barulho que você fazia. Me arrependi de não ter corrido pela casa com você exatamente todas as vezes que você mordeu meus tornozelos, me chamando para brincar de pique-pega. Sinto falta de você correndo pela casa. Sinto falta da companhia que eu tinha para caminhar na rua, entretida com meus pensamentos distantes. Você alcançava todos eles. Sinto falta de você para segredar meus segredos mais secretos. Sinto falta da vida com que você iluminava essa casa. Sinto falta da alegria que você iluminava em mim. Sinto sua falta, minha única, minha verdadeira melhor amiga.
Sabe, era uma tarde de Dezembro e eu estava brincando no meu quarto, já estava de férias da escola. Nesse dia, vovó tinha me dito que nós iríamos receber uma visitante, viria de mala e cuia, e iria ficar por um tempo morando conosco. A mamãe chegou mais cedo, a campanhia gritou e eu saí correndo para falar com ela para descobrir quem era essa tal visitante misteriosa. Vovó abriu a porta e mamãe apareceu com uma caixa de papelão enorme. Surpresa!, ela e vovó sorriram para mim. Eu não tinha entendido nada, fiquei curiosa, quis saber o que tinha naquela caixa. Corri para olhar para dentro dela e foi quando eu e você nos vimos pela primeira vez.
Você era pequena demais para aquela caixa monstruosa. Você era o meu presente de Natal pequeno e assustado. Quer ser minha amiga?, você me lambeu e eu passei a amar você. Com um beijinho você me conquistou. Um beijinho de amor.
Qual vai ser o nome dela, mãe? Não sei, filha, você quem escolhe. Pode ser Bianca, mãe?, porque me lembra branca.... Por que não Bia, filha ?, disse papai que tinha entrado pela porta depois da grande surpresa, combina mais com ela. Vovó mesma gravou depois Bia na sua coleirinha vermelha. Mas a gente sempre soube que Bia é de Bianca, claro. E Bianca porque você é Branca. Pura.
Você, o meu algodão de amor alvo, permanecia ali a me ouvir tagarelar. Você tinha toda a paciência do mundo. Você sempre me respondia com lambidas quando eu deitava ao seu lado chorando problemas, medos e angústias. Você ali era a mesma, esperando por mim todo tempo do mundo.Você sempre cuidou mais de mim do que eu de você. Sempre.
Você deixou escapar, então, um olhar lânguido, você estava cedendo à dor. Peguei sua pata. Você ma estendia, para que eu não ficasse com medo vendo você sofrer. Por favor, Deus, não deixe ela morrer!, eu chorei aflita. Era o temor frente à possibilidade de te perder pra sempre. Não. Ainda não posso suportar isso. Ainda é cedo demais... fica comigo, não vá! você é a minha melhor amiga, não é? então fica! ah, céus! como sou egoísta.. não é justo com você.. por favor, não deixe que ela sofra, Pai, por favor! se você pode me ouvir daí, por favor, me ajuda a ter fé de que vai ficar tudo bem, por favor!, eu clamei, num pranto agonizante.
Eu e você passamos, juntas como sempre, mais uma noite ali, deitadas no chão frio. O seu choro era o meu choro, a sua dor, a minha também. Éramos eu e você. Nós duas. Uma amizade só. Que seria para sempre. Independente da dor. Independente do tempo. Independente das falhas. Para sempre, Bia.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Réveiller
Eu estava pronta para o início dos fogos. Houve sorrisos, lágrimas, celebrações, decepções, melancolias, força, honra, alegria, tristeza, fidelidade e traições, amizades e vínculos, que se quebraram, que nasceram. E tudo mais que se deve encontrar pelo caminho. Tudo tinha me trazido pela mão até aqui. Então, eu olhava para cima. O céu era nublado, o dia tinha sido chuvoso. Faltava um minuto para meia noite. Foi quando o primeiro risco rasgou o céu com um rastro branco de purpurina. O azul escuro cintilou.
De repente, a noite ficou clara, ia ficando clara como o dia, sem que houvesse Sol, e, então, o infinito tornou-se totalmente branco. Branco, tudo ficara brando. Silêncio. Não ouvi uma voz sequer das pessoas que estavam comigo. Talvez ninguém tivesse nada a acrescentar à imensidão formada diante dos olhos humanos, pequenos. Talvez eu estivesse ficando louca. Completamente louca.
Logo, no centro do meu campo de visão, pude ver um pequeno ponto preto. Esse ponto, então, tornou-se um pouco maior, formava um círculo de diâmetro próximo ao de uma bola de basquete. O buraco, no meio daquela cortina branca, também não era mais preto. Era azul-marinho.
Eu fiquei observando aquela bola de basquete alienígena que ocupava o lugar dos fogos. O que será que... ?
Foi quando surgiu um clarão, juntamente com um vento muito forte que lançou-me no chão. Quando me levantei e olhei novamente, era como se o chão abaixo de mim começasse a subir. Olhei pra baixo e vi que o resto do chão ficava cada vez mais distante. Mais alto... foi quando cheguei a uma determinada altura, tão grande, que eu tinha medo de olhar pra cima. Também tinha medo de olha pra baixo. Tinha medo de perder o equilíbrio e cair.
Tentei o que pude para me equilibrar, mas aquele vento forte soprou novamente e eu fui arrebatada do pedaço de chão que antes me sustentava. Fechei os olhos, sabia que seria o fim.
Puf! Eu tinha caído em algo fofo. A textura era como se fosse um monte de penas. Ou como se eu entrasse em uma piscina com milhões de minúsculas bolinhas de isopor. Era uma nuvem? Mas...
Então, eu percebi que o céu não era mais branco. Na realidade, estava estrelado, e voltara à sua cor natural, azul-marinho. No lugar da bola de basquete estranha, havia uma estrela, ocupando o mesmo espaço de antes. Era uma estrela gigante.
Essa estrela logo começou a crescer mais ainda, até que dela começou a sair um pedaço, parecia de pano, da mesma cor do céu, só que ainda com mais estrelas que o próprio dono delas. Foi depois que eu percebi que na barra desse pano projetavam-se dois pés. Isso mesmo, dois pés.
Olhei para cima e vi uma mulher de cabelos brancos e muito longos. Seus cabelos corriam até ao final de suas costas, eram completamente brancos. Seus olhos eram duas estrelas que brilhavam mais forte do que qualquer outra que eu já tinha visto antes. Seu lábios eram como se fossem pétalas de uma rosa, suaves. O pano que eu tinha visto primeiro era uma manta que cobria sua pele, como se ela tivesse pego um pedaço do céu emprestado para cobrir sua nudez. Sobre a sua pele, não consegui definir sua cor precisamente. Era como se, cada vez que eu olhasse, ela fosse de outra cor totalmente diferente.
Então, de dentro da manta da mulher, saiu um bebê, enrolado em uma outra manta exatamente como a dela, só que menor. Esse bebê flutuava, acompanhando o olhar dessa mulher. Eu estava pasmada com tudo que via. Era lindo, era imenso. Como tudo aquilo poderia não ser um sonho, um devaneio sem limites?
Enquanto eu formulava questões, a mulher ia, lentamente, dirigindo seus olhos para a minha direção. Eu acompanhava olhando o bebê que veio parar exatamente na minha frente. E ela me disse, sua voz era a mistura de todas as melodias que eu mais gostava, formando uma harmonia perfeita e impossível, "cuide bem dele, minha amada."
Eu senti-me quase que em transe após ouvir aquele som. Eu poderia ficar a vida inteira ouvindo ela dizer qualquer coisa, até mesmo repetindo a mesma coisa até a eternidade: "cuide bem dele, minha amada.", "cuide bem dele, minha amada.", "cuide bem dele, minha amada.", ...
De súbito, eu despertei, como se alguém estalasse os dedos para isso. O bebê estava ali, na minha frente. Então, estiquei meus braços a fim de alcançá-lo. Ao tocá-lo, era a pele suave e macia de um bebê normal. Parecia um bebê normal. Só que tinha os cabelos brancos e os mesmos olhos da mãe. Aninhei-o em meu colo e aproximei meu rosto do dele. Sua mãozinha, então, acariciou-me, como se ele soubesse o que estava fazendo. E eu disse " prometo que vou cuidar muito bem de você, bebezinho.", depois olhei para cima para procurar a mãe. Ela não estava mais lá.
Foi quando eu me perguntei, se dizer em voz alta, como eu iria fazer aquilo sozinha. Então, eu pude ouvir aquela mesma melodia maravilhosa tocando, que dizia claramente "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", ...e novamente o dedo se estalou e eu pude ouvir o bebê chorar, seu choro era uma linda melodia também, mas não como a voz dela, era como uma só flauta tocando.
De repente, silêncio. E, olhando pra cima,o clarão voltara, depois o céu branco, e enfim nublado e riscado de purpurina. Pude ouvir as vozes dos meus familiares primeiro, como se eu estivesse saindo de um isolamento acústico aos poucos. Depois pude ouvir outras vozes mais ao longe. Depois ouvi gritos, e ouvi o barulho dos fogos, mas era como se tudo isso estivesse passando diante dos meus olhos e eu não conseguisse assimilar. Como se eu ainda estivesse dormindo, sonhando aquele sonho.
Então, percebi que o bebê não estava mais lá. Eu ainda ouvia seu choro como se uma mosquinha tivesse entrado em meu ouvidoe tocasse dentro da minha cabeça. Mais distante ainda, ainda ouvia a harmonia maravilhosa que era a voz dela dizendo que eu nunca estaria sozinha. Uma mão, de repente, tocou meu ombro:
-Filha, que esse Ano Novo te traga muito crescimento, ele apenas acaba de nascer. Há muito pela frente! Feliz Ano Novo, minha querida.. - meu Pai dizia em meu ouvido.
- Seja bem vindo, Ano-Novo! - disse ao bebê, chorão e recém-desperto.
E foi quando eu despertei também.
De repente, a noite ficou clara, ia ficando clara como o dia, sem que houvesse Sol, e, então, o infinito tornou-se totalmente branco. Branco, tudo ficara brando. Silêncio. Não ouvi uma voz sequer das pessoas que estavam comigo. Talvez ninguém tivesse nada a acrescentar à imensidão formada diante dos olhos humanos, pequenos. Talvez eu estivesse ficando louca. Completamente louca.
Logo, no centro do meu campo de visão, pude ver um pequeno ponto preto. Esse ponto, então, tornou-se um pouco maior, formava um círculo de diâmetro próximo ao de uma bola de basquete. O buraco, no meio daquela cortina branca, também não era mais preto. Era azul-marinho.
Eu fiquei observando aquela bola de basquete alienígena que ocupava o lugar dos fogos. O que será que... ?
Foi quando surgiu um clarão, juntamente com um vento muito forte que lançou-me no chão. Quando me levantei e olhei novamente, era como se o chão abaixo de mim começasse a subir. Olhei pra baixo e vi que o resto do chão ficava cada vez mais distante. Mais alto... foi quando cheguei a uma determinada altura, tão grande, que eu tinha medo de olhar pra cima. Também tinha medo de olha pra baixo. Tinha medo de perder o equilíbrio e cair.
Tentei o que pude para me equilibrar, mas aquele vento forte soprou novamente e eu fui arrebatada do pedaço de chão que antes me sustentava. Fechei os olhos, sabia que seria o fim.
Puf! Eu tinha caído em algo fofo. A textura era como se fosse um monte de penas. Ou como se eu entrasse em uma piscina com milhões de minúsculas bolinhas de isopor. Era uma nuvem? Mas...
Então, eu percebi que o céu não era mais branco. Na realidade, estava estrelado, e voltara à sua cor natural, azul-marinho. No lugar da bola de basquete estranha, havia uma estrela, ocupando o mesmo espaço de antes. Era uma estrela gigante.
Essa estrela logo começou a crescer mais ainda, até que dela começou a sair um pedaço, parecia de pano, da mesma cor do céu, só que ainda com mais estrelas que o próprio dono delas. Foi depois que eu percebi que na barra desse pano projetavam-se dois pés. Isso mesmo, dois pés.
Olhei para cima e vi uma mulher de cabelos brancos e muito longos. Seus cabelos corriam até ao final de suas costas, eram completamente brancos. Seus olhos eram duas estrelas que brilhavam mais forte do que qualquer outra que eu já tinha visto antes. Seu lábios eram como se fossem pétalas de uma rosa, suaves. O pano que eu tinha visto primeiro era uma manta que cobria sua pele, como se ela tivesse pego um pedaço do céu emprestado para cobrir sua nudez. Sobre a sua pele, não consegui definir sua cor precisamente. Era como se, cada vez que eu olhasse, ela fosse de outra cor totalmente diferente.
Então, de dentro da manta da mulher, saiu um bebê, enrolado em uma outra manta exatamente como a dela, só que menor. Esse bebê flutuava, acompanhando o olhar dessa mulher. Eu estava pasmada com tudo que via. Era lindo, era imenso. Como tudo aquilo poderia não ser um sonho, um devaneio sem limites?
Enquanto eu formulava questões, a mulher ia, lentamente, dirigindo seus olhos para a minha direção. Eu acompanhava olhando o bebê que veio parar exatamente na minha frente. E ela me disse, sua voz era a mistura de todas as melodias que eu mais gostava, formando uma harmonia perfeita e impossível, "cuide bem dele, minha amada."
Eu senti-me quase que em transe após ouvir aquele som. Eu poderia ficar a vida inteira ouvindo ela dizer qualquer coisa, até mesmo repetindo a mesma coisa até a eternidade: "cuide bem dele, minha amada.", "cuide bem dele, minha amada.", "cuide bem dele, minha amada.", ...
De súbito, eu despertei, como se alguém estalasse os dedos para isso. O bebê estava ali, na minha frente. Então, estiquei meus braços a fim de alcançá-lo. Ao tocá-lo, era a pele suave e macia de um bebê normal. Parecia um bebê normal. Só que tinha os cabelos brancos e os mesmos olhos da mãe. Aninhei-o em meu colo e aproximei meu rosto do dele. Sua mãozinha, então, acariciou-me, como se ele soubesse o que estava fazendo. E eu disse " prometo que vou cuidar muito bem de você, bebezinho.", depois olhei para cima para procurar a mãe. Ela não estava mais lá.
Foi quando eu me perguntei, se dizer em voz alta, como eu iria fazer aquilo sozinha. Então, eu pude ouvir aquela mesma melodia maravilhosa tocando, que dizia claramente "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", ...e novamente o dedo se estalou e eu pude ouvir o bebê chorar, seu choro era uma linda melodia também, mas não como a voz dela, era como uma só flauta tocando.
De repente, silêncio. E, olhando pra cima,o clarão voltara, depois o céu branco, e enfim nublado e riscado de purpurina. Pude ouvir as vozes dos meus familiares primeiro, como se eu estivesse saindo de um isolamento acústico aos poucos. Depois pude ouvir outras vozes mais ao longe. Depois ouvi gritos, e ouvi o barulho dos fogos, mas era como se tudo isso estivesse passando diante dos meus olhos e eu não conseguisse assimilar. Como se eu ainda estivesse dormindo, sonhando aquele sonho.
Então, percebi que o bebê não estava mais lá. Eu ainda ouvia seu choro como se uma mosquinha tivesse entrado em meu ouvidoe tocasse dentro da minha cabeça. Mais distante ainda, ainda ouvia a harmonia maravilhosa que era a voz dela dizendo que eu nunca estaria sozinha. Uma mão, de repente, tocou meu ombro:
-Filha, que esse Ano Novo te traga muito crescimento, ele apenas acaba de nascer. Há muito pela frente! Feliz Ano Novo, minha querida.. - meu Pai dizia em meu ouvido.
- Seja bem vindo, Ano-Novo! - disse ao bebê, chorão e recém-desperto.
E foi quando eu despertei também.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Um Tantão de Amor
Há um tanto de palavras inquietas;
Esse tanto de palavras que quer pular
Dentro dos versos, e as emoções espoletas,
Espontaniedade que rege-me ao poder falar...
Há um tanto de palavras cordiais;
Esse tanto de palavras que almeja gritar,
Expressando todo o meu amor em estrofes leais
Aos sentimentos, aqueles que por vezes esqueci-me de expressar...
Não basta escrever sobre quanto eu amo-te;
Também espero alcançar-te, com cada proceder
Tocando-te, ao perceberes em mim quanto preciso de ti...
E me deleito em ter tamanho prazer;
Nos teus abraços, nos teus carinhos...
Meu privilégio, Papai, é aprender a amar alguém como Você ...
Esse tanto de palavras que quer pular
Dentro dos versos, e as emoções espoletas,
Espontaniedade que rege-me ao poder falar...
Há um tanto de palavras cordiais;
Esse tanto de palavras que almeja gritar,
Expressando todo o meu amor em estrofes leais
Aos sentimentos, aqueles que por vezes esqueci-me de expressar...
Não basta escrever sobre quanto eu amo-te;
Também espero alcançar-te, com cada proceder
Tocando-te, ao perceberes em mim quanto preciso de ti...
E me deleito em ter tamanho prazer;
Nos teus abraços, nos teus carinhos...
Meu privilégio, Papai, é aprender a amar alguém como Você ...
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Sobre a Criança
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Do Coração
Como se ela fosse majestade, ele se curva;
Sua mão estendida para pedir uma dança ao cair da lua;
Como se ele só fosse todo o ar do mundo, ela arqueja;
Seu corpo, guiado por ele, cede em função de todo desejo;
Como se ela fosse toda realidade, ele acredita;
Rebusca seus passos, querendo integrar-se à sua perfeição;
Como se ele fosse a plenitude, sente sua essência;
Arremessando-se nos braços dele, são totalmente seus;
Como se o horizonte não separasse céu e mar;
Dos dois o Tudo é um só: a imensidão de amor;
Estrelas azuis para o sorriso dela,
Cometas perdidos para os olhos dele,
Esquecem-se do Sol: tanta luz, tanta paixão;
A dança, maior que o Universo;
Todo movimento, exalando seu sabor;
E, ao exímio desabrochar, a satisfação
Cantando aos pensamentos, é a paixão, todo esse ardor;
Mas e o Tempo, tão pequeno,
tramando ser eterno a ...
Sua mão estendida para pedir uma dança ao cair da lua;
Como se ele só fosse todo o ar do mundo, ela arqueja;
Seu corpo, guiado por ele, cede em função de todo desejo;
Como se ela fosse toda realidade, ele acredita;
Rebusca seus passos, querendo integrar-se à sua perfeição;
Como se ele fosse a plenitude, sente sua essência;
Arremessando-se nos braços dele, são totalmente seus;
Como se o horizonte não separasse céu e mar;
Dos dois o Tudo é um só: a imensidão de amor;
Estrelas azuis para o sorriso dela,
Cometas perdidos para os olhos dele,
Esquecem-se do Sol: tanta luz, tanta paixão;
A dança, maior que o Universo;
Todo movimento, exalando seu sabor;
E, ao exímio desabrochar, a satisfação
Cantando aos pensamentos, é a paixão, todo esse ardor;
Mas e o Tempo, tão pequeno,
tramando ser eterno a ...
Por Camille Lyra
Obrigada, meu Coração...
Do Espelho
Durante a semana é estuda-estuda e no fim de semana eu sei lá me perco na vontade de amar acontecer sorrir voar correr fluir cantar dizer rir calar entender ouvir viajar esquecer fugir rimar mas se fecho os olhos para saborear já estou na quarta-feira engraçado como o tempo foge o escapa de mim foi quando então eu cansei de esperar o cansar de fugir de mim agora eu que vou fugir e parar.
- Paro sim, paro porque é preciso. Paro para me observar. E não, não sou narcisista -definitivamente não- Preciso me observar porque eu preciso amar. Ora, sem o amor, a vida não faz sentido algum. E sem reflexões profundas aqui, porque não é esse o intuito - pensando bem, sem reflexões profundas demais -. O amor faz sentido porque ele é o único Caminho para a felicidade - aquela que é verdadeira -, o Amor faz sentido porque sem ele nada tem sentido. Sem o amor, as lágrimas além de serem frias, não se cessam com um arco-íris,- a propósito, arco-íris é Aliança, não apenas relacionamentos, nem só vínculos, alianças.- mas se perdem em uma dor que não faz ninguém crescer, apenas estão ali parar rasgar mais ainda a ferida. O amor verdadeiro é aquele que morre, mas ainda sim permannece intenso e vivo na essência, no espírito. O amor perfeito é pai, mãe e irmão, é tudo.
E não é possível amar sem saber quem você é, e o que falta pra ser alguém melhor. Olhar para mim, e cuidar para que haja em mim beleza, beleza que cativa e encanta - mas na verdade, na verdade, essa beleza ninguém pode ver, mas reflete no Espelho:
Seus olhos brilhando de sonhos, e poesias, e rimas. Vi que ela olhava o mais alto que conseguia, porque não estava satisfeita com pequenas quantidades, nunca. Desde seu gosto por comida muito, muito apimentada até seu sonho de fazer medicina na UFRJ - isso porque ela desistiu do Hopkins porque queria ficar perto das pessoas que ama-.
Também pude ver uma boca, essa que quis muitas vezes se fechar, por falar demais. Falar até mesmo o que não era verdade. Falar, ferir, falar. Mas esta boca estava lutando para conter-se, para se calar, amar.
Além disso, seu narizinho de batatinha gostava de sentir os cheiros dos ambientes.- Quantas vezes ela não tinha chorado, depois de cheirar um baita de um cebolão? Mas lembrar, ela só guardava o cheiro das flores, do mar, da lua, dos sorrisos, risadas, amigos, família ...-
E suas pernas eram longas - porque gostava de correr, voar.- O vento batendo contra seu corpo e rosto, os pés voando sobre o chão, o controle total do movimento ligeiro, o coração batendo forte e intenso, o sangue correndo, a respiração tomando todo o oxigênio que pudesse alcançar e o sentimento de ser livre de tudo que poderia intentar prendê-la... Ah, a liberdade, como ela é apaixonada pela liberdade !
Ouvi dizer que as marcas em seu rosto apareceram há dois anos, quando ela perdeu alguém que amava muito, uma mãe. Superar essa perda, fez da criança que ela era uma adolescente cheia de questões, mas que salvou a poesia depois da dor.
Uma adolescente que quer amar como a sua avó: Avó que por 14 anos atravessou a ponte para cuidar dela e de seu irmão, enquanto seus pais ganhavam dinheiro que os sustentasse. Ela educou, mimou, ensinou, disciplinou e nos ajudou a superar. Seus pais também, mas ela estava lá quando eles não podiam. Quando o dia dela chegou, então a menininha que brincava de boneca aprendeu que seu irmão precisava também de cuidado; que o dinheiro agora era só a mesada, se faltasse, não teria mais; que sorvete todo dia não era mais viável; que a vida era mais difícil quando não havia ninguém para resolver os problemas para você. Papai e Mamãe amaram e educaram sim e com exelência, deram tudo do bom e do melhor. Mas eles também tinham/têm o papel de lhe ensinar a viver.
Ela, então, aceitou o desafio de viver, mas viver só por viver não valia a pena: ela foi encontrada pela essência da Vida ....
-Mas e um pena que nao e possivel fugir do tempo como o foge de nos e quando o tempo nos encontra nao temos nem para virgulas nem para acentos ...
Do Título
"Por agora vemos como espelho, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. "
Engraçado isto: eu parei, logo hoje, pra escrever sobre o meu Espelho Embaçado. Logo hoje, lenta Segunda depois do fim de semana. Claro, eu disse que já passou. E já passou mesmo, mas não posso dizer que não me marcou. Talvez você ache da maior idiotice eu ter me sentido assim, ou então, menos provavelmente, você concorde comigo; mas, independente das opiniões alheias, eu conto a história:
Eu tinha planejado meu fim de semana para que eu pudesse fazer um pouquinho de tudo. Encaixadinho, como sempre. A programação era estar 12h30 na festa de uma grande amiga, N,- porque ninguém é melhor que ninguém pra mim- e estar no Luau que eu estava ajudando a organizar com outros adolescentes da minha igreja. O horário era apertado, mas eu sairia 16h20 de Camboinhas para estar às 16h50 em Niterói.
Claro que nada deu certo. É sobre Camille que estamos falando. E sabe o que é pior de tudo ?
- Eu só precisei de 5 minutos para fazer um estrago monumental:
É, eu tive a estúpida ideia de jogar N na piscina. Era aniversário dela, oras, isso era, na hora, perfeitamente aceitável meu ver. Claro que eu estabanada, participando da comitiva encarregada de lançá-la na piscina, caí antes e depois dela cair também. Só que nós nos esquecemos de uma coisa: os celulares. O meu e o dela estavam em nossos bolsos.
Pois é, ao invés de dar presente, eu tiro o celular da garota. No dia do aniversário dela. E só para melhorar, eu estrago o celular que meu pai tinha mandado consertar havia uma semana. 150 reais jogados no lixo - ou na piscina se você preferir-. Com essa confusão, eu também me atrasei para o Luau e a responsabilidade, que mais uma vez me faltou, eu não pude estar lá 17h ,tinha fracassado.
Cheguei em casa, meus pais brigaram comigo, e eu estava proibida de ir ao Luau. Foi nessa parete que eu chorei, e chorei muito. Como eu podia ser tão despreszível assim ? Caramba, se o mundo dependesse de mim, ele provavelmente já teria explodido em caos. Eu sou a plena expressão do que significa a palavra " desastre ". Isso tudo eu concluí em mais ou menos uma hora de autocríticas.
Quando eram umas 18h, outra grande amiga, R, veio pegar o que o pessoal tinha esquecido de levar antes para o Luau, já que eu mesma estava proibida de sair. Quando ela viu minha cara inchada e branca, ela deve ter se dado conta que eu ou estava morta, ou estava muito mal.
Então, eu conversei com ela e ela me acalmou, disse que eu estava sendo exigente demais, que eu era muito exagerada, que eu não tinha estragado também o Dia das Mães da minha mãe e me aconselhou que eu convesasse com meus pais.
Foi o que eu fiz.Conversei/chorei mais ainda com eles, e eles me entenderam! Para minha supresa, me disseram que eu fosseao Luau. Então eu cheguei lá, com a cara de zumbi mais feliz que eu consegui esboçar. Fiz o meu trabalho, curti as músicas e, como sempre, e delirei com a vista da praia - mais tarde, quem sabe, vocês entenderão tudo que essa praia significa para mim-.
Enfim, depois parei para pensar um pouco. Percebi que eu preferiria mil vezes ter jogado a N na piscina de novo; do que se eu tivesse passado uma metade da festa dela sumida com o meu namorado e, na metade em que aparecesse, estar perto dela com o meu namorado fumando e bebendo... como aconteceu. E ainda tive que ouvir "dane-se ela e o celular, ela que também te empurrou na piscina.", legal é que a pessoa que falou isso é uma amiga minha também. Mas até que em parte ela estava certa.
Uma coisa que R me disse e que eu já tinha ouvido antes: " Aquele que mais erra, muito ama; mas aquele que é pouco perdoado pouco ama. "Não que eu vá sair errando mundo afora, não. Errei, e me arrependo. Chorei, tive raiva de mim, mas aprendi a lição. Errar, todos erram, né ? " Você é humana, Camille, não se esqueça disso.", ela disse também;e u achei que fazia sentido.
...mas o que é que isso tudo tem a ver com título?
-Ah, sim. Bom, é porque eu amo meu Pai, minha família, meu coração, meus amigos que eu criei um espelho. Isso, um espelho onde eu pudesse ver em mim e no que me rodeia aquilo que é bom e aquilo que machuca - e então mudar - , e também para que as pessoas vissem que eu sou tão ou mais surtada do que pareço. Amar é a maior de todas as loucuras....
E esse espelho é embaçado mesmo: quem sou eu para ser dona de alguma verdade? Aqui são os meus olhos vendo a minha reflexão a respeito dos fatos. Os seus podem sim ver outras coisas, que até tenham sido propositadamente implícitas por esse espelho. Mas essa parte de descobrir os mistérios deixo a vocês!
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Quem sou eu
- Camille Lyra
- Camille Lyra. O nome fala muito da feição, tanto na sua significância quanto na sua origem; já o sobrenome faz jus à escrita predileta da autora. Sempre curiosa demais, sonhadora demais, ambiciosa demais, romântica demais, intensa demais. E, daquilo que exceder tudo isso, faço poesia.
