Entre, leia e ouça-me...
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eu em mim

Emfim,
este é o meu corpo
Flor que amadureceu

Estalo os dedos
é sonho
Respiro fundo
é brisa


Estendo os braços
é asa
Driblo as falhas
é voo

Esperança resolvida,
Verso que ficou pronto
Meu corpo é assim

Olho o seu rosto,
misterio
Ouço sua voz,
estrangeira
Cheiro o seu suor,
lembranças
Sinto sua pele...
sou eu

Sou eu,
para a dor e o prazer
para o sabor e o saber
para a emoção de viver:
Viagem tão companheira...
Sou eu sim,
Sou eu assim,
Sou eu enfim
com meu corpo em mim !



 Por Gabriel Natan Lyra de Espanha, 11 anos 
O irmão, amigo e, pelo visto, poeta...

domingo, 23 de maio de 2010

Sonetinho Clichê

Na ausência tua, meu amor,
Eu, perdida, não sei o que fazer;
A distância tua, minha dor,
Eu a sinto tão amiúde, sem saber por quê;

Ainda que outra face me confronte,
Não encontrarei nela o esquecimento teu;
Eternamente, tu serás meu horizonte;
Ainda que distante, rente ao alcance meu;

A lua vem e passa sua escuridão,
Então enfim, a noite amanhece;
Luz cálida, mas meu coração esmorece;

A sede da presença tua, insaciada até então;
De que maneira meu desamparado ser
Há de viver sem ter teu coração?



Por Camille Lyra

Poesia Cadente

Teu brilho caindo rasgou a escura imensidão
Deixastes o céu, oh, estrela minha, por quê?
Contrista-me ver-te aqui tão perto jazer
Se na noite angustiada vi de longe o teu clarão

Já vejo a razão das dores do teu coração contundido,
Perdoa-me por tanto não dizer: o meu medo era de passar;
A incerteza de viver era por enfrentar meu amor ferido...
Escondi-me de todos os fulgores, todo medo era de mudar.

Porém, se por nós algum motivo ainda há, tu subas e voltes a brilhar,
Eu hei de encontrar novamente a esperança que rege
Meus sonhos. E não terão mais os nossos versos uma vida breve.

Trago-te o sentimento fresco da alma, pelo qual clamas.
Ascenda com toda intensidade de meu amor, mas
Deixa sobre mim o frescor da tua chuva de palavras prateadas.



Por Camille Lyra

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Inpherno

Aquele "bum-bum" ressoava através das paredes como se um elefante estivesse dançando balé atrás daquela porta. Uma porta comum, como outra qualquer, mas, o que quer que estivesse atrás dela, eu já não podia imaginar. Seria muito mais do que eu esperava? Só sei que aquilo ali dentro era o resto da minha vida.
Durante nossa história, fazemos sempre muitas escolhas: café com pão ou Nescau com Maizena, e outras
coisas sérias, como se devo ou não comprar a casa, se é ela a garota ou não, se permaneço assim ou tento ser alguém melhor...enfim, isso aí, atrás da porta, é resultado de uma escolha minha.
Agora eu podia ouvir gritos, pareciam de horror, e risadas maléficas e... um gemido! Eu tenho certeza de que ouvi! Era difícil definir, com o som de milhares de pancadas surdas em algo que soava como uma madeira, às vezes pareciam disparos, também. Então tive medo e, naquele momento, me arrependia de ter escolhido aquele caminho.
- Colega, essa aí é a sua mesmo.
- Eu sei, eu sei. Só... tomando coragem  para entrar... - respondi ao funcionário de camisa banca, tentando me mover.
Então eu encarei a porta azul,  e tentei não ouvir a gritaria de uma multidão, que parecia ser formada por umas mil vozes, ignorei os estrondos que vinham lá de dentro e fechei os olhos. Segurei a maçaneta preta, respirei, e então abri a porta do destino que tracei para mim mesmo.
- Como é que é ?! Vocês não podem ficar quietos por 15 minutinhos, enquanto eu não chego ? Só porque eu atrasei não quer dizer que essa baderna aqui seja permitida! O próximo que der mais um pio está fora de sala ! Chega !
...agora acertem essas fileiras, por favor, e vamos abrir o livro na página 47 ...



Redação da Prova. Nota: 5/5 

Quem sou eu

Minha foto
Camille Lyra. O nome fala muito da feição, tanto na sua significância quanto na sua origem; já o sobrenome faz jus à escrita predileta da autora. Sempre curiosa demais, sonhadora demais, ambiciosa demais, romântica demais, intensa demais. E, daquilo que exceder tudo isso, faço poesia.