Aquele "bum-bum" ressoava através das paredes como se um elefante estivesse dançando balé atrás daquela porta. Uma porta comum, como outra qualquer, mas, o que quer que estivesse atrás dela, eu já não podia imaginar. Seria muito mais do que eu esperava? Só sei que aquilo ali dentro era o resto da minha vida.
Durante nossa história, fazemos sempre muitas escolhas: café com pão ou Nescau com Maizena
, e outras
coisas sérias, como se devo ou não comprar a casa, se é ela a garota ou não, se permaneço assim ou tento ser alguém melhor...enfim, isso aí, atrás da porta, é resultado de uma escolha minha.
Agora eu podia ouvir gritos, pareciam de horror, e risadas maléficas e... um gemido! Eu tenho certeza de que ouvi! Era difícil definir, com o som de milhares de pancadas surdas em algo que soava como uma madeira, às vezes pareciam disparos, também. Então tive medo e, naquele momento, me arrependia de ter escolhido aquele caminho.
- Colega, essa aí é a sua mesmo.
- Eu sei, eu sei. Só... tomando coragem para entrar... - respondi ao funcionário de camisa banca, tentando me mover.
Então eu encarei a porta azul, e tentei não ouvir a gritaria de uma multidão, que parecia ser formada por umas mil vozes, ignorei os estrondos que vinham lá de dentro e fechei os olhos. Segurei a maçaneta preta, respirei, e então abri a porta do destino que tracei para mim mesmo.
- Como é que é ?! Vocês não podem ficar quietos por 15 minutinhos, enquanto eu não chego ? Só porque eu atrasei não quer dizer que essa baderna aqui seja permitida! O próximo que der mais um pio está fora de sala ! Chega !
...agora acertem essas fileiras, por favor, e vamos abrir o livro na página 47 ...
Redação da Prova. Nota: 5/5