Entre, leia e ouça-me...

sábado, 27 de novembro de 2010

Erosão

Talvez o vento frio e as ondas me levem:
Transformando, somando-me
Às correntes deste mar.
Sou rocha, não deveria ceder.
mas o vento frio e as ondas no tempo me destituem a forma...

                                                                                                              o tempo desfaz.
                                                                                                                      me desfaz.
me traz.
                                                                                                              me leva de volta.

assopra         m              l    v    n    o        r        l    n   e          e        m    m      .
                           e             e   a    d        p  a        o    g         d               i         .    .

Entorpece.

Desgastando-dissolvendo
m eus  pe    da     ços     po  r    ág  ua  s   qu      e  n     t  es-gélidas

Vagando-fluindo
A                 cor          azul                       do                                meu                     mundo                 pelo                               mundo

Sou rocha, não deveria passar...
Sou rocha, não deveria fluir....
                                                               mas tudo me atrai
                                                                                                                                                                                          
(me leva longe daqui...)




O tempo-angústia me levará daqui
Sou rocha
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               Não deveria ir...




Camille Lyra

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dizeres Póstumos

"Deixa ser." Tudo se desfaz, então...

"Acho que foi melhor assim. Aqui não era o seu lugar. Mas, querida, eu não posso ir também, me perdoe." Ele adornou seu pescoço com diamantes brancos. Denotava sua essência: aprendera com ela que as pessoas na vida são como diamantes brutos sendo lapidados. A dor é para cortar, precisa e pungente, pedras soltas na natureza. Um dia, seu Dono as recolhe, quando, enfim, são perfeitas para escrustar os céus como brilhantes insignes. - Uma dor chamada saudade era anestesiada com a lembrança das convicções dela. Ela sempre quis fazer as pessoas sorrirem. Ela quis amá-las. Ela quis ser essa intensidade.
"Você, impetuosa, sempre quis viver uma vida descomedida, sempre quis ir além de sua própria natureza. Você buscou isso de todo o coração. Espero mesmo que você tenha encontrado tantas aventuras quanto as que eu vivi com, por e em você, meu amor..." Ela, então, podia descansar sabendo que tinha chegado tão longe quanto tinha intentado, seus sonhos eram independentes das outras páginas antes manchadas. (A lua inundava o céu com seus pêsames. O vento urrava,  soprava um som morbidamente gélido em seu corpo morto, mas ele ainda não tinha se dado conta da dor.) Anestesiado.
" Eu te avisei, não avisei? Por que foi que você tinha que deixar seus suspiros ardentes se esvairem e esfriarem pelas pessoas de seu amor? Por que foi que foi que você quis pagar com a própria vida? O que você queria sabendo do preço dessa paixão? Você sabia do final! Você sabia que havia um preço a ser pago, que, se não a mim, amaria à solidão! Você também sabia que essa solidão iria te matar. Você era convicta de suas razões, mesmo que fossem mentiras. Você era capaz de acreditar nas mentiras que você mesma inventava. Não eram mais blefes ou meias verdades, tornavam-se axiomas ao adorno de suas palavras.... você se matou! Foi culpa sua! Não me faça acreditar que sou eu o homicida traiçoeiro nessa história de amor... Foi culpa sua! Foi você que se matou! Você se matou!" deixava ali lágrimas e palavras. Muito mais lágrimas do que palavras, na verdade. Não mais a latência da verdade: era a expressão mais pura e selvagem da angústia dela revelando-se a ele, então.
" Droga! Você não podia ter me deixado assim, não! Por favor, não.... não, não, não! Quem vai tomar o seu lugar? Me diz! Eu não sei o que fazer, não sei. Você me abandonou... você, você mentiu quando disse que era para sempre. Você mentiu! Se foi...foi você quem escolheu ir! Você se matou! Você mentiu para mim, mentiu...não era para sempre... " jogou umas cartas velhas ali dentro com ela.  Eram cartas de amor. Inúmeras, todas as verdades voltavam-se contra a autora. Ainda eram verdades, mas dolorosas demais. Teria sido cruel, intolerável que ele as guardasse para sempre. Teria sido para sempre. Para sempre.
"EU amei você para sempre. Eu te amei esse tempo todo, e você nem sempre viu. Eu amei você mesmo assim. Eu amei de verdade, quando você era dúvida. Eu amei você no infinito! Por que você nunca acreditou em mim? Por que você tinha que se achar tão pequena a ponto de ser cega? Você foi estúpida! Era tudo e perdeu-se por nada. Morreu por nada. Nada!Nada.... nada nesse mundo vai te trazer de volta agora, nada... Então, perdi tudo. Você é tudo, meu amor!" Silêncio. Não haveria respostas. Ela não mais podia perceber o tamanho do amor com que ele a encobria. - Era apenas seu corpo inerte ali. Insípido. Sua pele já era pálida, seus lábios não eram mais rosados. Ela estava ferida, havia manchas roxas, suturas, mágoas, lágrimas, tristeza ao longo dela... ela era a dor que permanece depois do acidente que é a morte derrubar a vontade de viver.
A Lua recitava para ela, palavras ao vento. Dores lançadas ao vento. Saudade que resistia ao vento. Saudade que residia no vento. Era frio, e não devia fazer tanto frio. Era fogo que ardia sem se ver. - Ela não via. Nunca acreditou que merecia ser amada. Mas amava. Ela estava sempre deslumbrada com vidas alheias, ocupada demais para aperceber-se de sua própria beleza. Uma tonta. Ele, confuso. Nunca soube, também, como fazê-la saber do brilho que pulsava em tudo quanto ela fazia. Teria sido ela para sempre. Para sempre.
" Eu te perdoei, você nunca acreditou. Burra. Você era maior que os erros. A falta do seu sorriso custa mais que aquela dor. Qual foi a dificuldade em entender isso, meu Deus? Eu também errei, e você me perdoou todas as vezes! Qual foi a dificuldade em se perdoar, qual?" Amada, amada demais. Apesar de toda dor que havia causado (e há tanta dor na traição...). Viveu marcada pelas marcas que deixou, desde então. Nunca mais se deixou esquecer da agonia pungente que era apunhalar alguém amado. Nas costas. Culpa. Mas ela amou. Amou sim. - Beijou-a uma vez mais. Os lábios frios. Faltava sua poesia angustiada. De tanto amor. De todo desejo. De perfeita loucura. Ah... sua loucura adocicada, como o pouso de uma borboleta singela após o voo. Acariou seu rosto suave. " Eu te perdoo, meu amor. Você é maior..."
Não terminou de dizer. Uma luz branca invadia a noite sem pedir licença à lógica: podia ser apenas um sonho.
Ele ouvia a risada dela. Ah, aquela risada louca adocicada.... a louca doçura ou a doce loucura dela. A cena era branca. E o sorriso dela descia na soma de todas as cores. Ela sorria com todas as cores.
Verde, ela sorria deitada na grama dum campo distante, tomado pelos dois. Amarelo, o riso dela era mais forte que o Sol. Azul, ela era a Lua sobre o plano da noite. Laranja, ela ria à-toa sobre uma colcha, só para ele. Violeta, ela descia uma escadaria num vestido longo, tinha jeito de flor. Rosa, ela dava risada e a boca suja de algodão doce. Vermelho, sua cor preferida: era uma mar de rosas e a sua pele nua. Com todas as cores. O sonho transfigura-se, então.
Os axiomas ao adorno de suas palavras... ela caída no chão, pela última vez: ferida, havia manchas roxas, suturas, mágoas, lágrimas, tristeza ao longo dela.
-Você sabia do final... amaria à solidão. - Teria sido cruel, intolerável que ele guardasse sua intensidade (inconstância) para sempre. Teria sido para sempre.
-Não houve blefes, nem meias verdades. Houve verdades, querido. Você não tem fé no que digo. Eu digo o que sou. É que já fui poesia diluída na alma de poeta. Sabia que o poeta é destinado a sofrer mais?, foi o que me disseram quando nasci. Agora, só restou poesia, meu amor: acredite em mim dessa vez, por favor...
Acredite, eu não me senti sozinha. Houve esperança em cada lágrima. Houve quem cuidasse de mim, na sua ausência. Você só não pode ver. E eu não te amei menos por isso, não. Eu amei você para sempre, sempre.
-Me perdoa. Me perdoa por nunca ter conseguido te fazer acreditar. Me perdoa por não conseguir acreditar. Me perdoa, por favor, me perdoa. - Disse mais lágrimas, do que palavras.
-Não chore, meu bem. Não chore. Eu prometo que estou bem. Agora, sim. Agora eu acredito no seu amor. Me perdoe por não ter sido capaz de me ver no seu coração antes. Não fiz por mal: sempre me achei pequena demais para você. Mas você me aceitou mesmo assim. Obrigada, meu amor. Obrigada pela sua companhia. Obrigada por essa poesia que me inspirou um amor apaixonado, louco, feliz ao seu lado. Obrigada, meu grande amor.
Ela colocou as mãos no rosto dele. Acariciou-o (suas mãos eram frias). Seu corpo passou a dissipar-se no ar. Seus cabelos e sua face flutuavam, então. Sua boca escureceu. Primeiro, cor-de-sangue, depois, lábios vermelho-quase-vinho. E ela aproximou-se mais. Beijou-o uma última vez. Era quente. Abriu os olhos e já não podia mais vê-la. Podia sentir. Fogo que ardia sem se ver. Ela era chama cada vez mais quente. Fechou os olhos, sentiu o corpo dela no dele. Eles se amaram mais: incêndio.
O fogo, de repente e sem mais, nem menos, foi soprado por um vento. Aquele calor fez frio, então. Era frio, e não devia fazer tanto frio. Mas todas as dores lançadas ao vento, também. Restaria apenas a saudade. Saudade que resistia ao vento. Saudade que residia no vento.
Do rosto dele, escorreu uma lágrima. Escorreu saudade. Passeou pela maçã do rosto, caiu em sua mão direita. Enfim, o fim.
Não soube depois dizer por quanto tempo durou tanto amor, ou por quanto tempo durou o ultimo beijo. Lutava contra o tempo pelos detalhes. Não queria esquecê-la. Queria o direito de guardar cada detalhe. Cada curva do corpo dela. Cada um de todos os beijos. Todos, todos eles. Cada vez que ela declarou seu amor a ele, de todas, todas as vezes. Cada poesia, de tudo, tudo que ela é.
Sua mão direita, de repente, doeu. Uma dor interna, como se sua mão queimasse de dentro para fora. A dor ardia cada vez mais. Piorava em uma progressão inexplicável. Era como colocar a mão num lago de fogo, não, era pior, era tocar o Sol. Não importa, queimava por dentro. Ele gritou. De dor.
Prostrou-se no chão e, agachando-se, levou a mão ao peito(não sabia, mas estava exatamente em cima de seu coração). E o coração ardeu mais que a mão. Ele chorou. De saudade. Chorou como um bebê. Depois, percebeu que sua mão não mais doía. Fechou os punhos e sentiu algo espetar. Em sua mão, havia uma rosa vermelha (como os lábios dela da última vez).
Aquela rosa ele plantou sobre a sepultura de seu amor. Mal sabia ele que ela jamais iria morrer.
Foi para sempre enquanto durou. Para sempre.



à Inspiração
Por Camille Lyra

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Oceano ( O Diário de Ela - IV )

À minha frente, um oceano inteiro vinha me seduzir. Não havia mais ninguém ali. Em mim, era o anelo latente pelo verde, o seu verde quimérico que transbordava meu quarto em noites insones. Ele permanecia inabalável. Suspirando em mim, incitava-me a ceder ao cheiro das suas águas puras. Eu resfolegava em seu sopro brando, pois ele continha a minha alma arraigada em sua brisa fresca.
Ele impetuoso mantinha-se sobre mim. Em suas mãos, eu era descoberta como algo novo, como uma concha de nácar estranha àquele que era dono de todas as outras. Ele delineava minha tez com beijos intensos, ondas insanas. Eu era embebida com os toques de um oceano quente em minha alma. Era o mar sobre mim. Ele sussurrava. Eu, tomada por um desejo depravado, então, solenemente me desnudei de cada véu que antes encobria minha forma. Era o mar em mim. Avançando, arrebatava-me para além da ressaca, dentro de sua esmeralda infinita.
Subitamente, meu corpo nu era engolido pelas águas verdes límpidas desse oceano. Ele era em mim a extensão plena de um prazer incessável, suscitando o anseio de levar-me mais fundo. Eu passei, então, a nadar emaranhada pelas suas visões, seus sonhos, seus desejos, seus anseios, sua essência e, por mais que eu avançasse pelo verde, esse oceano é que penetrava em mim. Eu lançava cada impulso ao mar, e ele me possuía sempre.
Eu  me sentia apenas uma corrente que o agitava por dentro, que passeava pelas suas águas. Todavia, ele fazia de mim a corrente que o transformava por dentro, que levava e trazia-o de volta às suas águas.  Seu espírito tão imenso acendia no meu um fogo, que relampejava gemidos inexprimíveis de um deleite apaixonado no horizonte esquecido por nós dois.
Eu e o oceano. Ele era em mim; e eu, nele. Eu era profunda porque ele era profundo. A alma ascendia além do corpo, que se ocupava em servir a satisfação sem-fim, derramando-se em um mar de sentimentos, promessas, amores idealizados - ora, deixai a taquicardia fazer pular o coração pelo sonho! Afinal, ao despertar, ele ainda será profundo. Ele é mesmo um oceano verde profundo...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fim.

Ando nas ruas, mas não sigo em frente. Ando por caminhos e não vou a lugar algum. Cumprimento com umas respostas automáticas uns vultos passando por mim. Alguns querem me falar, mas não paro para ouvir o que não quero lembrar. Lembrar da minha distância. Vi lágrimas, vi dor, não vejo nada. E cada vez mais vejo como é o nada, por causa da minha dor, por causa das minhas lágrimas. Tudo é tão distante agora. Não há mais ninguém, também não há mais cores, sons ou vozes. Apenas eu mesma. Só o que restou, por um pouco...
 (Foi por tão pouco...)
Fecho os olhos e não sei onde estava nem onde estou. Só eu vazia, falando de mim mesma. E um de Você, cheio de si. Brindando comigo, brincando comigo.
*Tin-tin*
(Um brinde ao egoísmo!)
E o mundo se dissolve por um minuto...
O que foi que Você disse mesmo? "Eu vou te amar para sempre" ou será que foi "não sei mais o que somos um para o outro"? Perdão, foi rápido demais para que eu pudesse compreender.
Não, eu não culpo a parte real de Você: o tempo - ou o resto da vida - que Você pediu para nós é, mesmo, o certo. Temos outros focos, outros objetivos por enquanto. Não há espaço para mais amor no mundo, não para o nosso.
Culpo mesmo é o que brindou, brincou comigo. A parte de Você que, aqui dentro e todo o tempo, murmurou tantas promessas impossíveis. E eu acreditei. Revivendo com ele amores sem-fim que precisaram de um tempo e, talvez não saibam, nunca mais, voltar.
Foi culpa dele que me trouxe um romantismo egoístazinho-metido-a-besta. Me fez acreditar que eu podia te dizer meu. Desaprendi a vida sem a fértil emoção a dois, o mundo que não gira ao nosso redor.
Na verdade, a vida é muito mais que isso. Amar é muito mais que isso. O Amor é muito mais que isso. Amar, viver é ter fé, também é querer bem. Amar é viver sabendo que as pessoas são como areia na palma da mão: não se pode fechá-la que elas escapam por entre os dedos. É preciso abrir mão e, se o Vento quiser levar, é deixar ser. E assim ser para elas o melhor e mais firme amparo que conseguir, sabendo que talvez um dia, um dia...
É culpa minha também. Me deixei seduzir, ser insana. Embriaguei-me com o sabor destilado em cada gole daqueles beijos. Não cogitei deixar seus lábios. Não pensei nas feridas, não pensei em nós, em ninguém.
(Mentira. Pensei sim, em mim. Enlouqueci.)
 Não é que eu queira deixar esta louca intensidade para trás, não. Umas boas doses de Você me inspiraram mais do que mil versos perfeitos, verdade. E sem precisar nem mesmo de palavras, só do seu toque perfeito emaranhado em minha alma vã. Sua mão está lá, queira Você ou não, para sempre.
(Queira você ou não, amor...)
E lá se vai a última gota no copo. E também não quero mais brindar, brincar - a próxima vez será fatal-. Permanecerei sóbria para o próximo cumprimento. Quero lembrar onde estou, quero saber quem sou. Quero ver neles, que ficaram atrás de nosso brinde, mais que vultos passantes nas ruas. Quero ser mais que uma passante, quero contar-lhes histórias bonitas, cantar palavras doces, palavras precisas, palavras certeiras. Quero ver além desse complexo de amores ébrios.
(Sóbria.)
Abro os olhos e me deparo com o primeiro próximo vulto. Aos poucos, decifro sua imagem embaçada e percebo sua silhueta; uma forma de andar um tanto peculiar, quase familiar. Agora, as linhas de sua face. Um tanto rígidas - penso que talvez precisem de palavras doces, isso -, parece preocupado, bastante preocupado. É um homem.
(Mas, o que será que... ?)
Então, posso ver os olhos. E não preciso de mais nada para saber quem são aqueles dois cometas, caindo sem que eu saiba o porquê. São Você.
Talvez seja um sinal, talvez haja mesmo esperança no futuro. Um futuro correto, certo para mim e para Você. Ou não.
(Não...?)
Vejo Você chorar, de repente. Pude ler os seus lábios dizendo "Não!"
Olho para o lado, e algo me atinge tão repentinamente quanto as suas lágrimas.
(Tudo se desfaz...)
Deitada no chão, meu corpo dói. Muito. Você se abaixa, me pergunta por que diz que foi estúpido que me ama que eu não me vá que não quer fugir que eu não ouse te deixar agora e penso em dizer te amo te quero que vou lutar que vou sobreviver por Você que nunca vou deixar Você te amo te quero ao meu lado fica comigo sempre. Sempre...
Mas eu guardo tudo para mim. Apenas sussurro "Deixa ser.."
(Tudo se desfaz, então.)

Pela e À Inspiração.
Camille Lyra

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Insanidade (O Diário de Ela - III)

01/09

- Faz bem jus ao título você aqui travando diálogos consigo mesma. Vim te fazer companhia, posso?
- ATÉ parece que você faria isso pra valer. Me fazer companhia... pff! E o título não é por isso, nadaaver. É pela forma como eu me sinto, não pelo modo como estou pensando agora.
- Ei, eu já sentei ao seu lado pra valer, tá?! E você se lembra muito bem disso. Não pode esconder nada de mim aqui dentro, bobinha. Vê se para de doce, quisso me irrita. Homem não gosta dessas coisas.
- E você quer que eu seja o quê? Dada?! Mas não mesmo! Nem apaixonada, nem bêbada, nem insana, nem pela possibilidade efetiva de ter você.... tá, quem eu estou enganando aqui? Já disse mais do que deveria antes. Já apressei as coisas. Troquei os pés pelas mãos. Droga, não deveria ter contado a você, não deveria...
- Porra, quer parar de se auto flagelar? Que saco!
- Tá vendo? Nem aqui você me suporta...
- Eu te suporto sim. Não quero é ver você se perder em uma idealização tola. Nem mereço isso tudo. Não mereço essa imensidão toda nas suas lágrimas. Não quero você por aí, chorando pelos cantos da noite por minha causa. Não há necessidade disso. É o que é e ponto. Você vai me esquecer, terá sido só um sonho mau e pronto, passará. Vai ser melhor assim.
- Mas eu não quero o que vai ser, eu quero o que é melhor. E eu até deixo você me chamar de hedonista, se mudar de ideia...
- Não vou me aproveitar de você só porque bebeu uns copos a mais de paixão. Putz. Essa metáfora ficou uma porcaria.
- É, eu esperava menos e mais de você. Menos porque eu queria que você se aproveitasse de mim, e mais porque a metáfora está uma merda mesmo. Principalmente pelo personagem que você representa aqui.
- Olha, você é linda, charmosa, inteligente, mas não vou...
- QUER PARAR COM ISSO?
- O que foi?!
- Você NÃO tem o direito de ficar repetindo o que ele me disse. Se quisesse levar um fora, procuraria falar de verdade com ele, de novo.
- Mas é verdade. Você é isso. E muito mais. Não fomos só eu e ele quem disse isso. E você sabe disso.
- Dane-se se é verdade ou não! PO! Nem aqui você me leva a sério?? EU NÃO ESTOU APAIXONADA POR VOCÊ! EU SÓ QUERO CURTIR!! Está bom assim? Se eu fosse uma puta você me beijaria? Você foge de mim só porque meus lábios diriam verdades? - Não, não seriam absolutas. Eu sei que você não acredita nelas  - Eu só quero que seja infinito enquanto dure..
- Ou enquanto..
- Cala a boca! Não quero ficar rindo sozinha das suas piadas. Isso é tão estúpido!
- A paixão é estúpida, querida.
- Eu sou estúpida mesmo! Estúpida é essa conversa maluca. É estúpido eu querer você da forma como eu quero. eu me conter tanto perto de você. Céus, haja auto controle...
- Noooossa, que menininha mais safada!
- Me poupe, tá ?
- Você às vezes é tão ácida. Sabia que isso deve te afastar dele na vida real?
- Não posso ser 'docinha' o tempo todo. Você sabe que quando você, quando ele está perto... Bom. Você sabe. Eu não posso sair fazendo o que bem entendo lá. Nem com ele.
- Sei. Mas não precisa fingir que ele/eu não existe/o.
- E VOCÊ QUER QUE EU TE LEMBRE COMO EU FICO QUANDO EU SEI QUE ELE EXISTE?
- Não precisa. Seu escândalo é auto explicativo.
- Sabe. Eu podia acabar com tudo isso agora mesmo.
- Ahhhh! Pelamordedeus! Me poupe dos devaneios mórbidos... você sendo dramática já me dá bastante trabalho. Depressiva não, por favor!
- E você acha mesmo que eu perderia minha vida por isso? Pff.. Isso não passou nem pela minha cabeça (só agora, né? affe!). Não seria tão idiota a esse ponto. Não me sinto TÃO insana assim. Eu disse que se eu quisesse, eu voltava atrás. Eu posso. Tudo isso é evitável. Mas eu não quero voltar.
- Você comeu merda? Se livra logo de mim e para de sofrer. Deixa disso.
- Foi você quem disse que um pouco de angústia faz bem também. Não que eu não soubesse disso antes, afinal você não me ensina tanta coisa assim além daquilo que você tem que ensinar. As lições sobre a vida eu já tinha ouvido quase todas antes.
- Você está completamente louca.
- E não me orgulho disso. Mas qualquer coisa com você é melhor do que antes. Sofrer com você é melhor do que lembrar do passado. Melhor do que esperar o passado vir pousar no futuro. É que eu já não posso mais ver voo algum. Não tenho esperança alguma. Estava caindo. Agora, já estou mesmo é no inferno  com você.
- Isso porque você gosta de mim....
- Você não é nem de longe perfeito como o passado. Você não chega aos pés dele. Você é a criatura humanizada que vem me seduzir na sua imperfeição, me anestesiar, enfim. Sofrer por você é anestesia para a minha dor. E você é lindo, por dentro e por fora. Mas a gente escolhe sim quem ama E eu não amo você. Só que preciso de você. Eu preciso me perder em você. Não parar me livrar das minhas noites de solidão, você não é solução alguma. Você é um desvio. Mas a sua solidão repele meus pesadelos. Eu desejo cuidar de você. A sua intensidade me faz esquecer de mim. Os seus olhos, é como se eles fossem quebrar a qualquer momento na ressaca desse oceano de angústia  que você carrega. A sua angústia também não é maior que a minha. Mas é mais instigante. Você é uma caixinha de emoções e sentimentos tão delicada, sempre a ponto de abrir e trazer algo imprevisível lá de dentro.
-...
- E eu anseio fazer parte da sua solidão. Acariciar a sua alma humana imensa. Penetrar na sua essência e me perder no clichê que é você. Estudar isso, que te faz tão peculiar, o fato de você ser tão humano, tão frágil, tão hipócrita, tão triste, tão imperfeito. Perfeitamente imperfeito. Eu preciso dissecar o seu coração, só para descobrir o quanto você é razão, o quanto você é emoção.  Não quero só o que você tem a me ensinar. Quero aprender em você. Quero aprender você. Me deixa?
-...
- Tudo agora é diferente. Nada é agora como era antes. Os princípios mudaram, desde que me dei conta de que estava totalmente imersa neste jogo. E é assim que me sinto insana. Não, eu não me reconheço aqui dentro.  Sou o que antes não era e era o que agora não sou. Sou eu em você, querido. Sou eu. Me deixa entrar, por favor...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eu em mim

Emfim,
este é o meu corpo
Flor que amadureceu

Estalo os dedos
é sonho
Respiro fundo
é brisa


Estendo os braços
é asa
Driblo as falhas
é voo

Esperança resolvida,
Verso que ficou pronto
Meu corpo é assim

Olho o seu rosto,
misterio
Ouço sua voz,
estrangeira
Cheiro o seu suor,
lembranças
Sinto sua pele...
sou eu

Sou eu,
para a dor e o prazer
para o sabor e o saber
para a emoção de viver:
Viagem tão companheira...
Sou eu sim,
Sou eu assim,
Sou eu enfim
com meu corpo em mim !



 Por Gabriel Natan Lyra de Espanha, 11 anos 
O irmão, amigo e, pelo visto, poeta...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Fiz Dele Razão ... (O Diário de Ela - II)

27/08

 "Você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir"

É como se eu tivesse acabado de jogar todas as verdades do mundo em uma descarga. Por água abaixo. Tudo, não há mais nada.
E isso aqui não é um desabafo. Eu não preciso contar a ninguém. Eu não precisava contar a você. Você não precisava saber, não. E eu não queria contar. Não fui eu. Foi ele o culpado. Foi o coração. Maldito. Foi ele...
Isso aqui é um pulo. Ia dizer no escuro, mas não poderia ser mais claro: Acabou.
De repente, o que eu chamava de expectativa, dúvida, a dor de desejar, de não saber, tudo isso tornou-se obsoleto. E, ao mesmo tempo, não.  Não porque, apesar da minha vergonha, -ah, a gafe!- eu disse o que guardava em mim. Fui eu quem disse. Eu sou assim. Não sei prender dentro de mim coisas que me fazem intensa, inteira.

"Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse nem assim se pôde evitar..."

 E eu não poderia viver diferentemente disso. Eu não sei não agir conforme o que sinto. Essa liberdade me aprisiona quando me liberta. Eu não poderia não ser você em mim. Isso é o que é. É o que sou. Não conseguiria respirar longe da minha essência, carrego uma alma comigo. Agora, uma alma machada por você. Para sempre.
"Você é só uma criança..."
Falar do meu querer é tão vago. Eu também não consigo compreender. Não entendo. Não, eu não queria querer. Mas não pude evitar a tempestade de sentimentos, pensamentos que vieram sobre mim. Alagada. Molhada. Está tão frio aqui... vai me deixar aqui? Sou só ...

-  Eu não quis isso tudo, não. E nem você quer, nunca nem sonhou com isso. Eu e a minha cabeça palerma.... como foi que eu pude imaginar algo mais do que só estar perto? Como foi que eu permiti achar-me suficiente?
"Não, querida, você não é." Eu nunca serei. E obrigada por não dizer, foi condescendente ...como foi que eu pude me enxergar ao seu lado? Como?

"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir.
"

- Ahahahaha ! Não... ah, não!  Como se já todo este desastre não bastasse, eu fui além: eu quis ter você só para mim. "Sua egoísta.", ou talvez você me dissesse:  "Sua louca. Louca, desvairada!". Mas sim, eu quis. Sim, querido, ainda quero... mais que tudo. Quero o suficiente para voltar no tempo e fazer tudo novamente. De novo.
 "Would you? And what if I begged, while this silence still, just to hear you say no?"

-Ahh, mas que absurdo! Sua menina má! Má ! O que foi que você fez, ein?!
O que foi que você fez...?
- Eu, eu ....
-O que foi que você fez?
- Eu...
- O que é que você está fazendo?

- EU ME APAIXONEI!








quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sentimentalismo Exarcebado (O Diário de Ela - I)

24-25/08

Como se fossem uma lança transpondo-me a devoção, seu olhos perfuram a minha essência. Sou desnudada pelo seu olhar, invadida por ele. Um olhar soberbo, arrojando-me sobre um oceano verde sem-fim, infinito.
Ah, o desejo! O anseio por possuir tais águas cristalinas inclina-me o querer sobre o segredo, torna-se translúcido perante os olhos seus. Transparece em mim o almejo de fluir nas águas de meu amor; almejo tê-las só minhas, almejo entregar-me a elas num sentimento intenso e profundo, afiado como a lamina trespassada em meu coração.
Entretanto, lanço-me nos braços seus somente em meu silêncio gritante. Guardo as palavras, num egoísmo imenso, sem revelar-lhe o gozo do qual desfruto em sua presença magnífica.
Ahhh... o prazer que eu quis primeiro, ao descobrir naquele oceano a fonte de minhas insanas ideias. Elas feitas de um desfrutar suave, como a carícia de uma pena, e bruto, na emoção aflorando pela intensidade de um desejo amiúde.
É por compreender o cliché de todo impulso meu nascido em ondas sagradas, vindas daquele verde intransponível, que tranquei toda declaração, toda verdade, todo querer em meu não-dizer, tão caro para minha alma.
Temo qualquer desprezo por mim que possa brotar no dono do olhar profuso. Temo perder a chance de tentar, por não tentar. Temo errar e não mais ser livre para arriscar passos na direção de seu colo seguro.
Ah, a angústia! A angústia desse querer platônico sobrepõe todo pensamento outro, que não venha exaltar as vozes de minha paixão fascinante, ébria. Eu só penso nele.
Eu quero a ele mais do que desejo fazer grandes estas palavras. Sei que ele ama palavras até mais do que eu mesma, mas as palavras são apenas palavras, palavras e palavras. Anseio a sensação verídica - como percebo o vento tocando minha face-, anseio pela carícia verossímil de suas mãos- e assim saber que é o vento soprando sobre mim-, anseio pela luta verdadeira de nossos lábios, um pelo outro. Anseio mais que meus pensamentos, mais do que puros sentimentos.

sábado, 21 de agosto de 2010

Um Momento de Nós Dois

Quero-te sempre, sempre! - o coração palpita;
Pois, certamente, a alma é preenchida pelo nosso amar;
E a tua luz, invadindo o meu rosto, brilha;
Embriagados imploram por ti os meus olhos-de-mar;

Comovendo-me, o teu corpo e o meu aproximando;
Aos beijos profundos, os teu beijos adoçados;
Mas o teu olhar sobre mim aguardando:
Um toque e  as linhas de minha face contornadas;

Teus olhos, teus olhos, tão intensos em minha canção,
Serão as estrelas para o nosso luar surreal;
Quando em teu abraço eu me deito, então,
O tempo rende-se, teu e meu, imortal;

A harmonia toca para cada sentimento;
Cada batida em teu peito, o suspirar
Ilustrando o ritmo utópico deste momento;

Eu subexisto, você ascende;
Em sua plenitude o sonho agora e,
Se esta finda eternidade vir a falecer,
Ainda contigo eu irei permanecer.


Por Camille Lyra - 2008

domingo, 8 de agosto de 2010

Manifesto de Amor

Shh!
Não deixo toda essa intensidade se esvair pelas palavras!

Por Camille Lyra

Quem sou eu

Minha foto
Camille Lyra. O nome fala muito da feição, tanto na sua significância quanto na sua origem; já o sobrenome faz jus à escrita predileta da autora. Sempre curiosa demais, sonhadora demais, ambiciosa demais, romântica demais, intensa demais. E, daquilo que exceder tudo isso, faço poesia.