Entre, leia e ouça-me...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre A Décima Sétima Rosa

Esses dias, vagando por uma rua
Perdi meus olhos numa vitrina.
E deixei-os esquecidos lá, desde então.

Seria somente mais uma outra qualquer,
Como aquela rua antes também não me importaria
Mas é sobre o que a vitrina continha:
-Ah, uma rosa vermelha ela incluía...

Em outro tempo, ela também seria
Vã como a rua, como aquela fortuita vitrina.
Mas se aproximava o dia em que eu sentiria
Falta de uma rosa, talvez tão simples como aquela:
Era a tua rosa, minha flor, era tudo sobre a rosa tua
Ganhara quatorze, quatorze lindas rosas tuas.
Rosas, brancas e amarelas...
A décima quinta seria vermelha, me prometeras.
Pois bem, não mentiras, deveras,
A tua última rosa viera até antecipada.
A tua rosa póstuma, vermelha de sangue, me deixaras...

Então, me delongo, estarrecida, até o dia que se acerca.
Diante da vitrina da rosa como a tua, minha única Flor,
Será apenas mais um dia para lembrar da rosa póstuma,
Aquela que descansou sobre teu rosto florido de alegria celestina,
Uma rosa vermelha, aquela que me arrancou minha Rosa (dos ventos)...

E eu prostrei-me inerte perante as minhas memórias tuas, arraigadas.
Doeu no peito ao lembrar-te assim...(eram minhas as rosas, as rosas tuas...)
Guardo em segredo, porém, as dores e lamúrias:
- Pois, Rosa, eu sei que vês em minha postura o ceder...

É por isso, Flor, que eu choro debaixo da promessa de um fim:
Hoje, desfaleço, sem vigor, definho exausta sobre a terra encharcada
- Eu sei, Flor, prometi ser forte, mas hoje não...
À alvorada, no entanto, verás impetuosa a luz do meu florescer!
Depois do orvalho, então, me reerguerei para os raios de Sol e sorrirei:
Mas não hoje, não sem a tua vermelha rosa...

É que mais um ano se vai em vão,
Porque eu sei que o teu presente não estará sobre a minha mesa...
Como a décima quinta, a sexta e a décima sétima rosa, então.
- Ah, como que eu quis que aquela na vitrina fosse de qualquer outra cor!
Mas vermelho escarlate, não.
Porque era a ela de presente quem eu mais queria...


À minha Rosa, aquela diamantina, que brilha intensa, imensa no céu: À Vovó Edy.
Camille Lyra

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Palavrinhas Ingênuas

E se eu disser que quero você?
O que fará?
E se eu disser que estou me apaixonando?
O que dirá?
E se eu disser que te amo?
O que será?

Não sei, não sei...
Mas talvez vez eu queira você, deseje você, ame você ...
 
E se você disser que me quer?
O que farei?
E se você disser que está se apaixonando?
O que direi?
E se você disser que me ama?
O que será?

Não sei, não sei...
Mas talvez você, como eu. Talvez.

Não sei, não sei.
Eu temo que não. Eu desejo que sim.
Mas eu não sei, não sei.
Porque e se for sim? E se não?

Não sei, não sei.
Mas as palavras não sabem mesmo.

O que os olhos veem
O que a pele sente
Por quê o coração saltita no peito
Ou por quê a alma inquieta-se dentro de mim

Quando você me olha assim...
Quando você me acaricia assim...
Quando você passa, simplesmente!

É que as palavras, burrinhas, coitadas, não sabem
Como é quando eu penso em você....

Por Camille Lyra

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

(Des)Enamorados

O amor das palavras
É mentira.
O amor dos apaixonados
É passageiro
O amor de verdade
não cabe em palavras
O amor sincero
não cabe em verdades
O amor genuíno
não cabe junto com a humanidade
que há em mim,
que há em você, meu bem.
Então, o que será de nós?





...ou deixará de ser?

Por Camille Lyra

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Da Brancura

Despertei de noite ao ouvir você chorar. Você ainda estava deitada ali, exatamente onde nos desejamos boa noite. Nós precisávamos que fosse boa, porque o escuro já havia sugado toda força que havia em nossas vidas para acreditar. Acreditar tendo fé. Fé de que a sua dor passaria logo. Fé de que encontraríamos uma cura para toda essa dor perversa que te consumia. Seu corpo tremia, mas você olhava para mim, está tudo bem, eu não me sinto mal, você quase implorou que eu acreditasse. Eu comecei a chorar. Não era justo que fosse você, e não eu. Eu sentia a sua dor como você teria sentido a minha, como você sentiu todas as minhas.
Deitei ao seu lado. Vai ficar tudo bem, você me dizia, você só precisa ter fé, mas eu já não sabia se ainda podia acreditar. O chão estava gelado, eu cobri você com o meu amor machucado, e se eu der um beijinho onde dói? você vai se sentir melhor?, e amei você com o meu cobertor: verdade, eu não estou com frio , pode ficar. Meu coração escorria pelo meu rosto, o frio rude alcançava minha alma e meu sangue quase parava de correr. Não vou deixar você, não vou. Não me deixe também, fica aqui comigo; sussurrei.
Você vinha enxugar as minhas lágrimas com seu pelo. Era o meu pompom alvo, branquinho, de algodão, meu floquinho de neve. Você colocou o focinho sobre o meu pescoço, não chore, eu te amo, segredou. A dor debilitava seus movimentos, mas você, com muito esforço, se aconchegou ao meu lado. Era você que doía,e ainda se compadecia de mim. Tudo doía mais ao perceber que era você quem me consolava. Não é justo com você, e eu não consigo te fazer melhor, não é justo!, você suplicou com os olhos luzentes que eu não sofresse também. Mas como posso eu não sofrer? você também não me deixaria, se eu estivesse doente assim. Você, me enchendo de beijinhos na bochecha, concordou com o que eu disse.
E eu me arrependi.
Me arrependi de cada vez que eu briguei quando você me lambia o rosto. Cada vez que eu briguei quando você roubava meus sapatos por eu não te dar atenção. Me arrependi de quando mandava você parar de latir, agora eu sinto falta do barulho que você fazia. Me arrependi de não ter corrido pela casa com você exatamente todas as vezes que você mordeu meus tornozelos, me chamando para brincar de pique-pega. Sinto falta de você correndo pela casa. Sinto falta da companhia que eu tinha para caminhar na rua, entretida com meus pensamentos distantes. Você alcançava todos eles. Sinto falta de você para segredar meus segredos mais secretos. Sinto falta da vida com que você iluminava essa casa. Sinto falta da alegria que você iluminava em mim. Sinto sua falta, minha única, minha verdadeira melhor amiga.
Sabe, era uma tarde de Dezembro e eu estava brincando no meu quarto, já estava de férias da escola. Nesse dia, vovó tinha me dito que nós iríamos receber uma visitante, viria de mala e cuia, e iria ficar por um tempo morando conosco. A mamãe chegou mais cedo, a campanhia gritou e eu saí correndo para falar com ela para descobrir quem era essa tal visitante misteriosa. Vovó abriu a porta e mamãe apareceu com uma caixa de papelão enorme. Surpresa!, ela e vovó sorriram para mim. Eu não tinha entendido nada, fiquei curiosa, quis saber o que tinha naquela caixa. Corri para olhar para dentro dela e foi quando eu e você nos vimos pela primeira vez.
Você era pequena demais para aquela caixa monstruosa. Você era o meu presente de Natal pequeno e assustado. Quer ser minha amiga?, você me lambeu e eu passei a amar você. Com um beijinho você me conquistou. Um beijinho de amor.
Qual vai ser o nome dela, mãe? Não sei, filha, você quem escolhe. Pode ser Bianca, mãe?, porque me lembra branca.... Por que não Bia, filha ?, disse papai que tinha entrado pela porta depois da grande surpresa, combina mais com ela. Vovó mesma gravou depois Bia na sua coleirinha vermelha. Mas a gente sempre soube que Bia é de Bianca, claro. E Bianca porque você é Branca. Pura.
Você, o meu algodão de amor alvo, permanecia ali a me ouvir tagarelar. Você tinha toda a paciência do mundo. Você sempre me respondia com lambidas quando eu deitava ao seu lado chorando problemas, medos e angústias. Você ali era a mesma, esperando por mim todo tempo do mundo.Você sempre cuidou mais de mim do que eu de você. Sempre.
Você deixou escapar, então, um olhar lânguido, você estava cedendo à dor. Peguei sua pata. Você ma estendia, para que eu não ficasse com medo vendo você sofrer. Por favor, Deus, não deixe ela morrer!, eu chorei aflita. Era o temor frente à possibilidade de te perder pra sempre. Não. Ainda não posso suportar isso. Ainda é cedo demais... fica comigo, não vá! você é a minha melhor amiga, não é? então fica! ah, céus! como sou egoísta.. não é justo com você.. por favor, não deixe que ela sofra, Pai, por favor! se você pode me ouvir daí, por favor, me ajuda a ter fé de que vai ficar tudo bem, por favor!, eu clamei, num pranto agonizante.
Eu e você passamos, juntas como sempre, mais uma noite ali, deitadas no chão frio. O seu choro era o meu choro, a sua dor, a minha também. Éramos eu e você. Nós duas. Uma amizade só. Que seria para sempre. Independente da dor. Independente do tempo. Independente das falhas. Para sempre, Bia.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Réveiller

Eu estava pronta para o início dos fogos. Houve sorrisos, lágrimas, celebrações, decepções, melancolias, força, honra, alegria, tristeza, fidelidade e traições, amizades e vínculos, que se quebraram, que nasceram. E tudo mais que se deve encontrar pelo caminho. Tudo tinha me trazido pela mão até aqui. Então, eu olhava para cima. O céu era nublado, o dia tinha sido chuvoso. Faltava um minuto para meia noite. Foi quando o primeiro risco rasgou o céu com um rastro branco de purpurina. O azul escuro cintilou.
De repente, a noite ficou clara, ia ficando clara como o dia, sem que houvesse Sol, e, então, o infinito tornou-se totalmente branco. Branco, tudo ficara brando. Silêncio. Não ouvi uma voz sequer das pessoas que estavam comigo. Talvez ninguém tivesse nada a acrescentar à imensidão formada diante dos olhos humanos, pequenos. Talvez eu estivesse ficando louca. Completamente louca.
Logo, no centro do meu campo de visão, pude ver um pequeno ponto preto. Esse ponto, então, tornou-se um pouco maior, formava um círculo de diâmetro próximo ao de uma bola de basquete. O buraco, no meio daquela cortina branca, também não era mais preto. Era azul-marinho.
Eu fiquei observando aquela bola de basquete alienígena que ocupava o lugar dos fogos. O que será que... ?
Foi quando surgiu um clarão, juntamente com um vento muito forte que lançou-me no chão. Quando me levantei e olhei novamente, era como se o chão abaixo de mim começasse a subir. Olhei pra baixo e vi que o resto do chão ficava cada vez mais distante. Mais alto... foi quando cheguei a uma determinada altura, tão grande, que eu tinha medo de olhar pra cima. Também tinha medo de olha pra baixo. Tinha medo de perder o equilíbrio e cair.
Tentei o que pude para me equilibrar, mas aquele vento forte soprou novamente e eu fui arrebatada do pedaço de chão que antes me sustentava.  Fechei os olhos, sabia que seria o fim.
Puf! Eu tinha caído em algo fofo. A textura era como se fosse um monte de penas. Ou como se eu entrasse em uma piscina com milhões de minúsculas bolinhas de isopor. Era uma nuvem? Mas...
Então, eu percebi que o céu não era mais branco. Na realidade, estava estrelado, e voltara à sua cor natural, azul-marinho. No lugar da bola de basquete estranha, havia uma estrela, ocupando o mesmo espaço de antes. Era uma estrela gigante.
Essa estrela logo começou a crescer mais ainda, até que dela começou a sair um pedaço, parecia de pano, da mesma cor do céu, só que ainda com mais estrelas que o próprio dono delas. Foi depois que eu percebi que na barra desse pano projetavam-se dois pés. Isso mesmo, dois pés.
Olhei para cima e vi uma mulher de cabelos brancos e muito longos. Seus cabelos corriam até ao final de suas costas, eram completamente brancos. Seus olhos eram duas estrelas que brilhavam mais forte do que qualquer outra que eu já tinha visto antes. Seu lábios eram como se fossem pétalas de uma rosa, suaves. O pano que eu tinha visto primeiro era uma manta que cobria sua pele, como se ela tivesse pego um pedaço do céu emprestado para cobrir sua nudez. Sobre a sua pele, não consegui definir sua cor precisamente. Era como se, cada vez que eu olhasse, ela fosse de outra cor totalmente diferente.
Então, de dentro da manta da mulher, saiu um bebê, enrolado em uma outra manta exatamente como a dela, só que menor. Esse bebê flutuava, acompanhando o olhar dessa mulher. Eu estava pasmada com tudo que via. Era lindo, era imenso. Como tudo aquilo poderia não ser um sonho, um devaneio sem limites?
Enquanto eu formulava questões, a mulher ia, lentamente, dirigindo seus olhos para a minha direção. Eu acompanhava olhando o bebê que veio parar exatamente na minha frente. E ela me disse, sua voz era a mistura de todas as melodias que eu mais gostava, formando uma harmonia perfeita e impossível, "cuide bem dele, minha amada."
Eu senti-me quase que em transe após ouvir aquele som. Eu poderia ficar a vida inteira ouvindo ela dizer qualquer coisa, até mesmo repetindo a mesma coisa até a eternidade: "cuide bem dele, minha amada.", "cuide bem dele, minha amada.", "cuide bem dele, minha amada.", ...
De súbito, eu despertei, como se alguém estalasse os dedos para isso. O bebê estava ali, na minha frente. Então, estiquei meus braços a fim de alcançá-lo. Ao tocá-lo, era a pele suave e macia de um bebê normal. Parecia um bebê normal. Só que tinha os cabelos brancos e os mesmos olhos da mãe. Aninhei-o em meu colo e aproximei meu rosto do dele. Sua mãozinha, então, acariciou-me, como se ele soubesse o que estava fazendo. E eu disse " prometo que vou cuidar muito bem de você, bebezinho.", depois olhei para cima para procurar a mãe. Ela não estava mais lá.
Foi quando eu me perguntei, se dizer em voz alta, como eu iria fazer aquilo sozinha. Então, eu pude ouvir aquela mesma melodia maravilhosa tocando, que dizia claramente "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", "você não está sozinha, eu estou com você sempre.", ...e novamente o dedo se estalou e eu pude ouvir o bebê chorar, seu choro era uma linda melodia também, mas não como a voz dela, era como uma só flauta tocando.
De repente, silêncio. E, olhando pra cima,o clarão voltara, depois o céu branco, e enfim nublado e riscado de purpurina. Pude ouvir as vozes dos meus familiares primeiro, como se eu estivesse saindo de um isolamento acústico aos poucos. Depois pude ouvir outras vozes mais ao longe. Depois ouvi gritos, e ouvi o barulho dos fogos, mas era como se tudo isso estivesse passando diante dos meus olhos e eu não conseguisse assimilar. Como se eu ainda estivesse dormindo, sonhando aquele sonho.
Então, percebi que o bebê não estava mais lá. Eu ainda ouvia seu choro como se uma mosquinha tivesse entrado em meu ouvidoe tocasse dentro da minha cabeça. Mais distante ainda, ainda ouvia a harmonia maravilhosa que era a voz dela dizendo que eu nunca estaria sozinha. Uma mão, de repente, tocou meu ombro:
-Filha, que esse Ano Novo te traga muito crescimento, ele apenas acaba de nascer. Há muito pela frente! Feliz Ano Novo, minha querida.. - meu Pai dizia em meu ouvido.
- Seja bem vindo, Ano-Novo! - disse ao bebê, chorão e recém-desperto.
E foi quando eu despertei também.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Breve Hesitar ( O Diário de Ela - V )

I was young but I wasn't naive, I watched helpless as he turned around to leave. And still I have the pain I have to carry (a past so deep that even you could not bury if you tried).

- Eu disse, sem compromissos. No ritmo, inconsequentes. Esquece. Só eu e você. Ainda não encontrei um motivo para dizer não. Deixa ser, então, de novo, sem pensar. Antes, te quis tanto assim no pensamento, o prazer em segredo... sem pensar, está bem:? Nada mais importa: somos apenas eu e você, enfim.
- Ah ?

After all this time, I never thought we'd be here. Never thought we'd be here, when my love for you was blind...

- É só um jogo, sei. Tudo isso vai passar, não vai? Quando acabar, vou fingir que não lembro mais de você. Fingir que sou capaz de esquecer. Você é tudo agora. E acabará. Não, eu não posso te ter para depois perder. Cansei de sentir esse medo. Eu nunca vou ter você, nem mesmo agora.

But I couldn't make you see it, couldn't make you see that I loved you more than you'll ever know, a part of me died when I let you go...

- Shh ! Ei! Eu aqui, olha ! Não chora, não, amor. Olha, olha pra mim... eu peço a sua mão, sem nem titubear. É que Você linda, eu tonto. Você, uma pétala delicada, eu, as mãos rudes que te colheram. Cuidarei de você, sempre. Eu quero regá-la todos os dias, pra poder cheirar minha flor. Não sei como dizer, não sei. Seu sorriso é incenso pra mim, sua pele, meu travesseiro... como agora, para sempre, está bem? É que não sei dizer o quanto... vai, fecha os olhos: não é só seu. O sonho é nosso.

I would fall asleep, only in hopes of dreaming that everything would be like it was before...

- Preciso saber: seus olhos nos meus, assim, para sempre? Juntinho? Mesmo, mesmo?
 O calor que emana do teu coração gigante, aquecendo-me nos invernos...O teu olhar, fresco de maresia, soprando sobre mim toda a ternura do mundo.... eu preciso, preciso desse incêndio devastando mina essência,  preciso desse oceano alagando meu ser.! Preciso. Sempre...
- Você sabe, não me apaixono em vão. Você também sabe que tenho sempre o que dizer, domino as palavras. Não mais. É você, tirando-as de mim a cada suspirar... Não sei o que dizer, é como... não saber mais respirar, perder palavras em você. Isso que sinto é... impossível! Eu, eu...

But nights like this it seems are slowly fleeting, they disappear as reality is crashing to the floor...

- Shh... só eu e você, então, tá ? Não precisa dizer. Para sempre como nunca foi, utopia...
- Mas é verdade, juro que eu ...
- Shh... não discutamos a fantasia, meu amor. Deixa ser para sempre até o fim, porque o tempo só vai durar enquanto houver o sonho...

Maybe you could not believe it, that my love for you was blind. I couldn't make you see it, that I loved you more that you'll ever know. A part of me died when I let you go ...

sábado, 27 de novembro de 2010

Erosão

Talvez o vento frio e as ondas me levem:
Transformando, somando-me
Às correntes deste mar.
Sou rocha, não deveria ceder.
mas o vento frio e as ondas no tempo me destituem a forma...

                                                                                                              o tempo desfaz.
                                                                                                                      me desfaz.
me traz.
                                                                                                              me leva de volta.

assopra         m              l    v    n    o        r        l    n   e          e        m    m      .
                           e             e   a    d        p  a        o    g         d               i         .    .

Entorpece.

Desgastando-dissolvendo
m eus  pe    da     ços     po  r    ág  ua  s   qu      e  n     t  es-gélidas

Vagando-fluindo
A                 cor          azul                       do                                meu                     mundo                 pelo                               mundo

Sou rocha, não deveria passar...
Sou rocha, não deveria fluir....
                                                               mas tudo me atrai
                                                                                                                                                                                          
(me leva longe daqui...)




O tempo-angústia me levará daqui
Sou rocha
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               Não deveria ir...




Camille Lyra

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dizeres Póstumos

"Deixa ser." Tudo se desfaz, então...

"Acho que foi melhor assim. Aqui não era o seu lugar. Mas, querida, eu não posso ir também, me perdoe." Ele adornou seu pescoço com diamantes brancos. Denotava sua essência: aprendera com ela que as pessoas na vida são como diamantes brutos sendo lapidados. A dor é para cortar, precisa e pungente, pedras soltas na natureza. Um dia, seu Dono as recolhe, quando, enfim, são perfeitas para escrustar os céus como brilhantes insignes. - Uma dor chamada saudade era anestesiada com a lembrança das convicções dela. Ela sempre quis fazer as pessoas sorrirem. Ela quis amá-las. Ela quis ser essa intensidade.
"Você, impetuosa, sempre quis viver uma vida descomedida, sempre quis ir além de sua própria natureza. Você buscou isso de todo o coração. Espero mesmo que você tenha encontrado tantas aventuras quanto as que eu vivi com, por e em você, meu amor..." Ela, então, podia descansar sabendo que tinha chegado tão longe quanto tinha intentado, seus sonhos eram independentes das outras páginas antes manchadas. (A lua inundava o céu com seus pêsames. O vento urrava,  soprava um som morbidamente gélido em seu corpo morto, mas ele ainda não tinha se dado conta da dor.) Anestesiado.
" Eu te avisei, não avisei? Por que foi que você tinha que deixar seus suspiros ardentes se esvairem e esfriarem pelas pessoas de seu amor? Por que foi que foi que você quis pagar com a própria vida? O que você queria sabendo do preço dessa paixão? Você sabia do final! Você sabia que havia um preço a ser pago, que, se não a mim, amaria à solidão! Você também sabia que essa solidão iria te matar. Você era convicta de suas razões, mesmo que fossem mentiras. Você era capaz de acreditar nas mentiras que você mesma inventava. Não eram mais blefes ou meias verdades, tornavam-se axiomas ao adorno de suas palavras.... você se matou! Foi culpa sua! Não me faça acreditar que sou eu o homicida traiçoeiro nessa história de amor... Foi culpa sua! Foi você que se matou! Você se matou!" deixava ali lágrimas e palavras. Muito mais lágrimas do que palavras, na verdade. Não mais a latência da verdade: era a expressão mais pura e selvagem da angústia dela revelando-se a ele, então.
" Droga! Você não podia ter me deixado assim, não! Por favor, não.... não, não, não! Quem vai tomar o seu lugar? Me diz! Eu não sei o que fazer, não sei. Você me abandonou... você, você mentiu quando disse que era para sempre. Você mentiu! Se foi...foi você quem escolheu ir! Você se matou! Você mentiu para mim, mentiu...não era para sempre... " jogou umas cartas velhas ali dentro com ela.  Eram cartas de amor. Inúmeras, todas as verdades voltavam-se contra a autora. Ainda eram verdades, mas dolorosas demais. Teria sido cruel, intolerável que ele as guardasse para sempre. Teria sido para sempre. Para sempre.
"EU amei você para sempre. Eu te amei esse tempo todo, e você nem sempre viu. Eu amei você mesmo assim. Eu amei de verdade, quando você era dúvida. Eu amei você no infinito! Por que você nunca acreditou em mim? Por que você tinha que se achar tão pequena a ponto de ser cega? Você foi estúpida! Era tudo e perdeu-se por nada. Morreu por nada. Nada!Nada.... nada nesse mundo vai te trazer de volta agora, nada... Então, perdi tudo. Você é tudo, meu amor!" Silêncio. Não haveria respostas. Ela não mais podia perceber o tamanho do amor com que ele a encobria. - Era apenas seu corpo inerte ali. Insípido. Sua pele já era pálida, seus lábios não eram mais rosados. Ela estava ferida, havia manchas roxas, suturas, mágoas, lágrimas, tristeza ao longo dela... ela era a dor que permanece depois do acidente que é a morte derrubar a vontade de viver.
A Lua recitava para ela, palavras ao vento. Dores lançadas ao vento. Saudade que resistia ao vento. Saudade que residia no vento. Era frio, e não devia fazer tanto frio. Era fogo que ardia sem se ver. - Ela não via. Nunca acreditou que merecia ser amada. Mas amava. Ela estava sempre deslumbrada com vidas alheias, ocupada demais para aperceber-se de sua própria beleza. Uma tonta. Ele, confuso. Nunca soube, também, como fazê-la saber do brilho que pulsava em tudo quanto ela fazia. Teria sido ela para sempre. Para sempre.
" Eu te perdoei, você nunca acreditou. Burra. Você era maior que os erros. A falta do seu sorriso custa mais que aquela dor. Qual foi a dificuldade em entender isso, meu Deus? Eu também errei, e você me perdoou todas as vezes! Qual foi a dificuldade em se perdoar, qual?" Amada, amada demais. Apesar de toda dor que havia causado (e há tanta dor na traição...). Viveu marcada pelas marcas que deixou, desde então. Nunca mais se deixou esquecer da agonia pungente que era apunhalar alguém amado. Nas costas. Culpa. Mas ela amou. Amou sim. - Beijou-a uma vez mais. Os lábios frios. Faltava sua poesia angustiada. De tanto amor. De todo desejo. De perfeita loucura. Ah... sua loucura adocicada, como o pouso de uma borboleta singela após o voo. Acariou seu rosto suave. " Eu te perdoo, meu amor. Você é maior..."
Não terminou de dizer. Uma luz branca invadia a noite sem pedir licença à lógica: podia ser apenas um sonho.
Ele ouvia a risada dela. Ah, aquela risada louca adocicada.... a louca doçura ou a doce loucura dela. A cena era branca. E o sorriso dela descia na soma de todas as cores. Ela sorria com todas as cores.
Verde, ela sorria deitada na grama dum campo distante, tomado pelos dois. Amarelo, o riso dela era mais forte que o Sol. Azul, ela era a Lua sobre o plano da noite. Laranja, ela ria à-toa sobre uma colcha, só para ele. Violeta, ela descia uma escadaria num vestido longo, tinha jeito de flor. Rosa, ela dava risada e a boca suja de algodão doce. Vermelho, sua cor preferida: era uma mar de rosas e a sua pele nua. Com todas as cores. O sonho transfigura-se, então.
Os axiomas ao adorno de suas palavras... ela caída no chão, pela última vez: ferida, havia manchas roxas, suturas, mágoas, lágrimas, tristeza ao longo dela.
-Você sabia do final... amaria à solidão. - Teria sido cruel, intolerável que ele guardasse sua intensidade (inconstância) para sempre. Teria sido para sempre.
-Não houve blefes, nem meias verdades. Houve verdades, querido. Você não tem fé no que digo. Eu digo o que sou. É que já fui poesia diluída na alma de poeta. Sabia que o poeta é destinado a sofrer mais?, foi o que me disseram quando nasci. Agora, só restou poesia, meu amor: acredite em mim dessa vez, por favor...
Acredite, eu não me senti sozinha. Houve esperança em cada lágrima. Houve quem cuidasse de mim, na sua ausência. Você só não pode ver. E eu não te amei menos por isso, não. Eu amei você para sempre, sempre.
-Me perdoa. Me perdoa por nunca ter conseguido te fazer acreditar. Me perdoa por não conseguir acreditar. Me perdoa, por favor, me perdoa. - Disse mais lágrimas, do que palavras.
-Não chore, meu bem. Não chore. Eu prometo que estou bem. Agora, sim. Agora eu acredito no seu amor. Me perdoe por não ter sido capaz de me ver no seu coração antes. Não fiz por mal: sempre me achei pequena demais para você. Mas você me aceitou mesmo assim. Obrigada, meu amor. Obrigada pela sua companhia. Obrigada por essa poesia que me inspirou um amor apaixonado, louco, feliz ao seu lado. Obrigada, meu grande amor.
Ela colocou as mãos no rosto dele. Acariciou-o (suas mãos eram frias). Seu corpo passou a dissipar-se no ar. Seus cabelos e sua face flutuavam, então. Sua boca escureceu. Primeiro, cor-de-sangue, depois, lábios vermelho-quase-vinho. E ela aproximou-se mais. Beijou-o uma última vez. Era quente. Abriu os olhos e já não podia mais vê-la. Podia sentir. Fogo que ardia sem se ver. Ela era chama cada vez mais quente. Fechou os olhos, sentiu o corpo dela no dele. Eles se amaram mais: incêndio.
O fogo, de repente e sem mais, nem menos, foi soprado por um vento. Aquele calor fez frio, então. Era frio, e não devia fazer tanto frio. Mas todas as dores lançadas ao vento, também. Restaria apenas a saudade. Saudade que resistia ao vento. Saudade que residia no vento.
Do rosto dele, escorreu uma lágrima. Escorreu saudade. Passeou pela maçã do rosto, caiu em sua mão direita. Enfim, o fim.
Não soube depois dizer por quanto tempo durou tanto amor, ou por quanto tempo durou o ultimo beijo. Lutava contra o tempo pelos detalhes. Não queria esquecê-la. Queria o direito de guardar cada detalhe. Cada curva do corpo dela. Cada um de todos os beijos. Todos, todos eles. Cada vez que ela declarou seu amor a ele, de todas, todas as vezes. Cada poesia, de tudo, tudo que ela é.
Sua mão direita, de repente, doeu. Uma dor interna, como se sua mão queimasse de dentro para fora. A dor ardia cada vez mais. Piorava em uma progressão inexplicável. Era como colocar a mão num lago de fogo, não, era pior, era tocar o Sol. Não importa, queimava por dentro. Ele gritou. De dor.
Prostrou-se no chão e, agachando-se, levou a mão ao peito(não sabia, mas estava exatamente em cima de seu coração). E o coração ardeu mais que a mão. Ele chorou. De saudade. Chorou como um bebê. Depois, percebeu que sua mão não mais doía. Fechou os punhos e sentiu algo espetar. Em sua mão, havia uma rosa vermelha (como os lábios dela da última vez).
Aquela rosa ele plantou sobre a sepultura de seu amor. Mal sabia ele que ela jamais iria morrer.
Foi para sempre enquanto durou. Para sempre.



à Inspiração
Por Camille Lyra

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Oceano ( O Diário de Ela - IV )

À minha frente, um oceano inteiro vinha me seduzir. Não havia mais ninguém ali. Em mim, era o anelo latente pelo verde, o seu verde quimérico que transbordava meu quarto em noites insones. Ele permanecia inabalável. Suspirando em mim, incitava-me a ceder ao cheiro das suas águas puras. Eu resfolegava em seu sopro brando, pois ele continha a minha alma arraigada em sua brisa fresca.
Ele impetuoso mantinha-se sobre mim. Em suas mãos, eu era descoberta como algo novo, como uma concha de nácar estranha àquele que era dono de todas as outras. Ele delineava minha tez com beijos intensos, ondas insanas. Eu era embebida com os toques de um oceano quente em minha alma. Era o mar sobre mim. Ele sussurrava. Eu, tomada por um desejo depravado, então, solenemente me desnudei de cada véu que antes encobria minha forma. Era o mar em mim. Avançando, arrebatava-me para além da ressaca, dentro de sua esmeralda infinita.
Subitamente, meu corpo nu era engolido pelas águas verdes límpidas desse oceano. Ele era em mim a extensão plena de um prazer incessável, suscitando o anseio de levar-me mais fundo. Eu passei, então, a nadar emaranhada pelas suas visões, seus sonhos, seus desejos, seus anseios, sua essência e, por mais que eu avançasse pelo verde, esse oceano é que penetrava em mim. Eu lançava cada impulso ao mar, e ele me possuía sempre.
Eu  me sentia apenas uma corrente que o agitava por dentro, que passeava pelas suas águas. Todavia, ele fazia de mim a corrente que o transformava por dentro, que levava e trazia-o de volta às suas águas.  Seu espírito tão imenso acendia no meu um fogo, que relampejava gemidos inexprimíveis de um deleite apaixonado no horizonte esquecido por nós dois.
Eu e o oceano. Ele era em mim; e eu, nele. Eu era profunda porque ele era profundo. A alma ascendia além do corpo, que se ocupava em servir a satisfação sem-fim, derramando-se em um mar de sentimentos, promessas, amores idealizados - ora, deixai a taquicardia fazer pular o coração pelo sonho! Afinal, ao despertar, ele ainda será profundo. Ele é mesmo um oceano verde profundo...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fim.

Ando nas ruas, mas não sigo em frente. Ando por caminhos e não vou a lugar algum. Cumprimento com umas respostas automáticas uns vultos passando por mim. Alguns querem me falar, mas não paro para ouvir o que não quero lembrar. Lembrar da minha distância. Vi lágrimas, vi dor, não vejo nada. E cada vez mais vejo como é o nada, por causa da minha dor, por causa das minhas lágrimas. Tudo é tão distante agora. Não há mais ninguém, também não há mais cores, sons ou vozes. Apenas eu mesma. Só o que restou, por um pouco...
 (Foi por tão pouco...)
Fecho os olhos e não sei onde estava nem onde estou. Só eu vazia, falando de mim mesma. E um de Você, cheio de si. Brindando comigo, brincando comigo.
*Tin-tin*
(Um brinde ao egoísmo!)
E o mundo se dissolve por um minuto...
O que foi que Você disse mesmo? "Eu vou te amar para sempre" ou será que foi "não sei mais o que somos um para o outro"? Perdão, foi rápido demais para que eu pudesse compreender.
Não, eu não culpo a parte real de Você: o tempo - ou o resto da vida - que Você pediu para nós é, mesmo, o certo. Temos outros focos, outros objetivos por enquanto. Não há espaço para mais amor no mundo, não para o nosso.
Culpo mesmo é o que brindou, brincou comigo. A parte de Você que, aqui dentro e todo o tempo, murmurou tantas promessas impossíveis. E eu acreditei. Revivendo com ele amores sem-fim que precisaram de um tempo e, talvez não saibam, nunca mais, voltar.
Foi culpa dele que me trouxe um romantismo egoístazinho-metido-a-besta. Me fez acreditar que eu podia te dizer meu. Desaprendi a vida sem a fértil emoção a dois, o mundo que não gira ao nosso redor.
Na verdade, a vida é muito mais que isso. Amar é muito mais que isso. O Amor é muito mais que isso. Amar, viver é ter fé, também é querer bem. Amar é viver sabendo que as pessoas são como areia na palma da mão: não se pode fechá-la que elas escapam por entre os dedos. É preciso abrir mão e, se o Vento quiser levar, é deixar ser. E assim ser para elas o melhor e mais firme amparo que conseguir, sabendo que talvez um dia, um dia...
É culpa minha também. Me deixei seduzir, ser insana. Embriaguei-me com o sabor destilado em cada gole daqueles beijos. Não cogitei deixar seus lábios. Não pensei nas feridas, não pensei em nós, em ninguém.
(Mentira. Pensei sim, em mim. Enlouqueci.)
 Não é que eu queira deixar esta louca intensidade para trás, não. Umas boas doses de Você me inspiraram mais do que mil versos perfeitos, verdade. E sem precisar nem mesmo de palavras, só do seu toque perfeito emaranhado em minha alma vã. Sua mão está lá, queira Você ou não, para sempre.
(Queira você ou não, amor...)
E lá se vai a última gota no copo. E também não quero mais brindar, brincar - a próxima vez será fatal-. Permanecerei sóbria para o próximo cumprimento. Quero lembrar onde estou, quero saber quem sou. Quero ver neles, que ficaram atrás de nosso brinde, mais que vultos passantes nas ruas. Quero ser mais que uma passante, quero contar-lhes histórias bonitas, cantar palavras doces, palavras precisas, palavras certeiras. Quero ver além desse complexo de amores ébrios.
(Sóbria.)
Abro os olhos e me deparo com o primeiro próximo vulto. Aos poucos, decifro sua imagem embaçada e percebo sua silhueta; uma forma de andar um tanto peculiar, quase familiar. Agora, as linhas de sua face. Um tanto rígidas - penso que talvez precisem de palavras doces, isso -, parece preocupado, bastante preocupado. É um homem.
(Mas, o que será que... ?)
Então, posso ver os olhos. E não preciso de mais nada para saber quem são aqueles dois cometas, caindo sem que eu saiba o porquê. São Você.
Talvez seja um sinal, talvez haja mesmo esperança no futuro. Um futuro correto, certo para mim e para Você. Ou não.
(Não...?)
Vejo Você chorar, de repente. Pude ler os seus lábios dizendo "Não!"
Olho para o lado, e algo me atinge tão repentinamente quanto as suas lágrimas.
(Tudo se desfaz...)
Deitada no chão, meu corpo dói. Muito. Você se abaixa, me pergunta por que diz que foi estúpido que me ama que eu não me vá que não quer fugir que eu não ouse te deixar agora e penso em dizer te amo te quero que vou lutar que vou sobreviver por Você que nunca vou deixar Você te amo te quero ao meu lado fica comigo sempre. Sempre...
Mas eu guardo tudo para mim. Apenas sussurro "Deixa ser.."
(Tudo se desfaz, então.)

Pela e À Inspiração.
Camille Lyra

Quem sou eu

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Camille Lyra. O nome fala muito da feição, tanto na sua significância quanto na sua origem; já o sobrenome faz jus à escrita predileta da autora. Sempre curiosa demais, sonhadora demais, ambiciosa demais, romântica demais, intensa demais. E, daquilo que exceder tudo isso, faço poesia.