Entre, leia e ouça-me...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Das Borboletas

Tanto.
Eu te amo muito.
Sempre.
Meu coração infindo.

Mas estas borboletas
E seus pousos breves...
Mais breves que uma vida inteira!

Sobre a vida brevemente inteira:
A breve borboleta no ombro,
A vida, inteiramente, nas mãos.

E o valor no pouso da borboleta:
Sempre e tanto,
Amarmos inteiros pela vida breve.

sábado, 29 de outubro de 2011

Em Pasárgada (O Último Diário de Ela - IX)

Minha arte, caro diário, tem andado meio míope, meio bêba a tropeçar nestas sarjetas, que a vida deixa pelos cantos para escoar virtude e alma dos fracos. Pois digo uma coisa: se eu já aprendi a levantar - e não por medo de morrer, mas vontade de viver-, a minha arte, Ela, vem comigo, sustentada em meus ombros, a aprender também.
- Vamos, moça, hora de acordar, hora de levantar, hora de irmos a outro lugar!
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O início trata-se de um despertar. Ao abrir os olhos, a luz do dia fere a vista e arde na pele. E eu o vejo pura e simplesmente, sem idealizações:
- És humano demais, amor. - Uma vez chorei ao ver que eras uma tristeza incicatrizável angustiada. Fiz-te meu, então, no meio de uma multidão qualquer. Segui-te até aqui, amei-te quase em secreto e, juro, quis-te dono de um sorriso que fosse eterno. Até estive mirabolando planos para roubar-te o sorriso mais lindo do mundo! Mas mal posso lembrar-me das vezes que vi-te ser sincero contigo mesmo, querido...e a Felicidade não se finge, não.
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Era uma vez esse homem que dizia que a Felicidade era efêmera. Eu, ansiando dar-lhe qualquer coisa que pudesse guardar além da vida e além do tempo, redigi umas cartas também tristes incicatrizáveis angustiadas para que pudesse acariciar seu rosto lindo, e olhar nos seus olhos profundos de Oceano. E por pouco também não desaprendi o que quis mostrar.
Ele, ele foi intransponível até o fim. Mas foi ele em cada sonho meu. Mas, em cada sonho, ele foi meu. Eu sei quantas vezes ele parou para me ouvir contar histórias e sonhos, eu sei que ele ouve o meu despertar ainda agora.
- Estás aqui, diante de mim, eu sei, amor. Não há pudores em mim, nem medos, nem incertezas. Serias sempre uma história minha, eu disse, e assim remanescerás: pelas palavras...
Estas palavras serão simplesmente o fim, tão próximo, de mais uma anedota romantiquinha. Estas palavras serão um meio para alcançares a mim, igualmente tão próxima. E estas palavras serão o princípio para alcançares a ti mesmo, deveras tão distante.
...Eu prometo.
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-Ei, Autora, tem cicuta?!
-Não, vamos logo embora daqui! - e Ela me estende a mão
-Só mais uns goles, não quero levantar... - permaneço: vi seu vulto acompanhado de uma mulher bonita, e com as mãos dadas brincando por ai...
- Eu? Eu sou só uma criança... - ela tinha o corpo mais bonito que o meu. ela tinha os traços mais bonitos que os meus. ela tinha os olhos mais bonitos que os meus. ela tinha as madeixas mais bonitas que as minhas. ela tinha a beleza mais bonita que a minha. ela era bonita. ela era como Ele. Ele talvez gostasse mesmo dela. O nome dela era mais bonito que o meu: ela era a Próxima, ela chamava-se natália, luiza, aline, fernanda, o nome dela era Adriana, do Allen.
Não que assim eu me deixasse estar perdida na escuridão romântica da cidade luz dessa história. Eu amava Adriana também, até que (não espere o meu perdão amanhã, nem espere que sejamos tal como antes outra vez. Ser perdoada não é ser esquecida. Perdoar é pagar um preço, querida. Fui eu quem pagou) Adieu, Belle Époque!
Mas cuide dEle, sim? Seja dEle enquanto não passas no tempo. E que Ele encontre-se em você. Que Ele encontre a si mesmo em você... E Ele se descobrirá enfadado de toda a arte de viver mais uma vez, e se cansará de você, Adriana. E será só porque Ele não suporta ver-se em você. Ele não suporta aqueles malditos espelhos quando sóbrio (e dê-lhe un contos de fadas uma vez ao dia, quando ele já estiver alto, não o deixe perceber!). Ele estará com você apenas para esquecer (de si), mas cuide dele mesmo assim.
- Ah, Oceano... tu cabes num aquário! E não tenho receios, nem ressentimentos, que eu te amei de verdade. Cabes no aquário porque queres, Oceano. Quantas vezes serás sufocado por si mesmo? Quantas vezes até que compreendas que  os olhos não foram feitos como prisões, foram feitos como janelas para a alma, para os sonhos... És tão imenso, Oceano, mas te fizestes diminuto em si mesmo, trancafiado atrás do verde por que me apaixonei. És intransponível, intangível até o fim. Por isso, és humano demais...
Rabugento demais. (há tanta dor na ausência. há o desgaste da impaciência) Austeras, as tuas palavras alcançaram-me. (a incerteza, o desaprender, o incompreender...) Prepotente demais. (would you? and what if I begged, while this silence still, just to hear you say no?) Há pedras ao teu redor, uma sob a outra, feitas uma muralha que ninguém pode sobrepor, amor. (a saudade é o avançar das ondas, em vão) A tua fortaleza te guarda de tudo e todos, os teus olhos são verdes porque refletem um horizonte feito de esperanças, cujas vagas não podem alcançar-te tão alto. Ermo, és um oceano deserto por causa da solidão, querido. Lerás essas palavras e sequer buscarás alguma verdade nelas, pois estás sempre certo (não quero mais falar, não quero mais pensar... que importa? tudo se desfaz, então...)
E Tu me dizes ser linda, charmosa, inteligente (mas que eu te espere, te ame...) Só que, enfim, eu te esquerei. E olharei nos teus olhos através destas palavras e saberás que te esperei, que te amei, até que- tu estás a atravessar a rua com Adriana.
(Adriana, take care of him, please, please, please! Adriana, tu va passer aussi!)
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- Vamos! Levante-se! Já é pleno dia, e o dia já é pleno! Venha, eu te ajudo, minha querida, está tudo bem, vou cuidar dessas feridas... eu te ajudo!
- Mas, Autora, me deixe ao menos ter uma Despedida? Chame-o, não deixe que Ele se vá! Eu o amo e as palavras me privam de dizê-lo!
- De quem falas, minha cara? Não há ninguém aqui, nós apenas... oras!, deves estar sonhando outra vez! Vamos embora de Pasárgada, venha, criança!
- Eu não sou só uma criança. Eu sou um vento leve, sou uma essência qualquer, insana e apaixonada, peso mais que aquilo que meu corpo sustenta. Sou uma poeta que gosta de arte!
- Oras! E não é que essa vida é cheia das contradições?...

domingo, 9 de outubro de 2011

Conversa Íntima (O Diário de Ela - VIII)


 - Amor, escuta as nossas carícias...
(as nossas músicas, todas fluindo de mim em conversas íntimas)

- Do you wish for a dance? While I'm in the front my play on time is won... you know, I'm not a miracle, but you are not a saint. I'm just a shot, then we can die. Tu veut danser avec moi, je sais, amoureaux! Porquoi pas? Alons-y! (And, if the answer is no, can I change your mind?)
- Então, ama-me nesta página, infinito enquanto dura, que o meu olhar no teu está a falar de nossa paixão indulgente e, apesar do bulício, dos ruídos, das mentiras, dos olhares e de tudo, my love, confesso que your smile is the sweetner, it really makes my day, and that everytime that I get close to you, you're making me weak with the way you look through those eyes...
- O que eu quero é catarse: a tua catarse. Deixa-me saltar daqui, dessa página, e tocar teu rosto com minhas mãos calejadas das cartas que te redigi! Meet my kiss, we're alone, nobody is watching, can a kiss splash all over you? Oui, quand on a que l’amour, mon amour, toi et moi pour qu’éclate de joie chaque heure et chaque jour !
- Ah, mas tuas lágrimas estão a escorrer pela minha face, coração! Desde que o samba é samba, a tristeza é mãe. In a way, I used to play for all the loneliness that nobody notices now... por que tanto dessa solidão, amado?
(Too many options may kill a man, - loving is good, if not understood - but you're a professor and you think you should know, hell, you don't know!)
- Não faz mal, amor... on va jouer et danser, oublie tout les autre! Tu e eu, somente, na estrada e no vento ao rosto e na música extasiante, num mundo que sequer desconfia de nós: let's love like a sunset, on va faire ce tas de plaisirs, de frissons, de caresses, de pauvres promesses! Seremos Bentinho e Capitu, Romeo and Juliet, Julien Sorel et Mathilde de La Mole, tout on peu! Allons-y?
(Le silence n'ose pas dis-donc quand on est ensemble, mettre les mots sur la petite dodo...)
- No, honey, do not tell me I'm getting big ideas and that they are not gonna happen: I'm nude, you can see straight through me, don't you shiver, ne me quitte pas!
- That's not the way it should end, that's the way it should begin! Les gents croient qui tu me touches pas, mais tu me touches, mon petit vieux, c'est beau tes rides autour des yeux...
- I can't spell it out for you, no, it's never going to be that simple, if you just realized what I just realized: for you I bleed myself trying...! Still, I wanna play the game. I want the friction!
- Psiit! Our time is running out, our time is running out, se nos pegarem, diremos que foi irrefreável e irracionalmente humano. Allons-y?
(and if even though we have to say goodbye, keep me in mind, keep me in mind, keep me in mind)

Meu


Não irei chamar-te diário, pois esse nome não fará juz ao que és, de fato. Veja bem, não é que não mereças ser visitado assim, tão amiúde, todo papel em branco é digno de ser escrito sempre. É a minha alma que, mui pequenina, esboça ainda as primeiras sílabas, ainda não entende de rimas, ainda dedilha pouco os versos pela lira, ainda canta acanhada e em raros dias. Peço, no entanto, que me concedas sempre a mão para dançar comigo ao som de minh'alminha melódica.
Não chamarei teu nome como amigo, porque não me tocarás o rosto para me dizer 'está tudo bem', não virás abraçar-me em consolo, nem irás amar-me incircunstancialmente. Um dia, também, eu não poderei estar contigo, contudo, serás por mim querido, e te guardarei e te cuidarei com zelo, como com nenhum outro livro, nenhum outro escrito.
Clamarei, porém, em prantos por teus confortos em minhas aflições, e serás silêncio mudo. Cantarei, também, como os pássaros poesias em altíssono, mas serás em meus cantos silêncio pacífico.
Silêncio este que tu deixarás tatuado em meu peito exausto, amargurado às noites nubladas. Esse silêncio que escorrerá do meu coração selado em gotas de sangue, do qual, como se soasse a badalada última, ouvirás o pulsar débil em meu seio. Aguardarás o suspiro próximo do fim: a espera, pelo tempo de uma vida inteira - latentes, retornariam o gozo e a angústia, a força e o medo, a paixão e o ódio, a dor e a indiferença, os desejos e as privações e o amor, sublime, em um segundo-. Quando, enfim, o singelo levantar do peito vier e, em meu sopro gelado de morte, for levada nos braços eternamente a esperança, pelo tempo do fim de uma vida inteira. Então, esse silêncio. Esse silêncio imensamente.
Até termos, eu juro, a alma rasgada, esquecida, carbonizada, trocaremos silêncios. Esse silêncio das palavras redigidas, com que canto. O silêncio das questões arraigadas em meus ditos, e o silêncio das tuas respostas a mim: pois bem, silêncio. Em silêncio querer-te-ei vivo, para me acalentares como amigo - que deveras não és -, mas sempre serás esse silêncio de quando escrevo. Meu silêncio.
Serás Meu, apenas Meu.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Barulho (O Diário de Ela - VII)

Fique sabendo que eu vou desinibir a tua indiferença medrosa, o teu olhar oceano congelado se liquefará, que distante eu o vi escorrer pela tua face, meu bem... vou despir o teu silêncio engomado, eu vou batucar e vais dançar meu ritmo porque quero, simplesmente! Vou arrancar-te dos teus hábitos fardados, do teu discurso uniformizado, estarás completamente nu, com a tua indumentária profanada, quando eu provocar você, incomodar você, seduzir você... (então, nós vamos fazer barulho, amor...)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Nota (ou como você me-) (O Diário de Ela VI)

eu amo Você assim: gosto e desgosto e preciso e tanto e muito e me desfaço e refaço e traço planos que são partidos em mil pedacinhos solitários e então uno alguns mais bonitinhos no meu trabalhinho de recorte e colagem olha, olha! fiz pra Você! Mas Você diz está errado, não foi você quem recortou, zero.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Meritocracia

Magrites, Shaskespeares, Alencares, Hugos, Malfattis, Warhols, Dalis, Bocas do Inferno, Byrons
Apollinaires, Lispectors, Hemingways, Tolstois, Veríssimos, Kafkas, Goethes
Dantes, Picassos, Poetinhas, Dickinsons, Quintanas, Marinettis, Bretons
Machados, Andrades, Kiplings, Saramagos, Homeros, Monets
Escreviam,cantavam, contavam,
Traduziam, platonizavam
Copiavam, copiavam
copiavam

Negros brancos amarelos verdes diretores inventores pais fanqueiros funkeiros namorados anarquistas doutores imigrantes universitários patifes jornaleiros músicos cegos senhoras moralistas cientistas malucos vítimas ambulantes arruaceiros roqueiros religiosos comediantes nômades mães golpistas empresários
Batedores sambistas cabeleireiros manicuras falantes lojistas psicopatas moradores intelectuais safados médicos filantropos ciganos indigentes cantores desafinados acidentados moleques gerentes cozinheiros taxistas estressados estudantes beldades comerciantes esquerdistas petulantes narcóticos
Pedreiros padeiros conhecidos dançarinos pescadores idealistas coveiros malcriados sabedores paisagistas solteiros palestrantes tarados índios crianças capitalistas oportunistas mentirosos políticos vampiros professores meninas entregadores sonâmbulos moças bebês nazistas convidados polícias
Tolos votantes nerds internautas apresentadores banqueiros surdos caçadores porteiros ricaços solitários paparazis carteiros coxos feirantes amigos críticos comunistas direitistas enfermeiros doentes barbeiros barbudos lobisomens justos adolescentes alienígenas vestibulandos mochileiros amantes rameiras turistas 
Que eram ou não eram até que infinito enquanto durasse.

domingo, 17 de julho de 2011

Um Compêndio

Não é como se ela fosse capturada
Enquanto passa como vento, correndo
Num flash uma imagem num porta-retrato seu.
She'll be gone with the wind.

Não é como se pudesse ser guardada no peito
Tal como sua leitura agradável, um livro predileto
Fechada numa cama, osciosa sobre a cabeceira.
Te confondent que a été dit, alors tu renonces.

Também não é como um projeto seu, 
Esquecido, empoeirado, submisso à espera,
Trancada numa das gavetas do seu escritório...
A verdade é que é ela vai fazer o que bem entender .

She's a ghost in a night(mare), she'll pass
Cours du temps, les pages deviennent vieilles
Há tantas verdades em simplesmente desaparecer
Like the words ne veulent rien dire, ela também....

domingo, 8 de maio de 2011

Chama

Obrigada. Obrigada, imensamente.
 E, então, não cabem mais as palavras. Mas eu insisto nelas. Porque não há qualquer coisa melhor em mim do que estas, que possa pintar, da maneira mais verossímil, uma luz. Mesmo quando, ainda assim, não a alcançam de fato, essas serão a visão mais prima dessa chama linda que arde dentro de mim.
Porque tudo é pequeno demais perto de você. Porque você se faz muito maior que a imensidão de coisas relevantes que há para viver. Porque viver novos sonhos e conquistar longas distâncias não representa absolutamente nada, se antes eu não tiver conquistado e vivido cada pedacinho desse brilho, que se chama Mãe.
Obrigada, mais uma vez.
Afinal, o que há de belo para se mostrar a um Amor que, por não caber todo em si mesmo, construiu morada sob o coração, para que lá fosse, durante nove meses, um pequenino pedaço dessa imensidão?  O que há que seja mais pleno que um Amor que lança no mundo, então, suas expectativas, seus sonhos e suas paixões em forma de vida?
O que há para se dizer quando o seu Amor por mim não mede palavras – tanto aquelas que não deveriam ter sido ditas quanto as que não foram, e deveriam ter sido -? O que há para se dar a um Amor que cede a própria existência em função de mim, sem hesitar?
Não resta nada mais grandioso do que o reconhecimento desse mesmo Amor. Amor esse seu, que não provém das coisas finitas, mas que vem incendiando o céu numa centelha cadente e pousa eternamente sobre a sua alma diamantina, Mãe.
Então, anseio. Anseio simplesmente retribuir à Perfeição, de forma que busco, nessa imagem, uma expressão que toque você, qualquer coisa como uma melodia que venta suave em seu rosto. Uma canção que, pouco a pouco, vai preenchendo o olhar e transborda em gotas áureas. Uma sinfonia inteira que purifica o mundo com uma chuva fresca de Amor, Amor, Amor; de tal maneira que a tempestade flui nos rios, desagua nos mares, contagia tudo, tudo, tudo.
O mundo, enquanto isso, desfruta da sua beleza. A última nota, ela ecoa risonha no silêncio dos rostos.  A plateia sorri, a ama. A sua nota resplandece até o fim. Luz, brilha, até o último flash, a última chama: Mãe...

domingo, 1 de maio de 2011

A Última Peça

Deixou a porta aberta
(para ela entrar)
Recostou-se numa parede qualquer
Seus dedos nas notas a sangrar
(para ela o escutar)

Então, ela a estender-se aos seus pés
Suas mãos a passarem até seu peito
É ela delineá-lo (e seu toque arder)
O violão numa melodia triste
Incicatrizável angustiada

As mãos sobre o pulsar
Ela a deitar nele também sua face
E a ouvir no ritmo a alma
(revelam-se as feridas socadas
para dentro do ser em soluçares mudos)

Ela, má, sorri e olha nos seus olhos.
E olha nos seus olhos
E falsamente o pede perdão,
Diz que era tudo inevitável
(mas é mentira)

Gela seus lábios sua sorte
Toca o seio da sua vida, atravessa-a
Traz para fora essa que ainda nele restava
Foi o beijo da morte

Mas retribui, (treme por causa do frio)
Bebe de sua cicuta mortal
(é sim, mui formosa
negra, pois é a Noite
impassível, glacial,
sem Lua, nem mar
sem planícies
sem linhas

sua língua ama de mentira
mas o destrói de verdade
só que nesta última peça,
Seus lábios queima ele)

A seduz, e ela arde em chamas suas
Toma, conquista seus braços
E dá-lhes o corpo que era seu
E ela goza dele, por ele

(mas falha,
e sabe nada ao certo:
já deveria ter ido, mas sente
sente paixão, sente a vida
é quando perde o medo dela...)

Seus beijos ocupam-se de mantê-la saciada
Saturada, queimada em chamas
(que um dia ao vento serão apenas cinzas)
Rouba a sua adaga do tempo
(enquanto toca seus virgens seios nus)

E a morte sangra, então,
Escorre no tempo um pesadelo negro
Em suas últimas palavras, o amaldiçoa
(a flor jaz morta no chão) 
Deixa com ela seu violão
(uma lágrima sequer, não mais:
sem riscos
sem medos
sem dor
sem ela)

Em sua mão, seu coração
E ele o retorna aonde pertencia
(não como antes,
sem aquela alma angustiada
sem a alma inteira)

Quem sou eu

Minha foto
Camille Lyra. O nome fala muito da feição, tanto na sua significância quanto na sua origem; já o sobrenome faz jus à escrita predileta da autora. Sempre curiosa demais, sonhadora demais, ambiciosa demais, romântica demais, intensa demais. E, daquilo que exceder tudo isso, faço poesia.